Melhores do Mundo

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Ago 19

Balão Editorial lança Sombras e Sonhos!

A Balão Editorial é responsável pelo livro de contos do estreante Álvaro Domingues. O escritor também tem um blog onde você pode conferir o talento do cara.

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Sombras e Sonhos possui 37 contos e um poema. Segundo a editora, "o resultado é uma ficção científica sui generis, caracterizada pelo lirismo e pela paixão dos textos e de seus personagens". Fiz uma entrevista com o cara por e-mail que você pode conferir abaixo:

1- Por que escrever um blog e contribuir em sites para publicar um livro ao invés de ir direto para uma publicação?

Os blogues permitem que se escreva e quase imediatamente se sinta a reação do leitor. Os tempos são muito diferentes. Para publicar um livro, você tem que reunir o material, submeter a vários editores, aguardar a edição, revisão, produção e publicação e distribuição. Nem sempre é um tempo que se deseja esperar. Por outro lado, o que se escreve num blog é volátil. Raramente alguém lê matérias passadas e para manter o interesse do leitor, você deve postar sempre.

O livro tem a vantagem de você sentir que o que você escreveu está num suporte mais permanente. Também pode se alongar mais no texto ou se debruçar num enredo mais complexo. Ao ler um texto na internet, busca-se a brevidade e a objetividade. Ou interatividade. Num livro, ao ler você pode parar para pensar, porém o feedback autor-leitor é muito lento.

2- O livro pertence ao gênero de ficção científica e tem um poema entre 37 contos, o que pode surpreender o leitor brasileiro. Pode falar a respeito de suas intenções com essa surpresa?

Não creio que um poema surpreenda mais do que a diversidade de gêneros (há ficção científica pura ou misturada com outros gêneros, como fantasia, horror, poesia, policial) e de formatos, como o microconto ao lado de contos tradicionais. Ou a ainda a temática, que título resume bem: sombras e sonhos. Onde eu imagino surpreender o leitor é na abordagem: a psicologia do imaginário, com fortes influências de Jung, Neil Gaiman e de Ray Bradbury, entre outros.

3- O cenário da FC brasileira tem mudado com novos autores e novas publicações. Você faz parte dessa retomada; pode dar sua visão de autor das dificuldades e possibilidades que vê nos próximos anos para o gênero por aqui?

O que favoreceu a literatura fantástica foi o surgimento de várias editoras pequenas dispostas a investir no gênero, ao lado de muita gente com vontade de escrever, sobretudo fantasia ou de horror (graças aos vampiros). Eu creio que os blogues e outras publicações na internet ajudaram os novos escritores a se arrojarem um pouco mais. Basta um blogar um texto, que mais meia dúzia pensar "eu também posso". O cinema também contribuiu muito para isso, visto que uma boa parte dos filmes campeões de bilheteria são FC ou fantasia, gerando mais fãs e possíveis leitores.

O que alimenta a ficção científica não é só a fantasia, mas a ciência. Se há ciência visível para o público, há ficção científica. Arthur Clark e Asimov cresceram como autores na Corrida Espacial, onde havia um clima de otimismo geral, quando todos sonhavam com a ida às estrelas, nem que num futuro longínquo. Ou pessimista, onde a paranoia de uma guerra nuclear total geravam livros e filmes apocalípticos ou pós apocalípticos (Dr. Fantástico, de Kubrick, por exemplo).

Do tripé do gênero fantástico (fantasia, horror e ficção científica), a ficção científica é a que menos cresceu no Brasil, justamente pela ausência de ciência nativa, pelo menos de forma visível, embora exista muita tecnologia (não nativa) no nosso dia a dia.

O que está alimentando a FC (tanto internacional quanto nacional) atualmente é o cenário funesto composto pelo aquecimento global, o terrorismo, o enfraquecimento do Estado e o fortalecimento das empresas como condutoras dos destinos da humanidade (Cobb, o protagonista de Inception, é um espião industrial, em Avatar, quem ocupa o planeta é uma empresa mineradora).

No Brasil, quem está impulsionando a FC são em sua maioria autores oriundos da chamada Segunda Onda de FC, como Roberto Causo e Gerson Lodi-Ribeirro, ou influenciados por ela, como é o meu caso. Um grande impulso á FC nacional veio do escritor Nelson Oliveira, que tem cutucado o meio editorial e acadêmico, chamando atenção para o gênero. Nelson Oliveira coloca a literatura do chamado mainstream como estagnada e os novos ares deveriam vir justamente da rejeitada Ficção científica.

A dificuldade principal da FC brasileira continua sendo descobrir sua linguagem própria, livre do "complexo de vira-lata". Uma importante alternativa são os subgeneros de história alternativa ou do stempunk. Em ambos é possível buscar temas brasileiros. No caso da história alternativa, podemos escolher um evento histórico, escolher um outro resultado (por exemplo a Inconfidência Mineira ter tido sucesso) e fazer um exercício imaginativo de como Brasil seria nos dias de hoje. No caso do Steampunk (ou Vaporpunk) podemos criar uma aventura no Segundo Reinado, onde, por exemplo, o radio do padre Landel de Moura tivesse sido um sucesso, transformando o Brasil numa potencia mundial.

Bugman lerá Sombras e Sonhos


Bugman Email • 17:00:03 • LivrosPermalink 25 comentários
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