Opas
Dando início aos Diálogos na Casinha, na quinta-feira 12 teremos
a presença de Stalker, bebemorando seu aniversário de 35 anos
e conversando com a gente. Deve começar às 19hs na Casinha
(Luminárias 243, em cima, Vila Madalena) e ser estrimado ao vivo
(confira http://aovivo.estudiolivre.org na hora). Todxs estão
convidadxs a apartar, interferir ou atrapalhar a conversa. É só
chegar. A conversa será documentada e publicada na rede.
2f
"Bom, como é meu aniversário, não vou dispensar encontrá-los e beber com
vocês... mas isso tem que ser uma CONVERSA, porque de improviso e
sozinho, nem Jesus fugiu da cruz!Vou juntar algumas anotações dispersas. Cogito (mas não sou) seguir mais
ou menos o seguinte percurso...1 Do conceito de máquina e das três classes de máquinas (energéticas,
cibernéticas e heurísticas)
3 Metáforas como máquinas heurísticas.
7 Máquinas e sociedade, forçando o diálogo da semiótica pragmaticista
(máquinas semióticas) com a teoria do ator-rede (Latour e seus amigos
dos Science Studies)
11 Máquinas como vetor da "instituição imaginária" da sociedade e a
inovação tecnocultural como ação política radical.Tá bom? Mas tem que rolar quebra-pau (preenchendo os números faltantes).
Para garantir, tou chamando o Rhatto para participar.Devereras, tou feliz!
Só tenho uma reivindicação: vcs precisam me por dentro de um ônibus para
BH até 23h59min!"
Nos últimos dois meses, eu tenho tentado reciclar minhas leituras. Acho que não cheguei a ler nenhum livro do começo ao fim - não sou disso não, mas deixei alguns de lado e renovei a pilha de sete ou oito livros que sempre me acompanha. Algumas anotações sobre eles:
1. Ponto de desequilíbrio - foi o que eu cheguei mais perto de ler até o fim, depois de ter desistido meia dúzia de vezes nos últimos anos. Tem lá seus méritos, mas fica muito preso em querer demonstrar tudo, e na real a essência dele é bem curta - mudança social (em sentido amplo) tem a mesma topologia de epidemias. Depende de uma série de fatores, relativos à "mensagem" circulada, a características específicas dos agentes (que o Gladwell classifica em três tipos básicos). Depois eu pego as anotações de últimas páginas e transcrevo aqui, mas a base dele é essa. Não li o Blink, livro novo dele, mas também não me interessa muito.
Minha opinião: Se tu ainda não leu, dá uma olhada nele. Mas não precisa ler palavra por palavra não, que o cara é bem redundante.
2. Fui ler a Cauda Longa mais por obrigação mesmo. Que alguém me corrija se eu estiver errado, porque passei os olhos muito por cima. Mas me pareceu que o cara teve uma sacada estrutural, quase estatística: cada vez mais, as configurações sociais (e entre elas os "mercados", que - quem lembra? - são conversações) vão ter mais espaço para pequenas formações de nicho, sem a pretensão de tornarem-se globais ou ubíquas. Muitos nichos, poucos blockbusters. E aí ecoa no canto o Christopher Locke - que me foi apresentado pelo hdhd - naquele esforço eterno de tentar entender por que os blogs são tão transformadores, apesar de tanta m3rd4. Mas sobre o Cauda Longa, achei um desperdício de papel pra explicar um barato que se esgota em cinco páginas. Se pans o cara queria ter livro publicado, daquele jeito, pra dar peso pra idéia que afinal é interessante. Mas senti que estava perdendo tempo com ele.
Minha opinião: Leia um resumo, não gaste dinheiro nem perca tempo lendo todo.
3. E finalmente consegui imprimir e ler, com grande ajuda da infraero e dos atrasos em aeroportos, o ensaio do Geert Lovink sobre weblogs: Blogging, the nihilist impulse. Muitas observações interessantes por ali, contextualizando todo o cenário da mídia atualmente, fornecendo alguns links bons de seguir e me dando mais termos pra esbanjar em reuniões animadas a cerveja para desorientar interlocutores. De mais profundo, a noção de que o cinismo em si não é uma crítica consistente, a se levar a sério o que se pensa e escreve. E mais algumas coisas que eu anotei lendo o artigo:
* leva a normalização e banmalização
* Vague media - a falta de direção não é falha, mas a própria essência
* Toda a rede é construída em torno da auto-referência
* Blogs - dentro ou fora da mídia de massa?
* Feedback channels
* To blog merely means to quickly point to news facts through a link and a few sentences...
