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Out 14

A gente lemos: Vertigo #10


Parece que foi ontem: a editora Pixel pisava na jaca e deixava tudo quanto era leitor da Vertigo com as calças na mão...

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Mas não foi. Isso já tem pelo menos um ano, já que a edição número 10 da Vertigo em sua encarnação pelas mãos da Panini Comics já está nas bancas. Com 128 páginas a R$ 9,90, a Panini vem mantendo o que se espera da publicação: que ela seja um dos melhores gibis mainstream nas bancas. Não tem como negar, mesmo uma edição ruim da revista adulta da DC ainda dá de dez em muito material mensal rodando por aí.

Como Vertigo Panini é uma revista mix, vamos ver as histórias uma a uma:


Casa dos Mistérios (Matthew Sturges e Luca Rossi - Tony Akins em participação especial): Desde a sua estreia, A Casa dos Mistérios tem sido a surpresa mais agradável que os italianos da Panini nos trouxeram. Narrando os eventos ocorridos na casa de Caim (sim, de Sandman) desde que ele a perdeu (literalmente) e ela se tornou um bar, a revista apresenta sempre uma trama central, envolvendo os atuais “moradores” da casa (Harry, Ann, o Poeta, Cress e a misteriosa novata Fig) e uma história "bônus", um conto – geralmente de suspense – contado por alguém que está no bar, com vistas a custear seu consumo.

Nesta edição, Harry utiliza-se da relação de Fig com a Casa para propor um plano. Em paralelo, ficamos sabendo um pouco da vida da pirata Ann, e que na real ela não é nem um pouco fanfarrona como parece ser. Ainda que a trama central de Casa dos Mistérios não empolgue muito, o grande atrativo aqui são os personagens. Mesmo o mais insignificante coadjuvante pode ter uma história interessante para contar em troca de uma bebida e, acredite, você vai querer conhecer essa história.

Antes de dar a nota, gostaria de agradecer a homenagem feita pelo meu quase xará Luca Rossi, à página 99. Valeu, Luca!

Nota: 7,5


HellBlazer (Mike Carey e Marcelo Frusin): Eu fico me perguntando se algum dia alguém terá peito e culhões para lançar uma revista vendável do selo Vertigo gringo sem contar com as aventuras de Constantine. Ainda que nem sempre suas histórias sejam sinônimo de tramas geniais, o velho mago inglês com a cara do Sting é garantia de vendas ou ao menos interesse.

Mike Carey vem fazendo um trabalho competente, escrevendo muito bem toda a canalhice, filha-da-putagem e esperteza de John Constantine. Diálogos bons vêm segurando a onda mesmo quando o roteiro não tem muito a contar. Nesta edição, John e sua amiga Angie Spatchcock estão correndo o mundo para tentar entender (e evitar) uma perigosa e misteriosa ameaça que parece vir por aí. O destino desta edição é o Brasil, mais especificamente a floresta amazônica, onde vamos ter certeza de que as amizades de Constantine são tão perigosas para ele quanto ele é para elas. De quebra, ainda veremos outra vez aquele que pode ser considerado "o pai" de John.

A HQ não tem nada de mais, Mike Carey tem se mantido à frente do título assim, ganhando sempre de um a zero e seguindo na retranca. Entretanto, não posso deixar de destacar que o clímax da edição é um tanto tenso. Infelizmente, Carey vem paulatinamente diminuindo o risco das histórias de Constantine, que já há algum tempo não vem correndo grandes perigosos e, quando o faz, a gente sabe que ele (e os seus) vão se safar, sem qualquer dano colateral, o que é uma pena. A graça do mago filho da puta, ao menos para mim, era ver a que preço ele sempre conseguia se dar "bem": com Carey esse preço vem sendo cada vez mais baixo.

Agora, preciso falar da arte do Frusin, que tem me agradado cada vez mais. Pra mim, seu traçado sujo e sem frescuras tem dado o tom exato das histórias do inglês.

Nota: 7,5


Vikings (Brian Wood e Dean Ormston): já tem uns seis meses eu não leio essa chatura que o Brian Wood escreve. Pra mim é um saco de roteirista superestimado pra dedéu, com uma história sem graça nenhuma. Ah, parece que mudou o desenhista. Mesmo assim dispenso.

Nota: -- (achou que eu ia ser escroto de dar nota para um material que não li?)


Escalpo (Jason Aaron e R.M. Guéra): Desde a primeira edição de Vertigo, Escalpo é a série que se mantém mais constante em termos de qualidade. O roteiro de Jason Aaron é sujo e cru, seus diálogos são reais, a escrotidão dos personagens é uma escrotidão de gente de verdade. A arte confusa e escura demais de R.M. Guéra colabora com a aclimatação, deixando tudo meio estranho e quase misterioso.

É verdade que há algumas edições Aaron tirou o pé do acelerador, e deixou de avançar a história de Dashiel Cavalo-Ruim para contar as trajetórias de outros moradores da reserva Rosa da Pradaria. Se por um lado isso é muito bacana, porque dá veracidade à trama e aos personagens (é legal, por exemplo, saber quem é Dino Urso Pobre, um personagem que até então não se tinha ouvido falar e que aparentemente não ocupa um grande lugar no plano geral das coisas), por outro "esfria" a história em si, que vinha num crescente bem instigante. Mas a gente segue querendo saber onde essa lama toda vai dar.

Nota: 9


Vampiro Americano (Scott Snyder, Rafael Albuquerque e Stephen King): Não tem o que dizer de diferente, o grande nome dessa décima edição de Vertigo pela Panini é mesmo a estreia de American Vampire, que conta com os desenhos muito competentes do brasileiro Rafael Albuquerque (da Mondo Urbano).

A dupla criativa (auxiliada pelo velho de guerra Stephen King) conta o advento dos vampiros no novo continente: sem frescuras cintilantes à luz do sol ou coisa que o valha. Snyder tem o mérito, já nesta primeira edição, de fazer um número de abertura sem chatices, sem apresentações óbvias de personagens e métodos.

Claro está (até pelo material de divulgação) a importância de Skinner Sweet na trama, mas o roteirista não dá muitas respostas prontas e diretas: a história vai sendo contada, e a gente vai captando como tudo funciona. Bacana também a referência visual ao clássico vampiro Nosferatu, do filme alemão homônimo – é o tipo de coisa que pode parecer boba e óbvia, mas ajuda a aclimatar o leitor, a saber quem é quem.

Só por substituir a fétida e insuportavelmente chata Lugar Nenhum, Vampiro Americano já merecia um prêmio. Se mantiver essa qualidade e suspense, acabará sendo merecedora de outros mais (muito mais).

Nota: 8


No frigir dos ovos (óia!) Vertigo Panini é uma revista que vale a pena. Se fizermos uma média simples, considerando mesmo o zero que dei para Vikings, a revista terá um 6,4 como nota. Tá que não é grandes coisas, mas se olhamos pelo ponto de vista qualitativo, veremos que um mix com quatro revistas boas (num total de cinco) é de brilhar os olhos! O seu grande revés é próprio da indústria, e Vertigo dificilmente terá acréscimo de leitores no correr de sua publicação, já que é uma revista seriada. Mas continua sendo uma opção para quem quer ter algo para ler e não tá a fim de ver o Homem Aranha espancar o Duende Verde outra vez...


Poderoso Porco • 10:30:47 • Quadrinhos, A gente lemosPermalink 33 comentários
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