Voltando pra casa depois de passar a tarde no Instituto Butantã, percebi que morfeus já embalava Martim. Também, pudera, nos divertimos a valer. Corremos, jogamos bola, escorregamos na grama, vimos sucuris, jibóias, cascavéis, pitons, corais e muitas outras cobras no serpentário, rimos com os macacos. Farra total.
Com os olhinhos semi-cerrados e a cabeça já meio de lado no cadeirão no banco de trás do carro, Martim parecia pronto pra dormir. Decidi então desligar o som, que estava nos agraciando com o disco Shameless, do Therapy? (uma banda irlandesa das boas), recém-comprado nas Lojas Americanas por R$ 9,90.
Pra mim, roquenrol funciona como um mantra, relaxa e até acalma. Mas sei lá, o moleque só tem dois anos e, mesmo com o som baixo, achei melhor desligar. "Ele pode não estar gostando…", pensei. No entanto, eis que Martim se ajeita e diz: "Oh, não… mais, mais!" Carro parado no sinal, olhei pra trás e perguntei se era para tocar o disco novamente. "É!!"
Religuei o som na hora! Até aumentei o volume uns dois pontos (do oito para o dez, vai até 30 e poucos, não tava nada alto…) e vi pelo retrovisor Martim se ajeitar novamente no cadeirão, deixar a cabeça cair levemente sobre o ombro e, com as pálpebras caídas, se concentrar na paisagem em movimento da marginal Pinheiros.
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