Nos últimos tempos, a lista de discussão da MetaReciclagem tem visto muita coisa acontecer. Fora uma impressão pessoal de que o volume de emails baixou e uma ou outra discussão fora-de-tópico que duram dias a fio e desencorajam outras pessoas a falar, fiquei muito feliz com algumas coisas que tem rolado por lá. Roberto Cury retornou, após um sumiço de um bom par de anos. Também voltou o Eduardo Fontanetti, depois de dois anos no Japão. Este perguntou o que tinha rolado, em resumo, e eu fiz um parágrafo gordão:
Cola aí que tem coisa boa acontecendo. Regis tem histórias
pra contar. Dalton também. Eu conto mais histórias do que
tenho, e o Bica sempre promete que vai contar mas não conta.
Tipuri vai e volta, Cury apareceu esses dias aí. Hernani ainda
me atrapalha quando eu tento falar. Fernando liquidSlave passou
dois meses na índia, um esporo de metareciclagem nasceu,
sumiu, reapareceu e hoje não sei como anda no IP, Lapa, Rio.
Tem um inglês chamado Vern fazendo metareciclagem na
Amazônia. Com nossa cumplicidade, o conceito de MetaReciclagem
foi apropriado, usado e abusado em programas de governo:
GESAC do Minicom, Pontos de Cultura do minC, casas Brasil
da casa Civil, Acessa São Paulo do Guberno do Estado, e
mais outros por aí. Sesc também promove oficinas de
MetaReciclagem e até um Laboratório de Mídias MetaRecicladas
(LaMiMe). Eu tô meio que largando a responsa de servidor e
sistemas e blogues e me dedicando mais ao Ciclo Gambiarra
e à rede internacional de Bricolabs.
Mas falta contar muita coisa aí. Gambiarra pode virar coisa bem interessante. E entrou na lista recentemente o Guilherme Maranhão, que parece ter um trampo legal com o seu Refotografia. Quero chamá-lo pro Ciclo Gambiarra. Outra coisa que me deixou feliz foi a Téia ir de mala e cuia pra Arraial d'Ajuda agitar as coisas com o Regis-Bailux. E também toda a movimentação do Estilingue, em BH, que tá com um processo bonito de formação - coletivo, auto-gerido, bem documentado. Galera no Espaço dos Sonhos, ali no Rio Pequeno, ganhou recentemente um prêmio de projeto wi-fi, e devem implantar em breve - Dalton foi buscar os equipos ontem, parece que tem muita coisa fina - além de a Thays ter tido a oportunidade de fazer um curso na EsLaRed, Escola Latino-americana de Redes, Venezuela. E o pessoal de Curitiba - organismos e além - têm agitado muita coisa interessante, incluindo aí o recente conSerto. Miguel Caetano continua mandando suas contribuições de além-mar. E mais um monte de coisas que eu esqueci ou ainda nem sei, porque estimular coletivamente uma cultura de auto-documentação aberta e online é um processo longo... Mas posso dizer que os rumos da MetaReciclagem têm me deixado bem satisfeito.
Pra acompanhar a lista, é só se cadastrar. Pra aquelas pessoas que não se misturam, também dá pra chupar idéias lendo os arquivos da lista no Gmane - que oferece até RSS.
Escrevendo sobre lições aprendidas com a MetaReciclagem:
If in the first actions we could think of MetaReciclagem as an effort dedicated to
providing infrastructure for people in need of it, time has shown us that the focus
was not exactly that. Often, the infrastructure we have provided lacked stability
and a qualitative concern with the content accessed by its users. The process
of developing MetaReciclagem as an open infrastructure, though, has proved
itself a very positive movement in the perspective of finding people with the
potential to make an innovative use of technology and empowering them providing
a pro-active network of experts in different areas, open and accessible tools to
communicate with that network, and a growing repository of useful knowledge
in those areas. Another perspective is that MetaReciclagem itself transformed,
from a group of people concerned with re-manufcturing computers, to an open
network dedicated to foster a different kind of sensibility for the relations
between people and technologies. This positioning, as an open and accessible
network, has brought us a number of other issues as well: how to keep the
innovation and the exchange running in a fluid organization, composed by
people with very different interests, backgrounds, skills and dreams. We're
still trying to figure that out.
Cheguei no Teatro Gregório de Matos, em frente à praça Castro Alves, Salvador, ontem pelas 15h. Hoje às 16h já estava lá na Praça da Sé esperando um mini-executivo que não viria por conta das celebrações do aniversário da cidade. Morri trinta num taxi até o aeroporto. Pusta cidade comprida aquela. No total, pouco mais de um dia em Salvador. Algum engraçadinho comparou minha presença à visita do Bush a sampa, antes de eu sair.

