Melhores do Mundo

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Out 5

Padilha fala sobre Tropa de Elite 2!

Já faz mais de três anos desde que fui cobrir o lançamento de Tropa de Elite, na época que trabalhava como um intrépido repórter. Na época, o diretor José Carlos Padilha me surpreendeu não só por sua pretensão e ousadia (características que já havia conferido em outro debate com o diretor), mas principalmente por sua competência cinematográfica.

E ele continua me surpreendendo.

[Mais:]

Padilha é um diretor controverso não pelo seu talento, mas por suas ideias. Seu negócio é o cinema (que ele vê como ciência, segundo uma declaração que deu anos atrás na PUC-Rio), mas boa parte da crítica especializada insiste em vê-lo como um propagador de ideais. Talvez pela importância das ideias políticas na filmografia do maior expoente do cinema brasileiro: Glauber Rocha. Isso é um erro. Padilha não quer criar um levante, quer fazer bons filmes e, quem sabe, daí fazer outros tipos de protestos que façam todos pensarem sobre os tempos de violência que vivemos.

Anos antes de Tropa de Elite, Padilha foi taxado de esquerdista e de humanizar bandidos com seu Ônibus 174. Reinaldo Azevedo e demais direitistas que o criticaram aplaudiram seu Capitão Nascimento e o tapa na cara que dava em cada playboy do Posto 9 de Ipanema. A esquerda jogou suas pedras. E ainda há quem insista em dizer que a jornada de Mathias é um filme de direita. Padilha, assim como quem vê filme e não ideologia na telona, explica que Nascimento sequer é um herói, na acepção clássica da palavra:

É importante distinguir a diferença entre herói e ícone pop. E o Nascimento não é um herói. Por exemplo: o Dom Corleone. É um personagem carismático, de apelo popular, embora seja um mafioso assassino. Em outras culturas há milhões de ícones pop violentos e com a moral torta. É um fenômeno esporádico que acontece no cinema.

Em entrevista ao Portal G1, ele falou a respeito da sequência de seu mais famoso filme e sobre o nobre Capitão. Lá se vão três anos para a gente, mas passou bem mais tempo para o soldado do Bope. A produção entra em cartaz em 600 salas do país na próxima sexta (8). E como está Nascimento?

O Nascimento é o mesmo cara, não deturpamos sua lógica. Agora ele está mais maduro, é pai de um adolescente e sua forma de trabalho mudou. O Nascimento não está dentro de uma equipe da polícia, mas no processo decisório, que é contaminado por outros interesses. Ele descobre ali que nem sempre as decisões são técnicas, muitas vezes são políticas.

Apesar das possibilidades dramáticas, Padilha garante que veremos muita ação. "O 007 não usa a farda do exército inglês, mas dá tiro pra caramba." A equipe brasileira contou com o know-how de pessoas que trabalharam no longa Falcão negro em perigo, de 2001. Eles ajudaram a pensar em planos que envolvessem helicópteros, explosões e operações em favelas e presídios. Tropa de Elite 2 promete.

Bugman tem o comando e a responsabilidade. Ou não...


Bugman Email • 18:00:04 • CinemaPermalink 68 comentários
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