Melhores do Mundo

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Categoria: Outras

Fev 26

EETFUKDOTCOM #2

Well, well, depois de um inicio simples e rápido sobre o iPhone, decidi escrever a segunda matéria sobre um dos meus hobbies, o podcast.
Muita gente ouviu falar, muita gente diz que escuta, muita gente fala que gosta, muita gente diz que tem um. Mas afinal, que diabos é isso?
Pois é, amigos e amigas, podcast é um mashup (fusão, união, lembra do Gohan e do Trunks?) de duas tecnologias atuais: o RSS e o MP3.
MP3 todo mundo já ouviu falar né ? Nem vou perder nosso tempo e aumentar o scroll dessa página explicando.
Já o RSS, que é o acrônimo para REAL SIMPLE SINDICATION, é nada mais nada menos que uma tecnologia pra distribuir um conteúdo. Algo como "assinar" um tipo de conteúdo e recebe-lo assim que ele for atualizado.

"Calma calma calma... o que você tá tentando me dizer é que Podcast é tipo uma mp3 que eu assino?"

Sim, e existem diversos tipos de podcasts... noticias, músicas, entrevistas, shows... é uma farra.

"Mas esse tal de podcast não é coisa de rico? Digo, preciso daquele iPod pra ouvir um podcast ?"

Ótima pergunta! Muita gente já estava perguntando isso nos comentários e eu resolvi responde-la aqui no próprio artigo.
A resposta é.... NÃO! Você não precisa de um iPod para ouvir um podcast. Apesar do nome fazer referência ao famoso player da Apple, qualquer player existente pode tocar podcasts, desde que suporte os formatos de audio utilizados em podcasts, ou seja, mp3 em sua maioria e, em alguns casos m4a.
Algumas pessoas até usam outros nomes para podcasts, como webcasts, para evitar essa relação.

"Mas peraí, você me disse que tem um podcast né ? Como é o seu ? "

Bem, o meu podcast se chama QUEM PODE PODA, é um podcast de música e totalmente despretensioso. Nele eu coloco coisas que eu gosto de ouvir ou que eu acho divertidas. E além disso falo um bando de besteiras entre estas músicas. Quase como um programa de rádio.

"E você assina algum outro podcast ?"

Sim! Assino podcasts do Séries e Etc da Globo.com, que fala sempre sobre Lost, Heroes e outras séries que eu vejo na TV, assino o podcast do Jamari França, um colunista de música do O Globo e também um da Gamespot, sobre jogos.
Além dos podcasts, existem os videopodcasts que seguem o mesmo princípio porém distribuem vídeos. O que eu assino da Gamespot é neste formato.
Existem hoje, na Internet, sites que listam podcasts, separam por assunto, idioma e muito mais, é o caso do http://www.podcast.com que acredito que seja o maior diretório de podcasts que existe, e também do http://www.alternativa-b.com/ que lista muitos dos nacionais.

"Gostei desse troço aí, como eu faço pra assinar um podcast ? E quanto eu pago por isso?"

Mais legal do que não pagar nada por isso, é o fato de ser de graça ! É isso mesmo, totalmente "de gratis".
Você só precisa de um programa que vai baixar estes arquivos e o FEED, que é o endereço do Podcast. Pronto.
Se você é do tipo moderninho que tem um iPod, com certeza você usa o iTunes. Pois o misto de player, organizador e loja de música da Apple é perfeito para os podcasts.

Digamos que você tenha um desejo mórbido de assinar o meu podcast, Quem Pode Poda. O feed dele é http://feeds.feedburner.com/quempodepoda . Com este endereço, basta ir no seu iTunes, menu Advanced e clicar em SUBSCRIBE TO PODCAST. Na janela que vai abrir você cola o endereço do feed e pronto.

Automaticamente vai aparecer o Quem Pode Poda no seu iTunes e o dito cujo já irá baixar o episódio mais atual.

"Puxa Jota, seu podcast é sensacional. Como faço para ouvir os episódios que perdi ?"

Moleza, clicando na setinha que antecede o nome do podcast no seu iTunes você pode ver todos os episódios disponíveis para download. No Quem Pode Poda eu disponibilizo todos desde o primeiro, porém outros podcasts podem disponibilizar apenas os mais recentes. Cada um pode escolher de uma maneira.

No próprio iTunes você também encontra um belo diretório de podcasts, muito organizado e fácil. Basta clicar em podcasts directory que fica no canto inferior direito da área de podcasts.

