Revisão: "Clamor por justiça" de James Robinson, parte I Tweet

Não foi nem uma, nem duas, nem três vezes que eu me queixei aqui do fétido trabalho do superestimado James Robinson à frente do maior grupo de super-heróis de todos, todos, TODOS os tempos. Terminado o arco inicial do "autor" com a equipe, que tal darmos uma olhada mais de perto para entender tanto desprezo e rancor suínos?
Quando estava lendo o arco, mensalmente, me peguei pensando porque cargas d'água, tendo um ano de diferença entre o lançamento original e a versão nacional, a Panini ainda escolhera lançar um arco tão, mas tão ruim quanto este. Ao final dele, dei a volta do cão arrependido - estupidamente a DC permitiu que fatos cronologicamente relevantes acontecessem numa história de merda como esta. A publicação nacional então restava inevitável. Portanto, se você ainda não sofreu Clamor por Justiça, mas é bobo o suficiente para pretender fazê-lo, então fique avisado que os textos a seguir contém, sim senhor, SPOILERS.
Então, Clamor por Justiça (Cry for Justice), começou a ser publicada aqui na edição #90 da revista da Liga da Justiça. Começou oficialmente, porque no número anterior, ainda com Dwayne McDuffie cometendo os roteiros (no arco em que a LJ se encontrou com os heróis criados pelo McDuffie, os nigga do universo Milestone - ou Terra-Dakota - Não, pra mim também não soa agradável).

Em Liga da Justiça #89, temos uma espécie de interlúdio onde a Canário Negro, então líder da Liga, fica sabendo que o Arqueiro e o Lanterna Verde estão por aí pegando bandidos, e pensando em montar uma nova equipe, mais pró-ativa, às costas de Dinah. É a segunda traição que a personagem sofre, já que descobrira, pouco antes, a sala secreta da Trindade dentro da Sala da Justiça, onde Superman, Batman e Mulher Maravilha discutiam os rumos da equipe à revelia de sua líder.
Agora, Ajáx e Batman acabaram de morrer (na Crise Final); Superman está indo para Nova Kripton; a Mulher Maravilha tem compromissos com o povo da Ilha Paraíso; Arsenal ("Arqueiro Vermelho" é de doer) vai deixar a equipe por ciuminho da Mulher Gavião com o Gavião Negro; O Flash quer cuidar dos filhos e se dedicar aos Titãs; até o Raio Negro está fora, dedicando-se aos Renegados. O debandar de Hal Jordan e Oliver Queen deixa Dinah em maus lençóis, e ela decide dissolver a equipe. Opinião que não é dividida pelos membros remanescentes (Víxen, o novo Nuclear, Drª Luz, Zatanna, Lanterna Verde - John Stewart e Tornado Vermelho). Com apenas estes seis membros, a equipe não pode ser definida exatamente como "uma potência", mas o arco de McDuffie prossegue rumo à sua conclusão assim mesmo.

Na edição seguinte (Liga da Justiça #90, a primeira pós-”Revolução” da Panini), com direito a capa e tudo, começa o arco de James Robinson à frente da equipe. E ele abre contando sobre o início da nova empreitada de Hal Jordan. Sim! Robinson já começa mijando no ponche da festa, e apresenta o rompimento de Hal e Oliver de forma completamente diferente da demonstrada por McDuffie. Simplesmente não tem nada a ver. Na versão de Robinson, Hal meio que se revoltou com o rumo estritamente reativo da equipe, e dá um xilique público, na frente de Canário Negro, Arqueiro Verde (que aparentemente não estava sabendo de nada de antemão), Mulher Maravilha, Superman, Flash, Arsenal, Mulher Gavião, Gavião Negro, Nuclear, Tornado Vermelho, Homem Borracha, Víxen, Raio Negro, Zatanna, Drª Luz e Supergirl (?). No final do discurso-xiliqueta, Oliver decide acompanhar seu amigo de cores e juntos eles vão embora voando do satélite.

