Liga da Justiça osso duro de roer, pega um pega geral, também vai pegar você? Tweet

Parece que as polêmicas envolvendo as decisões editoriais no que se refere ao reboot estão longe de acabar. Depois do Bátema e da Mulher Gato dando uma, de um bebê ISPRUDIDO
Desta vez é o blogueiro do Robot 6, blog do Comic Book Resources, que a partir da leitura de Aquaman 2, Justice League 3 e Green Lantern 3 percebeu um padrão curioso: Os heróis da Liga pós-Reboot usam força letal e não se preocupam em estripar, mutilar e inclusive MATAR sem dó nem piedade seus inimigos.
Entre as cenas comentadas pelo cara temos Aquaman e Mera descendo o sarrafo nos vilões chamados “The Trench”...



...Lanterna Verde cagando para os direitos humanos alienígenas (se é que eles têm direitos) e ixprudindo a cabeça do lanterna amarelo em BH...

…E o Superman botando para fuder com os Parademônios do Darkseid, inclusive destroçando um como quem destroça um peru durante uma ceia de Natal.



Embora o cara admita que, em alguns casos, podemos dizer que os vilões eram monstros e por isso aqui matar “não dá nada” (vale lembrar que usaram essa desculpa no passado, se não me engano em Odisséia Cósmica, quando o Bátema mata um alien e ele diz que havia jurado nunca tirar uma vida HUMANA), ele cita uma série de questões (como o caso dos vilões do Aquaman serem aparentemente inteligentes, já que possuem linguagem) que fazem com que essa “desculpa” não cole.
Olha, em primeiro lugar, violência é a base dos quadrinhos de super-herói. Sempre foi. Mostrar mais ou menos sangue não muda o fato de que os heróis ainda tentam salvar o mundo batendo em bandidos ao invés de enfrentar os problemas de verdade (até porque nunca foi essa a intenção dos quadrinhos). Em segundo lugar eu acho que o blogueiro não atentou para outra “tendência” nestas 3 histórias: A de que todos os vilões em questão são “monstros” (no sentido de não serem seres humanos). O que isso muda? Bom, na prática, nada. Mas dentro de uma concepção dualista de vida, faz toda a diferença.
É mais ou menos como pensar porque histórias de casas mal-assombradas, demônios, zumbis e fantasmas fazem tanto sucesso: simplesmente porque é um “mal” que pode ser erradicado sem dó nem piedade, pois não estamos lidando com seres humanos (no sentido “vivo” da palavra), que têm sentimentos e podem ter motivos até justificáveis para fazer o que quer que estejam fazendo. Isso é parte da dicotomia bem/mal que é tão enraizada no nosso pensamento ocidental. É uma forma de catarse, onde a gente se sente bem vendo o zumbi se fuder porque ele não é um “ser humano”. Se fosse, em algum momento poderíamos nos perguntar por que a pessoa faz o que faz, ou em algum momento acabarmos até entendendo suas motivações, o que já começa a criar áreas cinzas, que podem fazer a cabeça do espectador/leitor médio/Frank Miller explodir. Quando combatemos monstros, não precisamos sentir piedade, não precisamos ter clemência. Não precisamos ficar com peso na consciência.
Porque eu estou dizendo tudo isso? Ora, não faço a mínima ideia porque agora parece claro o que a DC está fazendo em suas histórias: Está voltando a deixar bem nítida a linha entre o bem e o mal, voltando a deixar as histórias “preto e branco”, para que assim os leitores possam apreciar grandes doses de violência e morte (que os fanboys adoram) sem culpa, já que seus heróis favoritos estão destroçando “monstros”. Quase um revival dos pulps (os "pais" das histórias de super-herói). Mais uma vez, catarse.
Ok, eu sei que alguns de vocês vão dizer “mas o Superman não mata”, “isso tira a essência dos personagens” e coisas do tipo. Bom, o original, da era de ouro, matava, assim como o Batman. Para quem viveu nos anos 60, o Batman de verdade era o da série de TV. Essas eram as “essências” dos personagens nestas épocas. Hoje, a situação é outra. Se eu concordo com isso? Não, não concordo (ver um Superman violento assim não me agrada; até porque assim ele inspira mais medo do que confiança - mas eu não vou entrar no mérito da questão). So que isso não faz a mínima diferença, o reboot não é feito para mim que cresceu assistindo Goonies. É feito para a geração que joga God of War e Assassin’s Creed. Se essa geração “comprar” essa nova “essência” dos heróis da DC, eles vão continuar assim por muito tempo, até que percam o gás de novo, como sempre acontece. E assim caminham os quadrinhos americanos.
Mas se vocês querem saber minha opinião mesmo (certo que não, mas vou falar mesmo assim), acho que tudo isso é muito barulho por nada, principalmente depois do Superman ter matado os criminosos Kriptonianos (e mais recentemente uma pá de superseres de outro universo na mini Superman Beyond da Crise Final), a Mulher Maravilha ter matado Maxwell Lord QUEBRANDO O PESCOÇO dele, e dos Guardiões terem autorizado os Lanternas a usarem força letal durante Bleiquésti Blackest Night. E tudo isso ANTES do reboot, ou seja: o que quer que tenha "acontecido" com os quadrinhos para eles mudarem e se tornarem irreconhecíveis para as gerações mais velhas, esse barco já zarpou faz tempo...