Upgrade foi totalmente focado em questões do DesCentro. Conversei com muita gente, sobre o pub, cadernos submidiáticos, processos de decisão, papel dos conselhos, validade do estatuto semi-poético, que foi inclusive cantado ontem à noite. TV digital, pesquisa d econtexto e espaços compartilhados entraram na salada. Encontrei o incrível homem que foi de bicicleta a Salvador, e finalmente conheci Kruno e Tanja. Também por lá Sapo, 9s, Drica, Lelex e mais um monte que não lembro ou não tem link. Agradecimento especial à família Balbino-Tininha-Akim que me acolheu em sua casa.

Log gastro-etílico: Feijoada vegetariana, pimenta baiana, falafel. Sushi no posto. Cervejas geladas. Não necessariamente nessa ordem.

Log Infraero: a ida atrasou uma hora. A volta não ia atrasar mas atrasou, e ainda ficamos uns 40 minutos taxeando em Sampa porque tinha muito tráfego aéreo.
Na chegada ainda comprei um livrinho "contracultura e sei lá o quê", do R. U. Sirius, que pode até ser meio bobo mas vai me ajudar numa palestra daqui a duas semanas.
Vou amanhã de manhã para Salvador, participar do Upgrade. Através de um edital do MinC, o DesCentro conseguiu passagens pra levar um monte de gente interessante pro festival. Já chego no meio, porque o teto do meu quarto estava pra cair e fiquei na funça de refazê-lo.
mar 26-29: teatro gregório de mattos
).(
Upgrade!Salvador - des).(encontroprogram-ação:
* As atuais pesquisas em desenvolvimento pelo grupo: Duas pesquisas norteiam o trabalho do Descentro neste ano: uma pesquisa em que apresenta o contexto brasileiro de produção de mídia, com uma interface web interativa; e a outra, uma metapesquisa, que busca entender como é o funcionamento das redes brasileiras de comunicação e cultura. Durante este painel, todxs serão encorajados a tomar parte nas pesquisas debatendo sobre seu atual estágio e buscando a sua finalização.
* Apresentação e desenvolvimento da plataforma web de trabalho compartilhado em pesquisa: pub.descentro.org. Tal ferramenta é construída baseada no software livre Drupal, e pretende, com uma série de funcionalidades, ser o arquivo das atividades e pesquisas desenvolvidas por vários grupos que compõe a rede.
* Debate sobre os atuais quadros da Cultura Digital, Mídia Tática e apropriação tecno-científica no país, os programas de Inclusão Digital governamentais, ou não, assim como o futuro de tais iniciativas.
* Preparação de documento sobre as metas alcançadas durante o festival e debate com o público sobre as impressões gerais e conclusões dos debates e pesquisas.Participantes:
Glerm e Lúcio (Organismo.br/ MATEMA)
Felipe Fonseca (Metareciclagem)
Pajeh (Radiolivre.org)
Gabriel Furtado (Media Sana)
Ricardo e Tati (midiatatica.org)
Magaly Pazello (g2g)
Felipe Machado e Moabe (Originais do sample e cia.)
Daniel Pádua (Imaginante)
Drica (g2g)
Alexandre Freire e Cris Scabello (Estúdio Livre)
Thiago Novaes (ativista e político público)
Balbino, Tininha e Hakin (Upgrade!Salvador/ matutai)
Goa (Birosca)
Lixeira (Cultura Digital/ tech local)
Entre várias discussões interessantes, projetos colaborativos, MetaRec, jornalismo cidadão, OLPC, aprendizado distribuído, autonomia e muito mais, um dos papos recorrentes no BarcampSP: business, *monetização* de blogs, business, start-ups, business. Se de certa maneira foi uma espécie de *desvio* do conceito primeiro dos Barcamps – colaboração --, talvez tenha sido sintomático que isso tenha ocorrido em Sampa: afinal de contas, é a cidade que vive de negócios, respira-se negócios. Talvez eu devesse escrever sobre o primeiro grupo de temas, mas vou dar prosseguimento a um papo que comecei com o Avório e com meu irmão: vem por aí uma nova bolha?

Explico: mania crescente e, diria, exponencial é a dos auto-denominados *probloggers*, blogueiros que *monetizam* ao máximo seus blogs a fim de viver exclusivamente disso. Ou seja: ganhar dinheiro, o máximo possível, a partir do Adsense, de links patrocinados, do Mercado Livre, do Buscapé e quetais. Ok, cada um faz o que quiser com seu blog, mas o que se vê por aí são blogs em que mal se distingue o conteúdo *editorial* (se é que se pode chamar assim) do publicitário. Aliás, o próprio conteúdo editorial desses blogs é feito na medida visando amplificar o resultado nos SEOs da vida: palavras-chave cuidadosamente escolhidas, nomes de celebridades da hora e por aí vai...
