Brant Bjork - O Som do Deserto

Setembro 17th, 2004   (No views )


Local Angel é um disco pra deixar no 'repeat' direto…
Croco Press

Nascido e criado no deserto de Mojave, na Califórnia, Brant Bjork parece uma miragem no meio do cenário 'stoner' da costa oeste americana. Ex-baterista de bandas badaladas como Kyuss e Fumanchu, Brant tem provado a exemplo de seu amigo Josh Homme (ex-companheiro no Kyuss e atual líder do Queens of Stone Age) que há vida inteligente no roquenrol californiano atual.

Quando lançou Jalamanta em 1999, deixou muita gente de boca aberta graças às levadas suingadas que tirou em doze inspiradas faixas. Dois bons álbuns depois (Brant Bjork & The Operators, de 2002, e Keep Your Cool, de 2003), Brant Bjork confirma a boa impressão deixada com um quarto disco primoroso, Local Angel (pela gravadora Duna Records, de sua propriedade), que estará nas lojas mundo afora a partir do dia 10 de agosto próximo.

Em pouco mais de 50 minutos, Brant Bjork cativa pela simplicidade e bom gosto nos arranjos, convidando o ouvinte a sentar, relaxar e curtir um som. Não à toa muitos o consideram o J.J. Cale do 'stoner rock'. Gravado no lendário estúdio Rancho de la Luna, em seu deserto de Mojave natal, Local Angel - que traz na capa o trabalho do tatuador californiano Mr. Cartoon -, talvez seja a mais perfeita tradução dos sons do deserto, do vento arrastando poeira, da madeira estalando no fogo, dos pios e uivos dos predadores noturnos.

Responsável por todos os instrumentos - além das letras, arranjos e produção final -, Brant Bjork conseguiu uma harmonia e excelência do nível de Jalamanta, seu obra-prima até aqui e também fruto de seu multi-instrumentalismo. Belas canções como Beautiful Powers, que abre o disco, e Hippie, que entra em seguida, trazem marcantes linhas de baixo e uma suave guitarra criando um colchão sonoro agradável e relaxante. The Feelin' traz sua marca registrada: um início básico, com uma guitarra seca e vocais bem postados, para de repente, sem avisar, detonar um baixão de arrepiar, acompanhado de uma batida simples de bateria.

Brant paga tributo também a suas influências funqueiras, como em Bliss Ave, em que nos brinda com uma guitarra a la Meters; e ao roquenrol estradeiro, como em The Good Fight - talvez a melhor música do disco, ao lado de The Feelin'.

O tempo passa devagar com Local Angel. Quando chegam as duas faixas bônus - uma surpreendente versão de Hey Joe e a quase-vinheta acústica I Want You Around -, a miragem já se formou. Você, Brant e um punhado de amigos estão curtindo um som em algum lugar distante. A música rola sem firulas e hipnotiza como um mantra roqueiro. De repente, o disco acaba! E, antes que a miragem se desfaça, logo vem uma incontrolável vontade de apertar a tecla PLAY e começar tudo de novo…

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