Pra galera do melhoresdomundo, destaco alguns podcasts que devem interessar a galera:

Marvel Podcasts (inglês) - http://www.marvel.com/rss/podcasts.xml
Fanboy Radio (inglês) - http://fanboyradio.libsyn.com/rss
Around Comics (inglês) - http://aroundcomics.libsyn.com/rss

E aqui estão as referencias dos podcasts que eu assino:

Series e Etc -
http://podcastmp3.globo.com/entretenimento/series/rss.xml
Jamari França (música) -
http://oglobo.globo.com/podcasting/arquivos/jamari.xml
On The Spot (videogames) -
http://www.gamespot.com/misc/podcast/onthespot.xml

Caso você queira uma alternativa ao iTunes, também recomendo o Juice ( http://juicereceiver.sourceforge.net/index.php).

Espero que gostem dos podcasts e espero que tenham gostado da dica também.

Duvidas, comentários e sugestões sobre esta coluna ou sobre este post são sempre bem vindos.

Melhores do Mundo Email • 22:32:32 • Colunas, OutrasPermalink 1 comentário
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Fev 14

Da janela do quarto dos fundos #4

BLACKSAD - Nação Ártica

Sabe quando uma história em quadrinhos, caracterizada por juntar diversas linguagens artísticas em um só meio, consegue ser irregular em sua concepção, com texto excelente e arte nem tanto? Já percebeu que em geral é mais fácil perdoar um lance mal desenhado (claro que sem chegar ao nível do Rob Liefeld e do Jim Lee, não exageremos, por favor) do que um texto mal escrito?

É exatamente nesse meandro que se perde a Graphic Novel Blacksad, dos espanhóis Juan Díaz Canales e Juanjo Guarnido. A qualidade dos desenhos -- do traço à arte-final, sem esquecer a noção de movimento, o tratamento das cores, as anatomias perfeitas (lembre-se, o cara fez uma junção de animais com seres humanos, e isso, na mão de alguém menos habilidoso, poderia muito bem resvalar para o ridículo) -- do cara é supimpa, o que só piora tudo, pois cria uma expectativa que o texto não sustenta, pelo menos não no número que li (aqui na minha cidade, a de setembro/outubro tinha acabado de chegar... em dezembro, a de novembro/dezembro, falamos depois, pois ainda não li) para fazer esta resenha. Vamos à história.

Usando o recurso de fábula, o hermano dá voz e sentimentos humanos a uma fauna bastante diversificada. E esta exagera tanto em mimetizar a existência humana que arruma um jeito esquisitíssimo de ser racista. A saber, bichos de toda espécie se unem em torno de um ideal racista (e especificamente humano) baseado na cor dos pêlos, penas, plumagem etc da bicharada branca, defensora de uma tal Nação Ártica, que tem por símbolo um floco de neve, usado em faixas afixadas nos braços direitos, por sobre o uniforme. Além disso, há uma subtrama em que o detetive gato preto investiga o seqüestro de uma filhote de pelagem também preta.

Para muito além do clichê mais do que óbvio da analogia com o nazismo, a boa tentativa advém exatamente do fato de os bichos serem de tudo quanto é espécie: eqüinos, caprinos, aves, ursos, roedores, gatos, cachorros. Mas isso se torna também o ponto fraco da história, pois se resume à redução simplista e bem humana do contraste entre o branco/puro, limpo com o negro/degradado, sujo. Se isso fosse melhor explorado – por exemplo, os tigres começarem a achar que os caprinos todos tinham a obrigação de ser escravos, por serem mais fracos, ou os ursos trancafiarem todas as gatas em colônias sexuais (como o Japão fez com a Coréia no início do século XX) etc etc -- o plot poderia render ótimos momentos e discussões pesadas sobre eugenia, limpeza étnica, valores morais, clonagem e o diabo a quatro, porém tudo se resume à cor dos seres, o que mata a fabulação e reduz as idéias a um grau por demais comum. Além disso, o texto se perde em tensões que não evoluem, em boas idéias que não se realizam, há uma tentativa de aumento gradativo na tensão que não chega a lugar nenhum, o ritmo é modorrento, os diálogos são bastante fracos.

A sacanagem gigantesca é que a arte é primorosa, rapaz! Preste atenção às seqüências de combate, com tanto movimento, lembra os melhores momentos das HQs clássicas do Demolidor e do Homem Aranha na época do formatinho -- década de 1980 --, quando o cabra tinha que ser bom mesmo de braço pra fazer ficar verossímeis os socos e pontapés certeiros de ambos.

