Melhores do Mundo

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Set 16

A gente lemos: Ultimate Spider-Man vol.2 #01


Bem, tem algumas ressalvas quando eu digo que "a gente lemos"...

[Mais:]

Então negada, o mundo muda, a gente muda e o Peter Parker ultimate bateu com as dez, abotoou o paletó de madeira, foi pra terra dos pés juntos, está comendo capim pela raiz, se juntou aquele um só grupo de condenados, passou para o lado do mistério, encontrou a Inevitável... Mórreu. E, sob o manto do Homem Aranha surgiu um novo rosto, o afro-chicano Miles Morales. Que tal darmos uma olhada na estréia do rapaz?

Antes de começarmos, é importante dizer que a HQ saiu esta semana nos EUA e como eu não sou um grande adepto dos scans e importações através da locadora do Ultra, chamei meu primo que mora nos América pelo Skype e pedi pra ele comprar e me contar o que aconteceu no gibi. Duas horas depois, com narrações de diálogos e descrições vívidas dos cenários, me sinto à vontade para escrever este review. É, eu sei. Foda.

Bem, a história abre contando de um curioso diálogo ocorrido 11 meses atrás entre Norman Osborn e um de seus geneticistas, o Dr. Markus. Osborn conta como as Indústrias Osborn acidentalmente criaram o Homem Aranha, e pede que o bom doutor repita o processo, mesmo ninguém sabendo exatamente como ele aconteceu. Enquanto conversam, Norman manipula uma aranha, (que eu batizei de "Pensadora Profunda") a cobaia nº42.
Corta a cena, Norman é exposto à mídia como o Duende Verde, é preso pela SHIELD e a Oscorp vai pro saco. O laboratório, em ruínas, é invadido pelo Deadpool Gatuno, que rouba uma caixinha vermelha e leva, de brinde, a cobaia.
Corta de novo, a família do Chris uma típica família chico-afro-americana caminha para um sorteio de vagas numa escola. É Miles Morales e seus pais.
Como nessa parte o meu primo se cansou um pouco, basta dizer que Miles é sobrinho de um sósia do Snoop Dogg e na casa do tio percebe a caixinha roubada da Oscorp, é picado pela aranha 42, desmaia e descobre um bizarro poder.


Fim.

Veja bem, sem reboot, sem recauchute ou relanche, a Marvel enfim (ainda que mantendo seu universo principal a salvo) fez uma verdadeira revolução: sai o caucasiano Peter Parker e entra o negro latino Miles Morales. Uma mudança corajosa, drástica e polêmica, mas cujas repercussões eu falarei melhor num post que estou preparando (de verdade) para 20 de novembro. Mas o ponto aqui é: pela primeira edição, fizeram isso muitíssimo bem - Bendis escreve bons diálogos, "bons" do ponto de que são possíveis, são críveis, até banais. A mesma coisa com as cenas e situações - é muito boa por exemplo a cena da família Morales no sorteio de vaga na escola (méritos também da desenhista Sara Pichelli), há uma sensibilidade ali muito boa, que contextualiza muito bem o meio que Miles habita. É sério - quem por aí já passou por um sorteio desses não tem como não ver na página um retrato bastante fiel de tudo.

Com isso, pelo menos para esta edição, Bendis dita um tom que me agrada demais - exceto pelo fator gangsta que o tio representa, o tom é de não estereotipar demais o protagonista: Miles ainda é um garoto do Harlem, de origem pobre e tudo o mais, mas os diálogos, as páginas estabelecem com muita clareza aquele limiar tênue que existe entre a representação quase naturalística e a estereotipia. O segredo aqui é que é natural. Talvez Sara ainda precise se aprimorar um pouco, ou procurar outras referências de pessoas (o Miles realmente lembra o Chris - de Todo mundo odeia o Chris, e seu tio tem a cara do Snoop Dogg em alguns quadros), mas não chega a incomodar, já que todo o resto funciona muito bem.

O resultado? Eu, DCnauta de carteirinha, estou mais ansioso por The New Ultimate Spider-Man #2 do que pela Justice League #2. Não, nenhuma das duas edições é espetacular, incrível ou inesquecível, mas a Marvel soube apresentar seu novo-novo mundo com mais competência, com cores melhores. Fazer o que, né?

Outra coisa interessante foi que eu só cheguei a ler, sei lá, os doze primeiros números do Aranha Ultimate quando saiu aqui, e a impressão, exceto pelo Deadpool, é que eu estou lendo a edição imediatamente seguinte. Sério, parece mesmo que esta é a edição #13 do gibi. Bacana demais (pelo menos pra mim).

Nota: 8


Poderoso Porco • 14:00:08 • Quadrinhos, A gente lemos, MarvelPermalink Deixe seu comentário
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