Megamente Tweet

O filão recente dos filmes de super heróis já abordou vários temas diferentes: os grandes ícones que inspiram a todos, heróis realistas, heróis sombrios, anti heróis, grupos de heróis, famílias de heróis, sátiras, e por ai vai... Como então se diferenciar mesmo usando um monte de elementos tradicionais do gênero?
Em Megamente, animação da Dreamworks que estréia hoje, a saída escolhida foi mostrar o ponto de vista do vilão.
A idéia do filme na verdade é mostrar o outro lado da moeda. Será que os vilões são realmente tão detestáveis assim? Será que seríamos diferentes deles se tivéssemos passado pelos mesmos problemas que passaram? E os heróis, são esse poço de virtude que aparentam?
De cara temos a origem do vilão azul e testudo Megamente e de seu “eterno” arqui rival, Metro Man, o popular campeão de Metro City. A origem de ambos é chupinhada do Super-Homem (Alô, Warner!! É sátira, não vai dar pra processar...) e isso funciona muito bem pra reforçar o questionamento se “o homem é produto do meio”.

E não é só na origem que o Superman aparece: os poderes do Metro Man são o pacote básico do Kriptoniano na Terra e outra grande referência aos filmes do herói aparece, na figura de um “treinador de heróis” que proporciona alguns dos momentos mais engraçados do filme.
Até os poderes de Megamente podem talvez ser uma referência: ele é um vilão careca com poderes mentais (no caso, intelecto para criar aparelhos incríveis) que quer dominar a todos, bem parecido com a primeira versão do personagem, antes de ser transformado em herói e fazer todo seu sucesso. Mas isso já é cagação de regra minha...

A premissa de mostrar o lado do vilão, um super gênio do mal, de início parece meio vazia pois, conforme vemos seu desenvolvimento, ele nunca tem atitudes realmente malignas. Não há como não ser solidário ao vilão e querer mais que o herói, cruelmente queridinho e perfeitinho, SE EXPRUDA!!
Herói e vilão vivem uma relação de dependência mútua: um não conseguiria continuar desempenhando “seu papel” no mundo sem o outro. Até o dia que, "acidentalmente" (MUITAS situações na animação acontecem por acidente, o que é um ponto negativo) Megamente.... VENCE!! Metro Man está M-O-R-T-O e o vilão pode finalmente ser o rei da cocada, o dono do pedaço, o grande ditador da cidade. Mas.. e agora? Não sobrou ninguém pra enfrentá-lo.. Ele já conquistou seu objetivo de vida e... o que fazer depois disso?

Claro que o carismático vilão vai acabar se redimindo, ele não é o protagonista a toa. E falando em protagonista, dessa vez temos um filme da Dreamworks onde os coadjuvantes não roubam a cena.
Temos seu ajudante, o “Criado” com um visual muito legal (é um “peixe num aquário” que controla um corpo de gorila robô) e uma boa presença. A repórter de TV Lois Lane Rosane, “namorada” de Metro Man e eterna refém dos planos do Megamente, que acaba representando a agonia da cidade pela morte do herói e gerando a “mudança de visão” do “vilão” após isso. O "cameraman psicopata" que acaba virando uma grande ameaça, e evidencia ainda mais a diferença entre vilôes e heróis.
Todos são bons personagens, não desenvolvidos com a mesma profundidade do protagonista e nem com tanto carisma, deixando claro que o filme É DO MEGAMENTE.

Tecnicamente achei o filme impecável. As cenas de ação são muito boas e o 3D é muito bem utilizado. Vale a pena gastar um pouco mais, se possível, para ver nesse formato.
O ritmo varia um pouco. Em alguns momentos ele desacelera muito e as gags não aparecem, ou não são suficientes, pra compensar isso. Apesar de divertido, achei bem menos engraçado do que eu esperava, e acho esse o maior ponto fraco da animação.
Assisti em cópia dublada e o trabalho foi muito bem feito. Thiago Lacerda foi a “bola da vez” usada pra promover o filme aqui, dublando o Metro Man e, apesar de eu realmente não gostar dele como ator, surpreendentemente não comprometeu em nada. Alguns podem dizer que é devido ao pouco tempo de tela do herói, mas o fato é que achei uma boa dublagem.

Vale o ingresso para os fãs de super heróis e pra criançada. Muitas referências legais, é divertido e te leva a pensar um pouco sobre o que é ser um herói nos tempos de hoje onde a imagem e o estilo são supervalorizados.
Ok, não faz pensar tanto assim, mas um pouquinho..
Nota: 7,5
P.S.: O filme é dirigido por Tom McGrath (Madagascar 1 e 2) e os dubladores originais são Will Ferrel (Megamente), Brad Pitt (Metro Man), Tina Fey (Rosane), David Cross (Criado) e Jonah Hill (Al Stewart (o cameraman) /Titã).