O detetive gato preto é hábil com os punhos, ágil e durão na medida certa, só que à certa altura – de novo, por culpa do texto – vem aquela sensação de “então tá, então”.
O que resta agora é esperar que a Panini não interrompa a circulação da publicação, creditada como bimestral, pois entre erros e acertos, eu pago numa boa os R$ 13,90 só pra ter aqueles desenhos.

Rodivaldo Ribeiro é radialista, jornalista e escritor.

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Jan 16

EETFUKDOTCOM #1

Photobucket - Video and Image Hosting

10 Razões pelo qual o iPhone revoluciona:

1. Meu iPod, Meu Celular e Internet Wi-Fi decente num só gadget.
2. Tela sensível ao toque bastante inteligente.
3. Sensor de presença que diminui o volume da música quando você aproxima o iPhone do ouvido.
4. Sensor que redimensiona a tela e suas fotos quando você muda o sentido do iPhone de retrato para paisagem e vice-versa.
5. Sensor de luminosidade que diminui a intensidade de brilho da tela em locais claros para economizar energia
6. Roda OS X, o melhor sistema operacional atual.
7. 4GB ou 8GB de espaço.
8. Google Maps integrado.
9. iPod com coverflow integrado
10. Browser completo, nada de páginas wap ou mini-browsers.

Photobucket - Video and Image Hosting

10 Razões pelo qual o iPhone decepciona:

1. Roubaram meu iPhone. Tchau iPod, tchau celular...
2. Mais trocentas pessoas paranóicas com arranhões na tela de seus iPhones.
3. Browser do iPhone é o Safari
4. 4Gb por US$499 e 8Gb por US$599
5. Câmera de só 2.0 Mp
6. Cadê meu headphone Bluetooth?
7. Porque não posso enviar músicas por Wi-fi ?
8. Disponível nos EUA em Junho, Europa em 2008, Brasil em... hein?
9. Bateria de pouca duração.
10. Obrigação contratual de 2 anos com a Cingular (no caso dos EUA).

Prazer, meu nome é João Paulo Lages. Sou arquiteto funcional na Globo.com, locutor e editor chefe do podcast de música Quem Pode Poda e agora, colunista de tecnologia do MDM.

Não vim aqui para relatar a história. Vim para dar a minha opinião sobre ela.

Melhores do Mundo Email • 21:56:29 • Colunas, OutrasPermalink Deixe seu comentário
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Nov 9

Da janela do quarto dos fundos #3

Saudações a todos.
Por motivos de férias e força maior – a natural indisposição pra qualquer coisa que não seja ficar deitado, lendo, bebendo ou simplesmente dormindo que advém dessa condição – fizeram-me atrasar a periodicidade da coluna em quase duas semanas e meia. Porém, para o desgosto de alguns, cá estou
novamente. Aproveito para dizer aos interessados que decidimos que o melhor é manter a coluna quinzenal. Logo, vamos ao que interessa.

Digressões sobre O Senhor das Armas

Filme escrito e dirigido por Andrew Niccol, O Senhor das Armas deixa antever já de cara, em uma nauseante, criativa e brilhante sequência, que algo muito errado está acontecendo com o país que se orgulha de ser o portador da Boa Nova nesta Terra, guardião do Martelo de Deus que deve levar civilização, democracia, prosperidade e paz aos povos de vida anímica, aos gentios sanguinários e bárbaros, opostos dos povos democratas e livres que habitam a Europa e, principalmente, os Estados Unidos da América.

O ato de sentir pena do outro traz intrínseco em si a crença em uma superioridade moral, intelectual e até mesmo espiritual sobre o receptor desse sentimento (não concorda? Então vá contestar Kant, Freud e Stevenson, pra citar só alguns). Por esse viés, é bem mais fácil tentar compreender o filme.

Em uma interpretação acima da média, Nicholas Cage dá vida ao personagem Yuri Orlov, imigrante russo que notabiliza-se desde o começo por uma existência dupla – ele e sua família se fazem passar por judeus para conseguir emigrar para os EUA – e um individualismo bem ao gosto anglo-saxão. A pergunta que ele se faz logo nos minutos iniciais do filme sai da boca da maioria absoluta dos líderes norte-americanos há pelo menos 3 décadas. Sendo um pouco mais radical, desde o fim da Segunda Guerra, quando os Estados Unidos emergiram como um império que hoje em dia exibe contornos de feições espartanas (um Estado dependente economicamente de conflitos bélicos, com sua indústria de armas pronta a alimentar e incentivar guerras. Após o 11 de Setembro, essa concepção só fez se aprofundar, já que depois dos ataques o estado de guerra é constante e, ao que parece, inescapável. Primeiro, o perigo morava no Afeganistão, agora vive no Irã, na Coréia do Norte, no vizinho não-branco nem protestante de pele, cabelos e olhos escuros).