* Impressions around a topic
* Limites fluidos entre blogosfera e midiasgfera
* Bloggers rarely add new facts to a news story
* As pessoas cada vez mais ignoram as "notícias"
* Extensão digital das tradições orais, transformação das notícias - de palestra a conversação
* Auto big brother
* Enlightenment by confession
* Truth has become an amateur project, not an absolute value
* Expressar a opinião não é só uma opção, mas uma obrigação, um impulso imediato para estar "lá fora com todo mundo"
* Seguindo Baudrillard, blogs são um presente para a humanidade de que ninguém precisa
* Não é mais possível viver a vida confortável de um "intelectual público" do século XX
* Bases instáveis - acabou o jogo pré-definido
* Paulo Virno diz que as pessoas primeiro vivenciam regras, com mais freqüência do que fatos, e muito antes do que eventos concretos
* O cinismo em si não é crítica consistente. Em vez de profundidade conceitual, tem-se associações abrangentes
* Comments vistos como nuvens de buzz
* Cynicism is "enlightened false consciousness" - Sloterdijk
* Justin Clemens - "Nihilism is not just another epoch amongst a succession of others: it is the finally accomplished form of a disaster that happened a long time ago"
* blogs are witnessing and documenting the diminishing power of mainstream media, but they have consciously not replaced its ideology with an alternative
* there is a sense that the Network is the alternative... blogging is a bleed-to-death strategy. Blogging is the opposite of the spectacle. It is flat (and yet meaningful).
* Gianni Vattimo argues that nihilism is not the absence of meaning but the beginning of new social paradigms, with blogging being one of them
* We no longe "believe" in Nothing as in 19th century Russia or post-war Paris. Nihilism is no longer a danger or problem, but the default postmodern condition.
* Justin Clements: "nihilism... is the finally accomplished form of a disaster that occurred long ago". In the media context this would be the moment in which mass media lost their claim on the Truth and could no longer operate as authority
* Karen Carr: the presence of nihilism evokes not terror but a yawn
* Blogs are primarily used as a tool to manage the self
* Andrew Keen: blogs do not arise from political movements or social concerns. They have an obsessive focus on the realization of the self
* O pesadelo de Sócrates: the flat noise of opinion
* Toda a rede é construída em torno da auto-referência
* Blogrolls (e links) supõem simpatia (Amazon, Google Pagerank, essas coisas). Crítica não é possível ("não vou linkar pra Veja" é subterfúgio)
* Communality of bias -> massa crítica só em swarm
* Erich Fromm - Fear of Freedom
* Realize a positive freedom that is based upon "the uniqueness and individuality of man"
* Direito de expressão deveria vir depois do espaço necesário pra pensar
Minha opinião: leia sim, mas tenha paciência
4. Surpreendente, do Steven Johnson. Dei uma folheada, li um pouco, parei. Tive de novo a impressão de que é um livro inteiro baseado em reafirmar repetidamente um só argumento, nesse caso de que a cultura pop e os videogames não são a gota d'água na decadência dos valores culturais, mas o contrário: exercícios para novas habilidades cognitivas. Acho que o livro bom dele foi o Emergência. mesmo, que eu li e recomendo. Por causa dele até baixei o starlogo e comprei o Morte e Vida de Grandes Cidades, que ainda não li mas pretendo antes do dia em que for viver em Ubatuba.
Também estão me esperando o Multidão, Reconhecimento de Padrões, As Veias Abertas da América Latina, o Magos, apresentado pelo Asimov, O Fogo Libertador do Pierre Levy, A Alma do Homem sob o Socialismo do Oscar Wilde e um monte de PDFs, pra épocas menos atarefadas. E agora olhando assim até uma vergonha de gastar tanto tempo lendo esses americanos todos.
Atualizando: É claro que sempre falta lembrar de algum... também estou lendo o Contracultura através dos tempos, cujo erro pode ser se pretender enciclopédico mas tá bem divertido, e esperando pra abrir o primeiro volume do Mil Platôs, que é daqueles de torcer feixes de neurônios. E ainda mais um me esperando é a Sociedade contra o Estado, do Pierre Clastres, indicação de Caminati.
Matéria interessante do IDGNow:
São Paulo - Usuário poderá acompanhar sua rede de contatos e trocar conteúdos dentro do browser
O laboratório da Fundação Mozilla está desenvolvendo um add-on que dará funções de rede social ao browser Firefox.
Com o aplicativo chamado The Coop, os usuários do Firefox poderão acompanhar as atividades de seus contatos online, além de compartilhar links e conteúdos de forma integrada a serviços web mais populares, usando seus feeds como mecanismos de transporte de informações.
