Racismo faz revistas venderem menos? Tweet

Olha só, nerds malditos... Uma declaração de Mark Waid repercutiu muito durante essa semana, principalmente entre os donos de comic shops americanas...
Durante a Comic-Con de Baltimore, Waid disse que se espantou com a grande quantidade de donos de lojas que admitiram não fazer pedidos da série High Rollers, da Boom (estúdio do Waid) em 2008, porque a cor dos protagonistas não agradava ao público.
A série era escrita por um romancista famoso por lá, Gary Phillips, e abordava a vida dos negros americanos nos guetos, gangues e atividades criminosas (tipo se Cidade de Deus virasse HQ, por aqui).
Rich Johnston, do site Bleeding Cool, resolveu então tirar a conversa a limpo, e perguntou aos donos das maiores comic shops americanas sobre o ocorrido relatado por Waid.
Bão, a maioria dos caras desdisse a história de Waid, se limitando a dizer que a série não estava sendo mais pedida por eles porque ela simplesmente não vendia bem na época...
E isso foi atribuído à má divulgação da própria Boom, temática "desinteressante" pra um universo onde os super-heróis dominam e também por designs de capas que não chamavam muito a atenção do leitor.

Alguns lojistas justificaram ainda que a série tinha pouca visibilidade, pois o tema policial/violência urbana anda meio em baixa no mercado das HQs.
Outros ainda disseram que a declaração de Waid sobre racismo não procede, mesmo porque algumas séries como Spawn e Scalped, onde os protagonistas não são caucasianos venderam (e vendem) bem até hoje...
Além do que, num passado não muito distante, o Pantera Negra também vendia bem, além de termos Luke Cage, um negro, com muito destaque na maioria das revistas da Marvel em que aparece, e todas vendendo muito bem. E que mais de 30% do público que compra HQs nos EUA é composto de afro-americanos.
O que eu acho? Bão, até concordo que no mundo dos fanboys as séries que não são personificadas por um cara fantasiado com a cueca por cima das calças já saem em desvantagem nas vendas...
Ainda mais sendo um título novo, sem os anos de consolidação de mercado (e ótimos roteiristas) que títulos como Hellblazer e Preacher têm...
Às vezes a coisa, por melhor planejada que seja (no caso da série supracitada, a presença de um famoso romancista para escrevê-la), simplesmente não engrena...

Mas é claro que há racismo por lá, assim como há por aqui (o racismo velado, disfarçado de tolerância pela pluralidade racial da terra brasilis). O problema é que nunca se admite isso por causa dessa falsa moral que as duas sociedades adotam, e lá muito que de vez em quando (geralmente quando o trabalho é estupendamente bem-feito, ou tem um grande apelo comercial) temos uma série de HQ com um protagonista afro, sino ou latino-americano fazendo sucesso lá na terra do Tio Sam.
Mas é muita paunocuzice do Johnston essa atitude de "ouvir o outro lado", afinal, acham mesmo que um lojista americano ia dizer "Sim, parei de pedir High Rollers porque essas histórias de negros bandidos não pegam bem de ficar expostos na estante da minha loja"???