Tá tudo muito bem, tá tudo muito bom, mas... até onde isso pode ir? Pode-se argumentar a partir da potencial infinitude da web, da própria auto-regulamentação que se cria naturalmente nessa ecologia digital, mas aí mesmo é que tá o ponto crucial. Essa moçadinha que quer virar um Interney do dia pra noite não pensa e nem considera conceitos como reputação, meritocracia, compartilhamento de conhecimento: o negócio é ver única e exclusivamente cifrões em qualquer lugar, e como-fazer-dinheiro-com-isso. Pensamento típico do século 20, não percebem que esse canibalismo capitalista está falido, ainda não chegaram ao século 21. Ok, vão ganhar algum dinheirinho, mas acabarão aprendendo do jeito mais difícil.
De minha parte, e graças a Deus não estou só, fico com o que o Mr. Manson chamou de *internet moleque*: blogo porque quero, porque sim, quando quero, e acabou. Se vier alguma grana (como já veio um pouquinho), é consequência natural. Mas o princípio é compartilhar conhecimento à vontade, usar o blog como um grande bookmark e um espaço livre pra conversas, como um grande boteco.
Aí vem o André *embaixador-do-Barcamp* Avório e me manda o link desse artigo: The revolution will not be advertised, comentando o GWEI – Google Will Eat Itself, idéia bacana duns gringos que quer simplesmente aproveitar a auto-canibalização do Google pra depois redistribuir suas *cotas* pros usuários do GTTP Ltd. -- Google To The People Public Company. Simplesmente genial!
Pelo menos me senti mais aliviado, e constato que ainda não tô paranóico. Ou, se é nóia minha, não tô sozinho nessa... WTF?
Só cheguei no meio da tarde por tarefas inadiáveis. Espaço Gafanhoto é interessante, mas mesmo assim menos personalidade do que eu havia imaginado. Não cheguei a ir lá atrás, mas nem sei se podia, de qualquer forma. Logo de cara, já encontrei China, Bica, Tamanaha Hernani mais um pessoal cujas URLs não lembro
Invadi a conversa sobre gentenomia barcâmpica, que era tocada pelo Avorio e pelo Spyer. Atrapalhei um pouco o baile, fiz as conversas voltarem, mas saí logo porque o ar condicionado estava forte e eu tinha uma conversa sobre MetaReciclagem pra participar.
Um pouco arranhado no começo, até anunciei meu internet tablet usado pra vender, mas o papo engatou legal. Falamos sobre a história da MetaReciclagem, Metá:Fora, MTB, Livro Verde, Livro Azul, Livro Invisível, MST, Prestes Maia, esporos, Bailux, Bricolabs, Ciclo Gambiarra e outras coisas.
Conheci o Cipriano e achei que fosse o irmão dele, troquei idéia com mais algumas pessoas e me despedi da galera, não sem ser convocado a ajudar no drupal do barcamp. Ajudo, sim, daqui a um tempo.
Participei de maneira dispersiva de alguns dos painéis do primeiro dia do Barcamp Sampa. Algumas anotações abaixo.
Web 2.0 no Brasil
Bastante gente, roda de apresentações, discussão um pouco dispersa. Pouca coisa nova. Questões sobre investimentos, angels, BPs. Bolha bolha bolha. Fui bonzinho e falei pouco.
Aprendizagem informal
Finalmente conheci Luiz Algarra. Aprendizado distribuído, projeto Metá:Fora, autonomia. KM. Mongoose e os 12 princípios da colaboração. Sentido de comunidade. Pessoas viciadas na imagem do chefe. Empresa como comunidade de pessoas. Nem toda empresa serve para a colaboração.
OLPC
Serginho Amadeu, Hernani, Sergio F. Lima. Contexto de teorias alternativas à educação tradicional como base de uma nova tecnologia, não o contrário. MetaReciclagem. O X-O não é isso tudo, mas é bem interessante. Talvez o grande problema seja chamarem ele de laptop. Não é. É um pequeno dispositivo de comunicação entre pessoas. Pode virar um apoio a processos colaborativos de aprendizado. Questão recorrente: existe uma metodologia de uso do X-O? Minha opinião: não, e nem adiantaria muito. Talvez o movimento inverso: comunidade online de troca de planos e atividades entre professorxs de todo o Brasil. Dar visibilidade, promover troca com base em licenças livres, premiar as melhores idéias. Difícil, de qualquer forma - se o professor não puder considerar aquilo como trabalho, não vai parar nas horas vagar pra preparar aulas. Sergio F. Lima trouxe a imagem de "sala dos professores" online. Interessante. Orkut e MSN, redes sociais. Software livre. Usabilidade.
