Melhores do Mundo

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Dez 8

A gente lemos: RED, aposentados e perigosos


Porque se o nome disso não for "senso de oportunidade", então eu não sei mais o que havera de ser!

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Mas vamos com calma que eu chego lá.
Escrita por Warren Ellis e ilustrada por um cara que eu acho foda mas que aparentemente trabalha pouco, Cully Hamner, RED, aposentados e perigosos (na gringa é só RED - sigla para Retired, Extremely Dangerous) trata da vida de Paul Moses, um operativo da CIA aposentado. Mas nada do tranquilo sossego da aposentadoria: Moses é um homem atormentado, antissocial e intranquilo em razão de sua carreira. Inclusive, esta carreira aparentemente era "tocar o terror": praticamente um monstro disposto a fazer o serviço sujo que o Tio Sam precisasse fazer, derramando o sangue que fosse necessário. Acontece que, nessas coisas que só a política faz por você, um burocrata assume o comando da agência. E ele acha que a CIA já passou da idade de manter certos monstros embaixo da cama...


Como é bem óbvio pela sinopse, pelos trailers e imagens do filme, é que a agência manda apagar Moses, mas o cara, que é um PHodão (com PH maiúsculo), é quem vai apagar a agência. Pois então. Isso é tudo. Em resumo - PHodão aposentado, PHodão perseguido, PHodão mata todos os perseguidores. Fim. Entre uma coisa e outra, muito sangue e mortes brutais. No final das contas, uma história sem graça, com personagens sem graça, sem conteúdo, e que o único apelo que possui são as mortes violentas em cadeia.

Veja bem antes do mimimi: Warren Ellis é um cara do qual eu gosto mesmo do trabalho. Planetary e Freqüência Global estão entre as coisas mais bacanas que eu já li e ambas têm em comum com RED, o fato de "começarem no meio" - você não vê Miranda Zero criando a Freqüência Global no primeiro número; Elijah Snow e todo o mundo paranóico de Planetary já estão dados quando você chega; e Paul Moses já fez suas barbaridades quando RED começa. O background vai sendo montado aos poucos, à medida que o mosaico da série vai sendo colocado no lugar. O problema é que, diferente da Freqüência ou de Planetary, RED são apenas três números! 74 páginas e só! Caramba, depois de ler a versão da Panini, fiquei pensando como aquilo poderia ter virado um filme - são apenas quatro personagens! Imagine o quanto a trama foi esticada para acomodar Bruce Willis, John Malkovich, Morgan Freeman, Marie-Louise Parker e Helen Mirren?

E é aqui que entra o "senso de oportunidade" que eu falei no início. Veja bem, a história foi publicada em 2003 lá fora. E teria ficado lá se não fosse a adaptação para o cinema. Isto porque RED passa loooooonge de ser um dos melhores trabalhos de Ellis. Inclusive, para mim, passa mesmo longe de ser um bom trabalho de quadrinhos, ainda mais se vindo do cara que pariu, como eu disse, Planetary, Freqüência Global e The Authority. RED é um gibi óbvio, cujos únicos méritos se limitam à ultraviolência gráfica, então os louros cabem ao Cully Hamner mais do que ao roteirista.

Enfim, RED, aposentados e perigosos (porque o plural?) é um gibi burocrático e chato, feito pra geração massa véio que curte a violência por si só, sem maiores razões ou aprofundamentos. Um gibi preguiçoso que só chegou à Terra Brasilis por conta do filme. Um gibi tão preguiçoso que você nem fica com raiva após terminar de lê-lo - não há tanta energia psíquica assim envolvida...

RED, Aposentados e Perigosos; Warren Ellis (texto) e Cully Hamner (arte), Wildstorm/Panini Comics, 74 págs, R$ 7,90.

Nota: 4


Poderoso Porco • 15:30:34 • Quadrinhos, A gente lemosPermalink 47 comentários
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