O Ritual Tweet

Anthony Hopkins chegou a dizer que o personagem dele neste filme seria o mais interessante desde Hannibal Lecter. É só mais um exemplo de como o cara é um ator espetacular com uma carreira cercada por filmes pouco memoráveis ou medianos, apesar do incontestável sucesso de O Silêncio dos Inocentes.
O Ritual se encontra em algum lugar entre Alexandre e Instinto (bom filme de 99 em que contracenou com Cuba Gooding Jr.). Não chega a ser uma catástrofe absoluta, mas não é uma produção digna de qualquer coisa além de uma exibição na Tela Quente. Não dá para entender porque Hopkins perde tempo com esse tipo de coisa.
Com o bom e velho selo "baseado em fatos reais", a produção adapta o livro do jornalista Matt Baglio sobre um caso real de exorcismo. No filme, conhecemos a história de Michael Kovak, jovem seminarista americano que tem uma crise de fé, mas é convencido a não deixar o seminário para viajar até o Vaticano e assistir a um curso de exorcismo, em uma época em que o papa ordenou que cada paróquia tivesse seu próprio exorcista.

O diretor Mikael Hafstrom (do ótimo Fora de Rumo) dá uma verdadeira aula de clichês em filmes de terror. Só faltou mesmo alguma eventual referência a um crossover entre personagens de terror no final. É impressionante que queiram mais espectadores PAGANDO para entrar nos cinemas com esse tipo de bobagem usando um tema tão palpitante quanto exorcismos e uma história verídica com tanto potencial.
O roteiro de Michael Petroni não é tão ruim quanto a sua "densa" carreira cinematográfica composta por trabalhos "imperdíveis" como A Rainha dos Condenados e uns outros 6 filmes. Talvez seja seu melhor trabalho, apesar de alguns clichês superados pelo bom elenco. De qualquer jeito, seu texto não impressiona e tem lá seu quinhão de clichês. Ele faz parte do fracasso.
O elenco tem Hopkins como o melhor ator e isso deve bastar pra ele dormir a noite. Destaque para a lindíssima italiana Marta Gastini, que não conhecia. A atriz italiana chama a responsabilidade e interpreta muito bem sua possuída, só perdendo para Hopkins e mandando MUITO bem nas cenas com ele. Gata e talentosa assim, me lembrou Natalie Portman e foi uma das poucas coisas boas dessa "bomba".
Alice Braga (Angeline) tem um bom desempenho, mas parece não ter dado conta no clímax da história. Ainda assim, é melhor do que seu parceiro de elenco Colin O'Donoghue (Michael Kovak) que completa o quebra-cabeças dispensável de O Ritual. O'Donoghue não tem expressividade e não passa nenhuma credibilidade com seu personagem. Faz parecer que os produtores acreditaram que só Hopkins bastaria para toda filmagem gerar um bom filme. A carreira do intérprete de Hanibal prova que seu nome não basta para um grande filme.
Nota: 4
Bugman é mais fã de Hopkins do que de seus filmes