Circulando
Papo Drupal virou papo site do barcamp. Fabiano pediu sugestões pro Drupal, China comentou algumas coisas. Se esboçou mas não tomou corpo um papo sobre Xemelê, jabber, XMPP. Ainda entrei e saí de outras conversas. Fiquei sabendo que teve papo sobre startups e sobre publicidade online, mas não acompanhei.
Amanhã é no Espaço Gafanhoto (não achei a URL). Vou propor um papo sobre MetaReciclagem, apropriação tecnológica e Bricolabs.
Cheguei no Barcamp no meio da abertura. Avorio explicou a metodologia de desconferência, como iam funcionar as coisas, e fez um levantamento inicial de temas. Depois todo mundo saiu para o mural-grade para planejar a ocupação das salas em cada horário. Já ali, reencontrei um monte de gente que não via há algum tempo, como o Bica, o China, Sérgio Amadeu (com um X-O). Também acabei por conhecer algumas pessoas sobre as quais só tinha lido até então. Acompanhei algumas das conversas com a minha atenção habitual, chegando, falando um monte e depois circulando mais. À tarde, apareceu o Hernani. Fiquei até o fim da tarde e voltei pra casa pra descansar um pouco, que semana passada foi correria.
Replicando:
O que é?
Reunir gente interessada em internet e tecnologia, disposta a trocar experiências, colaborar - esse é o objetivo do BarCamp. O evento é organizado informalmente, enquanto acontece, sem ter uma programação fechada ou palestrantes definidos: são os próprios participantes que decidem a grade de discussões no começo de cada dia. Entre os temas mais recorrentes, estão comunicação participativa, gestão de conteúdo, software livre, plataformas online de colaboração e Web 2.0.
Onde?* Sábado 24/03: Faculdade Cásper Líbero (Avenida Paulista, 900, 3o andar)
* Domingo 25/03: ainda em discussão entre a comunidade
As inscrições para o primeiro BarCamp em São Paulo já estão abertas. Temos capacidade para, a priori, 200 pessoas e independente do número de participantes atingir ou não esse limite, o processo de inscrições será encerrado no próximo dia 18 - portanto, não deixe para correr riscos de última hora.
Acesse a página do evento e preencha o formulário na parte inferior - o documento de identidade ou CPF está sendo pedido porque, por determinação da Cásper Líbero (local onde nos encontraremos somente no primeiro dia do evento), esses dados serão checados na portaria pela equipe de segurança do prédio. Então, não deixe de informá-los corretamente e lembre-se de levar o documento consigo.
Curso sobre Redes Sociais e Inteligência Coletiva - A partir do dia 07, o Prof. Rogério da Costa estará oferecendo um curso em parceria com o Espaço B_ARCO VIRGÍLIO sobre Redes Sociais e Inteligência Coletiva: afeto, potência e Multidão. Trata-se de uma iniciativa que visa fomentar um espaço de discussão sobre um tema que mobiliza uma série de profissionais e pesquisadores envolvidos com projetos e iniciativas de caráter social, cultural, político e artístico.
Dias/Horários: quartas-feiras, das 20h30 às 22h30
Valor Mensal: R$ 200,00
Eu me acostumei com o ritmo da revolução não televisionada. Uma revolução no agenciamento nas relações entre pessoas. Essa idéia está migrando. Atualmente, o discurso corporativo incorpora valores que estão sendo difundidos na contracultura. As empresas pensam nos blogs como ferramentas de marketing. Isso é muito louco! Comunidades diferentes emergem. E outras submergem.
Uma sociedade em rede convive como o assincronismo. Não se vive as mesmas complexidades. Nos mesmos momentos. Enquanto alguém descobre que blogar é legal. Outro já não aguenta mais rascunhar seus cadernos digitais. No entanto, blogar é conversar. Isso tem um significado importante num espaço onde colaborar é o diferencial.
Blog é uma forma de expressão que cada um faz do jeito que quiser, no momento que quiser, no tempo que quiser. Blog é apenas uma ferramenta. Está na hora de relembrar a multidão: 'Internet não tem a ver com computadores. Tem a ver com pessoas'.