Pronto, o arco começou oficialmente.
Para não ficar no enfadonho resuminho edição-por-edição, vou pontuando só as lambanças (a maioria delas caem na conta do Robinson, mas Mauro Cascioli, que desenha a maior parte da série, também tem seus "méritos").
1ª Lambança: Motor movido a álcool

Há uns anos atrás, eu tive um Chevette 1984 movido a álcool, o famoso etanol. Era um carro bacana, tração traseira, 1.6 e tal. Mas o motor a etanol era foda, porque todo dia frio, pela manhã, eu tinha de perder uma meia hora esquentando o motor. Com o arco do Robinson é a mesma coisa, o lance custa a engrenar. Um terço do primeiro número é o xilique do Hal Jordan contra a Liga, os outros 2/3 são situações repetidas e clichêzentas dos heróis que vão participar da trama (Eléktron, Starman II - o alien e Congorila) descobrindo que algum amigo foi morto por vilões e gritando "Eu quero justiça". Sério, as três situações são iguais em teor e terminam do mesmo jeito! Se bem que eu tô mentindo. Não são tão iguais assim, já que o Starman Alien, em fúria pela perda do amigo, explode um carro estacionado na rua, sem mais nem menos! Será que o carro era a álcool?

2ª Lambança: Personagens descaracterizados

Ray Palmer, aquele que partiu numa jornada de penitência após as atrocidades cometidas por sua ex-mulher. Ray Palmer, aquele que se tornaria um arauto da compaixão (da Tribo Índigo) na Noite mais Densa. Esse mesmo Ray Palmer é um torturador de deixar rubras as faces de qualquer policial do DOPS do tempo do antigamente! Esse mesmo Ray Palmer é anulado por nanorobôs, sendo que já se mostrou ser possível que ele encolha a níveis submoleculares.

Mesmo o neurótico Oliver Queen conversa, perto de vilões de quinta categoria, chamando o Lanterna Verde de Hal Jordan. E a recíproca é verdadeira. A maioria dos heróis trata-se pelos nomes civis, indiferentes às platéias que os rodeiam.
Outra coisa linda de se ver é Donna Troy, a Mulher Maravilha de segunda, ser neutralizada com dois dardos atravessando seus braceletes e prendendo-a na parede. SIM! Aqueles mesmos braceletes que desviam balas!
Isso sem falar dos suuuuuuper heróis Projétil (de Se7e Soldados da Vitória do Morrison) e Sr. Escarlate (quem?), que sabem que Freddy Freeman é o Capitão Marvel! Vai me dizer que o Nerd Reverso também sabe?
3ª Lambança: Roteiro inconsistente

Muuuuito antigamente aqui no MdM tinha-se um bordão, talvez o precursor, chamado "Er... bem... hum...", que servia para listar momentos emocionantemente constrangedores e inacreditáveis dos gibis de super-heróis.
Como por exemplo o Bátema apanhar de um mendigo sem pernas, ou o Aquaman vencer uma luta jogando uma orca em cima do oponente. Ou o Wolverine moer o Lobo na pancada. Ou... bem, vocês entenderam.
James Robinson adora um "er... bem... hum..."! Ele faz o Congorilla e Mikaal, o Starman, caírem numa porradaria desenfreada de nove minutos um contra o outro e de repente dizerem: "Cansei, bora sermos amigos?" e pronto, a briga acaba e os dois se regeneram automaticamente. E isso porque eles estão na Ilha dos Falcões Negros, aonde o Congorilla chegou usando de dinheiro e seu faro apurado. Sim, antes ele estava no Congo. E farejou até lá. E usou o dinheiro que guarda no seu... bolso de gorila para conseguir transporte. Er...

Do mesmo jeito, o Sombra, um conhecido vilão da SJA, chega à casa do Joel Ciclone e, prestes a ser atacado pelo herói, diz: "Oi, eu agora sou amigo, vim pedir uma xícara de açúcar e discutir a situação da América!" E zaz! eles se apertam as mãos e vão juntos para o satélite da Liga!
E aí, tá curtindo? Tá delícia, tá gostoso?
Então segura a onda aí que logo logo tem mais!