O chato de tudo isso é que o personagem principal de Cage é um anti-herói muitíssimo carismático, já que exibe uma sinceridade difícil de se encontrar nos dias que correm. Ora, se Yuri Orlov é um escroque, o é simplesmente fazendo parte do jogo, enganando acima de tudo governos, aproveitando-se de oportunidades legítimas abertas pelos furos das legislações de cada país consumidor. Sem esquecer, é claro, que mostra-se peça importante no tabuleiro de interesses norte-americanos e gera, no ato, a desgraça do país, pois arma até mesmo os inimigos do império, fazendo fortuna, no fim das contas, com algo que, querendo ou não, é necessário para que o mundo funcione. Transforma-se, assim, em uma espécie de herói anarquista, a contribuir para a “derrocada do sistema injusto em que vivemos”, certo?

Errado. E muito errado. As instituições e legislações internacionais de (tentativa de) controle são um meio efetivo de interposição da livre circulação de armas mundo afora. Ser ou não a favor do direito de andar armado nada tem a ver com isso, e o fato é que traficantes de armamentos têm um peso no número de mortes violentas ao redor do planeta que não dá pra ser ignorado, pois sistematiza e torna possível genocídios e assassinatos em massa (ver Eritréia, Ruanda, Etiópia, Sudão, Angola, Colômbia e o próprio Brasil). Além disso, tudo que o “sistema injusto” não faz é se ressentir dessa nova espécie de fomentador mercantil da morte. Muito pelo contrário, é muito mais fácil e prático pagar e controlar ambiciosos solitários do que gangues ou nações inteiras.

É na África, inclusive, que se passa a sequência doidona -- que virou moda no cinema norte-americano em meados dos anos 1990 e regra no começo dos anos 2000 – em que o personagem ensaia um princípio de crise moral (que passa rapidinho, assim que termina o efeito das drogas) que acaba em nada, como em nada tem acabado as crises dos líderes norte-americanos.
Se a ocidentalização do mundo nasceu com a justificativa cada dia mais contestada de elevar a humanidade a um patamar há muito almejado, a conclusão do filme deixa bem claro que estamos falhando miseravelmente nesse intento, que em algum momento do jogo nós nos perdemos do caminho e, usando a desculpa de agradar a Deus, nos aproximamos mais e mais do diabo, que, enfim, estamos fracassando amargamente na busca por essa tal melhor existência prometida no berço de nossa civilização.

Quanto à parte técnica, o filme não deixa nada a desejar e merecem destaques a edição em ritmo de esquizofrênico, os enquadramentos – alegrai-vos nerds, vocês definitivamente venceram, pois o cinema atual copia descaradamente os quadrinhos –, o uso virtuoso de steady-cam, os planos gerais, principalmente nas sequências passadas no Oriente, da Ásia à África, e o roteiro, bastante bem escrito, deliciosamente bem amarrado.

Volto em 15 dias. Mais mudanças devem ocorrer. Até lá!

Melhores do Mundo Email • 17:40:27 • Colunas, OutrasPermalink Deixe seu comentário
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Nov 7

Tira Tudo #9

Leonardo Finocchi é ilustrador e designer gráfico.
www.leonardofinocchi.com

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Out 31

Tira Tudo #8

Leonardo Finocchi é ilustrador e designer gráfico.
www.leonardofinocchi.com

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Out 17

Tira Tudo #7

Leonardo Finocchi é ilustrador e designer gráfico.
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Out 4

Tira Tudo #6

Leonardo Finocchi é ilustrador e designer gráfico.

www.leonardofinocchi.com

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Set 28

Tira Tudo #5

Eu sei que vocês já estavam de saco cheio, então nada de macaquices hoje.

Leonardo Finocchi é ilustrador e designer gráfico.

www.leonardofinocchi.com

Melhores do Mundo Email • 20:13:10 • Colunas, OutrasPermalink Deixe seu comentário
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Set 26

Da Janela do Quarto dos Fundos... #2

Laerte antes da curva do sino

Saudações a todos, pelo menos por esta semana deu para cumprir a promessa de manter a coluna com a periodicidade semanal. Como eu havia prometido, neste segundo texto, vou tentar despertar seu interesse para um dos melhores quadrinistas do mundo em minha humilde opinião, o paulista Laerte.