Paulo Freire dizia 'seguir-me é não me seguir; é reinventar-me.' Essa é a essência da cultura do remix. Estamos nos reinventando diariamente através das nossas próprias vozes. Utilizar um blog para a publicação dessas vozes é apenas mais uma maneira de expandir o conhecimento. Falar é barato. E o silêncio é fatal.
Falar em revolução, agora, tá fácil! Mas não se ouvia as vozes institucionais chamando os pinguins de amigos, blogs de ferramentas de marketing, nem mesmo de catalisadores da inteligência coletiva. Bem, na verdade, os hackers estabelecem um relacionamento verdadeiro com o movimento de transformação social.
A descentralização do poder da informação provocado pelas pessoas que utilizam os blogs é o fenômeno que tentamos discutir. Não estamos falando que é uma onda global. Mas temos que convir que tem muito mais gente dando o tom das palavras do que num passado remoto. E muito mais gente dando seus pitacos e revolucionando o modo de produção. Estamos experimentando a desfragmentalização dos mercados e da comunicação de massa. A Web 2.0 se rende ao poder dos mercados interconectados.
Guima, relatando suas atividades no PEFI, mandou o link de um artigo no CMI: Hardware Livre. O artigo foi publicado em 2003, e parece ser uma tradução, mas não tem crédito. Apesar de algumas coisas meio datadas, levanta uma discussão interessante. Vou dar uma olhada no OpenCores. Nos comentários, mais uma boa referência: Ronja
Terminei a edição do primeiro Caderno Submidiático, que cobre o primeiro painel - "Teoria, cadê?" na primeira conferência Submidialogia, que rolou em Campinas no fim de 2005. Cola lá pra baixar.
Há mais ou menos um ano e meio, nas preparações pra primeira submidialogia, Pedro Ferreira mandou na lista de discussão a sintese de um texto de Alfred Gell chamado "Technology and Magic". Descolei o PDF e guardei-o no meu lotado diretório de textos Palê. Tentei ler algumas vezes, mas o texto em duas colunas é ruim de ler na tela. Foi só semana passada que consegui imprimir, na Casinha - que vai ser um post à parte outro dia por aqui.
A visão de Gell sobre tecnologia se aproxima bastante da perspectiva que eu tentei esboçar em umas apresentações que eu fiz ultimamente - a tecnologia vista de modo amplo, como sistemas que transformam um dado contexto. Gell sugere que a tecnologia envolve três esferas: as tecnologias de produção - o que geralmente é chamado de tecnologia; as tecnologias de reprodução (da própria sociedade e dos laços sociais), e as tecnologias de encantamento. Nessa última categoria ficariam as danças, a música, a arte, e outras responsáveis pela "manipulação das paixões humanas" como o desejo, o terror, vaidade e outras.
Mais adiante no texto, ele trata de magia. A síntese do Pedro (não sei se ele publicou em algum lugar) explica bem:
Na segunda parte do texto, dedicada à magia, Gell apresenta o feitiço como um "plano cognitivo" para a ação, e a magia como um fluxo contínuo de comentários sobre as ações técnicas que as divide, enquadra, define, guia, internaliza e exercita. Como numa brincadeira de criança, a magia vai além do real rumo ao ideal da ação e está ligada ao processo de inovação. Segundo Gell, o "papel cognitivo das idéias mágicas" é criar um "campo de orientação às atividades técnicas", sendo a inovação técnica o resultado não da satisfação de "necessidades" mas sim da realização de ideais técnicos até então considerados mágicos. Através de três exemplos etnográficos, Gell mostra que a magia é uma "tecnologia ideal" que parte da tecnologia real mas a supera indicando o caminho de sua evolução: "é a tecnologia que sustenta a magia, mesmo quando a magia inspira novos esforços técnicos".
A objetividade do texto me incomoda um pouco por conta da dissecação da "magia" como mero comentário. Mas esse é um incômodo da fé, não da razão. Ao colocar um papel quase utilitário na magia, o de definir padrões ideais posteriormente seguidos pela técnica, eu sinto uma certa perda do próprio significado da magia. Não que eu não concorde, mas me dá mais satisfação pessoal ignorar essa limitação de alcance, como um Sidarta decidindo por uma incursão pelo Samsara não como rejeição à iluminação, mas como busca por conhecimento. Prefiro a liberdade de escolher no que acredito. E tem outro lado - a magia também se presta, por outros caminhos, à formação de identidades, a estabeler laços sociais diferenciados.
De qualquer forma, a Wanderlynne me contou que esse texto é uma das referências básicas para chegar à compreensão que pode me levar um dia a ser aceito como aprendiz nos Círculos de Tecnomagia. Sigo aqui na minha busca.
Imagem de sylvar encontrada no Flickr com licença Creative Commons.