Melhores do Mundo

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Set 30

Namor: As Profundezas

Tá de brincadeira! Um encadernado do Namor? Quem vem a seguir? Um encadernado do Agente 83 da SHIELD?

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Um dia trombamos num sebo e o Marshall Law me deu ideia: a Panini tinha lançado um encadernado bacana do Namor. Desacreditei - um encadernado do Namor bacana? Encadernado. Namor. Bacana. Só faltava ser barato pra completar o truco! Aí ele falou que eram 120 páginas em capa dura por 22 mangos e eu fui embora. De loroteiro na minha vida já basta o povo com quem eu trabalho!

O pobrema é que não era mentira. Existe por aí um encadernado do Namor, pela Panini, com capa dura, papel de qualidade, 120 páginas, história boa e por R$ 22,90! Pelos bigodes da minha avó!

Mas devagar que eu tô me antecipando.

Namor: As Profundezas faz parte de uma série de encadernados em capa dura com preço mais em conta que a Panini tem lançado nas bancas. Um outro volume dessa série foi Magneto: Testamento, que o Change resenhou.

Teve outro do Homem-Aranha, um do Capitão América e um quinto do Universo Marvel, todos oriundos do selo Marvel Knights, com histórias curtas, fechadas e sem relação com a cronologia (que pra mim podia ser a tônica da indústria como um todo, mas...).

Voltando ao assunto. Na HQ do Namor, somos apresentados a Randolph Stein, um cara meio mythbuster pós-vitoriano. Stein acabou de provar que o pé-grande não existe, quando é convocado por figurões para uma outra missão: encontrar o Capitão Marlowe, um cientista obcecado pela Atlântida desde a morte de sua esposa. Stein então embarca num submarino com destino às Fossas Marianas (o ponto mais profundo dos mares) em busca não só do perdido capitão, mas da verdade sobre o continente perdido.

O que se segue é uma quantidade grande de páginas em que o Namor, apesar de ter seu nome estampado no título da HQ, mal aparece. O gibi é um sufocante (sem trocadilhos) thriller submarino, verdadeiramente claustrofóbico, sobre uma tripulação crédula, um cientista totalmente cético e um mistério nadando em volta: afinal de contas, a Atlântida e seu cruel protetor existem ou não?

As Profundezas é uma história realmente muito boa. Tensão e suspense na medida certa, num equilíbrio bacana entre um bom roteiro (e sem muita frescura ou invencionices, cortesia de Peter Milligan) aliado a uma arte realmente muito boa, responsabilidade de Esad Ribid. O único ponto fraco na arte, pra mim, fica nas cores: apresentam-se meio inconstantes - tem vezes que se esquece, por exemplo, que o Cap. Nelson é negro, e essa informação oscila tanto que eu só me dei conta dela realmente quando o diálogo levou a isso.

Agora, há uma coisa muito importante sobre a qual eu preciso chamar atenção, porque a gente sempre detona as iniciativas porcas (opa!) e as bilheterias de filmes, mas eu acho que precisa apontar quando o serviço for bem feito. É o caso aqui. As Profundezas foi publicada na gringa em cinco edições, e a Panini nos trouxe um encadernado de excelente qualidade e preço. Palmas pros caras, que acertaram desta vez.

Mas fica a pergunta: se essa série de encadernados da Marvel Knights tem em média 120 páginas, papel de excelente qualidade, capa dura e pode ser vendido a R$ 22,90, por que toda a linha de encadernados não segue esse padrão? O encadernado do Questão, por exemplo (Zen e a Arte da Violência, lançado ano passado) teve poucas páginas a mais (176) e custou mais que o dobro (R$ 49). Se dá pra fazer, porque não faz sempre? É uma questão tão profunda que eu fico sem resposta.

Namor: As Profundezas, Ed. Panini (Panini Books), Peter Milligan (roteiro) e Esad Ribic (arte). Formato americano, 124 páginas, capa dura. R$ 22,90.

Nota: 8,5


Poderoso Porco • 12:00:01 • Quadrinhos, A gente lemosPermalink 88 comentários
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