Só a crítica salva

Outubro 5th, 2005   (No views )

Há quem acredite, como Jorge Bastos Moreno (d'O Globo), que jornalista não deve criticar jornalista. Penso justamente o contrário. Fez merda? Ninguém melhor do que um companheiro de profissão pra apontar o erro, por conhecer bem como funciona o dia-a-dia da profissão, a rotina, os vícios. Mas nós jornalistas somos corporativistas até a medula e historicamente complacentes com 'coleguinhas'. Mas isso tem limites. A revista Veja, por exemplo, tem ultrapassado todos eles, e alguns 'coleguinhas' já não aguentam mais o tipo de jornalismo baixo e torpe que praticam por aquelas bandas.

Luís Antônio Giron, editor de Cultura da Época, foi alvo de uma matéria apócrifa da Veja, acusado de receber jabá da Warner para falar bem do novo disco da Maria Rita. É que a gravadora mandou um iPod Shuffle para alguns jornalistas com as músicas da cantora. Alguns ficaram com o mimo, outros devolveram. Nada sério, mas a Veja resolveu atacar, não porque se preocupa com a ética jornalística e tal, mas porque tem birra com a Warner, que recusou uma entrevista exclusiva na época do lançamento do primeiro disco da Maria Rita.

E aí sobrou também pro Giron, acusado de ter ficado com o iPod, o que não aconteceu, segundo ele. Giron tentou mostrar isso ao pessoal da Veja, ligou lá, falou com amigos, mas nada feito. Reproduzo aqui o trecho final da carta que ele enviou ao Comunique-se para se defender da covardia praticada pela Veja:

Quem não deve pode temer, mas precisa ir à luta. Estou pronto para polemizar mais uma vez. Até onde a grande imprensa pode avançar em supostas denúncias sem consultar as fontes, em nome de razões ocultas, que o público desconhece? Calúnia continua sendo crime ou a imprensa tem o direito de fazer o que quer em nome do espetáculo?

Vale para o Girón e para outras searas também, bien sur…

Renato Rovai, editor da revista Forum, também resolveu pôr a boca no trombone depois da última edição da Veja, em que a publicação pratica um pseudo-jornalismo para defender a comercialização de armas no país. Direito à opinião é uma coisa, o que eles fazem é outra bem diferente. Sob o manto da liberdade de expressão e de imprensa, praticam um jornalismo baixo, debochado e deturpador, e pior, vem servindo de exemplo e guia para muita gente boa da imprensa tupiniquim…

(outro bom artigo sobre essa edição da Veja é o do Alberto Dines, no Observatório da Imprensa.

Jornalista pode e deve criticar jornalista sim. Tem que escancarar as engrenagens viciadas de muitas redações. Para o bem do jornalismo.

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