Conforme explica a Fundação Mozilla, o The Coop exibe as fotos dos contatos do internauta na parte superior do browser. Clicando na imagem de um amigo, o usuário pode acessar a lista de fotos mais recentes atualizadas por ele no Flickr, seus vídeos favoritos no YouTube, websites selecionados, posts publicados em blogs, status atualizado no Facebook, entre outras atividades.
Nos últimos tempos, a lista de discussão da MetaReciclagem tem visto muita coisa acontecer. Fora uma impressão pessoal de que o volume de emails baixou e uma ou outra discussão fora-de-tópico que duram dias a fio e desencorajam outras pessoas a falar, fiquei muito feliz com algumas coisas que tem rolado por lá. Roberto Cury retornou, após um sumiço de um bom par de anos. Também voltou o Eduardo Fontanetti, depois de dois anos no Japão. Este perguntou o que tinha rolado, em resumo, e eu fiz um parágrafo gordão:
Cola aí que tem coisa boa acontecendo. Regis tem histórias
pra contar. Dalton também. Eu conto mais histórias do que
tenho, e o Bica sempre promete que vai contar mas não conta.
Tipuri vai e volta, Cury apareceu esses dias aí. Hernani ainda
me atrapalha quando eu tento falar. Fernando liquidSlave passou
dois meses na índia, um esporo de metareciclagem nasceu,
sumiu, reapareceu e hoje não sei como anda no IP, Lapa, Rio.
Tem um inglês chamado Vern fazendo metareciclagem na
Amazônia. Com nossa cumplicidade, o conceito de MetaReciclagem
foi apropriado, usado e abusado em programas de governo:
GESAC do Minicom, Pontos de Cultura do minC, casas Brasil
da casa Civil, Acessa São Paulo do Guberno do Estado, e
mais outros por aí. Sesc também promove oficinas de
MetaReciclagem e até um Laboratório de Mídias MetaRecicladas
(LaMiMe). Eu tô meio que largando a responsa de servidor e
sistemas e blogues e me dedicando mais ao Ciclo Gambiarra
e à rede internacional de Bricolabs.
Mas falta contar muita coisa aí. Gambiarra pode virar coisa bem interessante. E entrou na lista recentemente o Guilherme Maranhão, que parece ter um trampo legal com o seu Refotografia. Quero chamá-lo pro Ciclo Gambiarra. Outra coisa que me deixou feliz foi a Téia ir de mala e cuia pra Arraial d'Ajuda agitar as coisas com o Regis-Bailux. E também toda a movimentação do Estilingue, em BH, que tá com um processo bonito de formação - coletivo, auto-gerido, bem documentado. Galera no Espaço dos Sonhos, ali no Rio Pequeno, ganhou recentemente um prêmio de projeto wi-fi, e devem implantar em breve - Dalton foi buscar os equipos ontem, parece que tem muita coisa fina - além de a Thays ter tido a oportunidade de fazer um curso na EsLaRed, Escola Latino-americana de Redes, Venezuela. E o pessoal de Curitiba - organismos e além - têm agitado muita coisa interessante, incluindo aí o recente conSerto. Miguel Caetano continua mandando suas contribuições de além-mar. E mais um monte de coisas que eu esqueci ou ainda nem sei, porque estimular coletivamente uma cultura de auto-documentação aberta e online é um processo longo... Mas posso dizer que os rumos da MetaReciclagem têm me deixado bem satisfeito.
Pra acompanhar a lista, é só se cadastrar. Pra aquelas pessoas que não se misturam, também dá pra chupar idéias lendo os arquivos da lista no Gmane - que oferece até RSS.
Escrevendo sobre lições aprendidas com a MetaReciclagem:
If in the first actions we could think of MetaReciclagem as an effort dedicated to
providing infrastructure for people in need of it, time has shown us that the focus
was not exactly that. Often, the infrastructure we have provided lacked stability
and a qualitative concern with the content accessed by its users. The process
of developing MetaReciclagem as an open infrastructure, though, has proved
itself a very positive movement in the perspective of finding people with the
potential to make an innovative use of technology and empowering them providing
a pro-active network of experts in different areas, open and accessible tools to
communicate with that network, and a growing repository of useful knowledge
in those areas. Another perspective is that MetaReciclagem itself transformed,
from a group of people concerned with re-manufcturing computers, to an open
network dedicated to foster a different kind of sensibility for the relations
between people and technologies. This positioning, as an open and accessible
network, has brought us a number of other issues as well: how to keep the
innovation and the exchange running in a fluid organization, composed by
people with very different interests, backgrounds, skills and dreams. We're
still trying to figure that out.
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