Quando critico o denuncismo da imprensa, não é pra defender este ou aquele partido. Mas sim para evitar pré-julgamentos, que causam tantos problemas a todos. A imprensa brasileira - e no mundo em geral - é mestre em derrubar o cara e depois fazer cara de paisagem quando as denúncias não se comprovam. Lembram do caso da Escola Base, aqui em São Paulo? Pois é, destruiu a vida de uma família inteira e agora, aos poucos, essas pessoas começam a retomar a vida. É claro que com uma boa ajuda de nossa lenta Justiça, que garantiu uma indenização de R$ 200 mil para cada um dos três atingidos - isso só pelas matérias que foram publicadas na revista IstoÉ. Faltam Folha de São Paulo, Veja, etc…
O jornalismo é a arte de editar a realidade. Mas mais do que isso, é também a arte de publicar aquilo que interessa a determinado grupo político. Sim, porque imprensa faz parte do jogo político. Ou alguém ainda acredita que jornalista não tem coloração política-partidária? Um dos poucos veículos de comunicação no Brasil que teve a coragem de externar sua posição política foi a revista Carta Capital, que disse apoiar Lula, logo que ele foi eleito. As demais publicações escondem suas preferências, covardemente.
Mas vivemos também o reinado do furo jornalístico, que faz com que todos os veículos da imprensa publiquem tudo que possa colocá-los na linha de frente dos fatos, mesmo que o 'fato' publicado não seja tão consistente assim. A manchete errada hoje, uma nota de correção amanhã, e fica por isso mesmo, vamos fechar o jornal do dia seguinte.
Nós jornalistas temos o hábito de termos posições firmes sobre praticamente qualquer assunto e quem já discutiu com um - eu mesmo, oras! - sabe como é difícil e muitas vezes chato. Mas quando são atacados, se fecham em um grupo coeso e unido, de fazer inveja ao mais corporativista dos advogados. Sai debaixo. Quando contrariados, idem.
O que aconteceu, por exemplo, com a jornalista Melissa Monteiro, é bem emblemático. Ela conseguiu uma entrevista exclusiva com o presidente Lula. Como boa frila que é, fez a entrevista (furando a fila de dezenas de jornalistas mais, digamos, tarimbados, que tentam há meses essa graça, mas não conseguem), tentou vender na França sem sucesso e, finalmente, vendeu para a Globo, mais precisamente para o programa Fantástico.
Pois bem, foi trucidada por 'coleguinhas' como a badalada colunista Míriam Leitão, porque teria feito perguntas ruins, não teria pressionado o presidente suficientemente, mas o que fica parecendo é choro de quem foi preterido. Melissa furou a panela. Muito 'foca' desistiu da profissão por ter feito o mesmo, sem segurar a onda depois, sendo esculachado por jornalistas decanos da profissão…
A imprensa é livre e assim deve ser. Mas erra e muito. É parcial quase sempre. E nada disso seria problema, desde que fosse menos sórdida e mais honesta quando confrontada com seus erros e deslizes. O Financial Times fez uma análise boa do que está acontecendo agora na imprensa brasileira. Sem equipes suficientes, com as redações no osso da borboleta, cheias de estagiários e frilas (nada contra), os jornais publicam qualquer denúncia, sem checar sua veracidade ou consistência.
A lista do Rodrigo Maia, líder do PFL, é bem o caso. Jogou lama em um monte de gente - culpados ou não. O Jornal Nacional deu destaque, Folha também, Estadão, O Globo, etc. Depois viram que não era bem aquilo. Alguém leu alguma errata? Pedido de desculpas? Nadica de nada. Mas aí foda-se, deixa rolar, bola pra frente… (ver aqui outro bom artigo sobre o assunto).
Edição da realidade. O público leitor de jornais no Brasil deveria saber disso, mas muitos não se tocam. Tenho amigos esclarecidos que tomam como verdade absoluta o que sai no jornal ou revista. Quando apresentados a dados que mudam aquela realidade apresentada, ficam pasmos. Jornalista é mentiroso? Claro que não, com raríssimas exceções. Mas publica aquilo que quer, que acha mais conveniente.
A realidade tem que caber na pauta. Vejam este exemplo.
Jornalistas pregam a moralidade e ética, mas as principais redações brasileiras escondem os frilas e estagiários quando fiscais da DRT (Delegacia Regional do Trabalho) fazem blitz em suas dependências… Em muitos casos não depositam FGTS, não pagam horas extras, criticam subsídios para determinados setores da economia, mas não vivem seu belo desconto na compra de papel, enfim, são capitalistas no lucro e socialistas no prejuízo. São oportunistas, adeptos da Lei de Gérson, querem se dar bem sempre.
E ai de quem falar mal. Será exposto, trucidado, humilhado, caluniado, debochado. Sem dó, nem piedade. E que venha o próximo!
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