Passo dias sem ler jornais ou ver TV, mas navegar na Internet é imprescindível. Sua vitalidade interativa, a riqueza de dados que oferece, a facilidade com que permite o contato com os amigos (seja por email, orkut, icq ou skype), me fascina. E é uma das ferramentas mais poderosas para desenvolver projetos, principalmente na minha área, a comunicação. Mas mais do que isso, o q impressiona é a força comunitária presente na Internet. Pessoas que só se conhecem online, comunidades de blogs, perfis de orkut e fóruns de discussões interagindo, moldando-se em uma malha social virtual poderosa.
Casado e com dois filhos pequenos, não estou mais tão rueiro como antigamente. Fico meio isolado e não podia ser diferente. Troquei a rua pela infovia. Só quando o Martim (e em breve a Sofia) me convoca é que volto a ela, pra dar um rolé.
Tempos atrás, a janela caseira para o mundo era a TV e o rádio (em menor escala). Mas eu pelo menos não tenho mais paciência para tanta passividade. Ficar ali, escutando e vendo apenas, sem poder interferir, dar pitaco, esporro, elogio, nada, não dá. Fico resmungando que nem um velho… heheheheh
Mas em breve a TV e o rádio permitirão a montagem de programas personalizados, editados para a sua conveniência e disponibilidade de tempo. Quando TV, rádio e Internet unirem esforços pra valer, o paradigma social da humanidade mudará radicalmente.
Me deparei com um trecho no livro que estou lendo, A Vida Digital, do Nicholas Negroponte, que me fez refletir sobre isso tudo. Negroponte foi quem fundou o Media Lab do Massachussetts Institute of Technology (MIT) e nesse livro, escrito em 1995, analisa algumas questões que se impunham na época em relação à Internet e como o mundo digital iria interferir no dito mundo 'real'.
Diz ele:
"A doutrina da transmissão televisiva possui todos os dogmas do mundo analógico, mas apresenta-se quase inteiramente desprovida de princípios digitais tais como o da arquitetura aberta, o da escalabilidade e o da interoperabilidade. Isso vai mudar, mas essa mudança tem até agora ocorrido de forma bastante lenta.
O agente dessa mudança será a Internet, tanto literalmente quanto na condição de modelo ou metáfora. A Internet é interessante não apenas por ser uma vasta e onipresente rede global, mas também como um exemplo de algo que se desenvolveu sem a presença de um projetista de plantão e que manteve um formato muito parecido com aquele dos patos voando em formação: inexiste um comando e, até agora, todas as suas peças se ajustam de modo admirável."
E ainda:
"A comunidade de usuários da Internet vai ocupar o centro da vida cotidiana. Sua demografia vai ficar cada vez mais parecida com a do próprio mundo. Como a Minitel francesa e a Prodigy americana aprenderam, a maior aplicação isolada das redes é o email. O valor real de uma rede tem menos a ver com informação do que com a vida comunitária. A superestrada da informação é mais do que um atalho para o acervo da Biblioteca do Congresso. Ela está criando um tecido social inteiramente novo e global."
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