
O cartaz que falta à campanha de Bush Jr. nos EUA
Croco Press
Dediquei a noite de quinta-feira aos debates políticos na TV. Pela CNN, assisti ao confronto entre John Kerry e Bush Jr., os dois candidatos ao posto de comandante-em-chefe dos Estados Unidos para os próximos quatro anos. Com o controle remoto na mão, pude também acompanhar alguns trechos do debate na Globo entre os principais candidatos à Prefeitura de São Paulo.
Dei preferência ao debate americano por duas razões:
* Estava curioso para ver o confronto entre John Kerry e Bush Jr.;
* Os debates organizados no Brasil, pelo menos no primeiro turno, são conversas de surdo. Um candidato pergunta X, o outro responde Y, e por aí vai. Ninguém responde ninguém. Cada um fala como se estivesse gravando seu programa para o horário gratuito eleitoral de TV. Chaaaato toda vida. Só esquenta um pouco quando os líderes nas pesquisas - no caso, Marta e Serra - trocam farpas. E nas intervenções do Maluf, claro. Esse é um caso sério. Sempre sorrindo, confiante. Tenho que admitir, o cara tem a manha!
Mas voltemos ao que interessa. No debate realizado em Coral Gables, na Flórida, Kerry triturou Bush Jr. Bem articulado e informado, o senador democrata se mostrou seguro nas respostas e decidido nas acusações, principalmente na tarefa de deixar claro aos telespectadores que Bush Jr. enfiou o país - e o mundo por tabela - numa puta enrascada e que ele, Kerry, tem os meios para botar ordem na casa.
O tema central do debate foi a invasão e ocupação do Iraque e a guerra contra o terrorismo, mas outros temas vieram à baila, como o corte de impostos (que beneficiaram os mais ricos nos EUA), a falta de dinheiro para serviços públicos americanos, as negociações com a Coréia do Norte e Irã sobre suas intenções de dominarem a tecnologia nuclear (para fins pacíficos, alegam), o papel da ONU. Bush Jr., com seu vocabulário girando em torno de 30, 40 palavras no máximo, repetia ad infinitum termos como "o trabalho é duro e alguém tem que fazê-lo", "o mundo é um lugar mais seguro agora", "eu me preocupo com a segurança e o bem-estar dos americanos", e por aí vai.
Kerry se enrolou um pouco quando Bush Jr. lembrou que o democrata também considerava Saddam Hussein uma ameaça e deu seu apoio à retirada do ditador iraquiano do poder. Mas o democrata se saía bem da armadilha sempre que armada, afirmando que faria tudo diferente, de preferência com apoio da ONU e de aliados como França e Alemanha.
Mas, apesar da surra que Kerry deu em Bush Jr., ainda acho que vamos ter que aturar mais quatro anos de Alfred E. Neuman (já repararam como Bush Jr. é sósia do carinha da revista MAD?). Sua fala titubeante e pausada, jeito jeca e expressão autista são a cara do americano médio, aquele tipo que decide eleição por lá. Tomara que eu esteja errado…
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Enquanto isso, em São Paulo, Chico Pinheiro comandava o morníssimo debate entre os candidatos a prefeito da cidade. A produção foi uma das coisas mais lamentáveis que já vi! As perguntas foram as mais óbvias e generalistas possíveis e as cores do cenário, a iluminação, as bancadas, tudo era de péssimo gosto! Até quando esse azul cafona, hansdoniano vai prevalecer? Tá no JN, no Jornal da Globo, no jornais regionais (SPTV, RJTV), nas novelas, no videoshow… Nesse quesito, a Globo ainda tem muito o que aprender com a Bandeirantes, que consegue fazer cenários bem mais sóbrios e elegantes. Não vou nem comentar o cenário do debate na CNN porque aí é covardia…
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