Na coletânea Histórias Repentinas, de 2004, somos confrontados desde a abertura com o que de melhor e de pior são feitas todas as grandes obras da humanidade. A percepção que se desvela inexorável à nossa frente é de que há irresistíveis apelo e beleza em tudo que se produz com sentidos, emoções, coração, alma, dor, enfim, a tudo que convencionou-se chamar de condição humana.

Sendo assim, Laerte já nos mostra a que veio no excelente conto literário – sim, você não leu errado, pra mim aquilo é literatura pura Crise, onde um arquétipo do “homem bem-sucedido made in mundo globalizado” é obrigado a ver-se consigo mesmo ao perceber-se nu em suas vergonhas. Para seu completo espanto e perplexidade, todos à sua volta parecem tratar com uma naturalidade digna do roteiro de absurdos usuais dos sonhos a falha (esquecer de se vestir da cintura pra baixo) considerada por ele mesmo imperdoável.

Em A Insustentável Leveza do Ser – ironia finíssima com o belo livro homônimo de Milan Kundera --, o leitor é obrigado a refletir sobre o quanto são falíveis todas as nossas certezas, convicções, crenças e, dureza das durezas, até mesmo nossos modelos de verdade -- nossas famílias. Não dá pra falar nada sem estragar o prazer da leitura, então, só posso lhe dizer: leia. Serão alguns dos 10 minutos mais bem gastos de sua vida. A elegância e a finesse que o autor usa são dignos dos melhores momentos da ironia e do nonsense tipicamente ingleses, porém a história é escrita em bom português. Nota 10 mesmo, sem exagero algum (para quem se liga mais nos desenhos que nos textos, perceba as resoluções que ele dá quando começa a revelar a verdadeira face da família, momentos de puro brilho criativo).

Ainda seguindo essa linha de argumento, o quarto conto, Lingerie, é de um humor tão refinado, tão elaborado e ao mesmo tempo direto, que pode ser entendido por qualquer macho man latino-americano, do mais douto ao mais chucro, atolados que somos em nossa honra torta, brabeza e afirmação da própria força. O que acontece com o pobre do personagem é tão engraçado que não consigo evitar o riso enquanto escrevo estas mal traçadas linhas. E el Laertón mais uma vez reduz a pedacinhos nossas certezas, ao deixar bem claro a espessura do fio sobre o qual construímos tudo à nossa volta, inclusive a já citada honra. Um pequeno descuido e a ilusória certeza de que ninguém mais vai saber (e dá-lhe sarcasmo inteligente sobre a situação atual de nossa tal sociedade moderna, onde privacidade é lixo, ofensa e ao mesmo tempo meio de auto-promoção, vide o caso Cicarelli) é o suficiente para o infeliz não querer se arriscar a perder um dia de trabalho e, por conseqüência, o emprego. Perde muito mais que isso, e de forma hilária.

A história seguinte, Os Homens-Pizza, merece pelo menos mais vinte linhas interpretativas, mas não vou fazê-lo para não induzir nenhuma interpretação menor a um texto elaborado com tanto cuidado – capricho este digno de artesãos italianos -- , temos o problema do espaço e, ademais, a coluna está ficando por demais sombria e este livro, apesar das bobagens que estou escrevendo aqui, é acima de tudo de humor. De ótimo humor. Eu quase morri de rir ao lê-lo.

O desenvolvimento de todas as histórias restantes (são oito belos contos no total do volume) e seus arremates são dignos do cacife literário do cara. As influências gráficas deixam evidente a intimidade com Robert Crumb e Will Eisner. E o melhor de tudo isso advém do fato de Laerte ser um artista pronto, de inegável maturidade artística, dono de – à parte as influências -- uma voz própria, forte, vibrante, intensa, verdadeira e, acima de tudo, engraçadíssima.

Leiam, meus caros nerds, pois esse livro ainda é da fase anterior de Laerte, que precedeu a atual e sobre a qual eu não teria nada muito engraçado a dizer. Não obstante, a genialidade permanece. Duvida? Só ler as tirinhas publicadas na Folha de São Paulo nos últimos sábado e domingo. O Laerte que hoje se apresenta não é pior nem melhor do que o da época do livro-gibi aqui resenhado, mas é sem dúvida alguma bastante diferente. Muito mais adulto, elaborado, menos engraçado e – viva, urra, hoooooray – ainda relevante, ainda excelente.

Vou tentar colocar um pouco mais de cor na próxima coluna. Até mais, meus caros.

Rodivaldo Ribeiro é radialista, jornalista e escritor sem computador...

Melhores do Mundo Email • 12:27:16 • Colunas, OutrasPermalink 5 comentários
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