Meu Malvado Favorito Tweet

Correndo atrás do prejuízo, a Universal resolveu entrar no mercado das animações em CG estilo Pixar e DreamWorks. Contrataram o produtor de A Era do Gelo (da rival FOX) e resolveram apostar num filme com um vilão como protagonista (interpretado pelo fodão Steve Carell). O resultado é Meu Malvado Favorito (Despicable Me, no original), que estreia hoje nos cinemas.
Na animação, assim como nos filmes tradicionais, existem várias categorias de bons filmes. Existem aqueles com grandes histórias, qualidade técnica apurada, narrativa inovadora, personagens muito bem desenvolvidos. Geralmente são aqueles que viram os filmes favoritos de muita gente, aqueles que você guarda com cuidado para rever de vez em quando. Geralmente as animações da Pixar são assim.
E há aqueles que são despretensiosos e só querem fazê-lo dar boas risadas, porém sem descuidar da parte técnica caprichada. A Era do Gelo é um bom exemplo. E, não por acaso (já que possuem um "DNA" comum), Meu Malvado Favorito entra nessa categoria.

A trama é rasa e previsível. Um grande vilão é ameaçado pela chegada de um vilão mais jovem e com armamentos mais poderosos. Ele se vê obrigado a adotar três menininhas para concretizar seu plano de enganar o outro vilão e cometer o maior crime de todos os tempos: roubar a Lua. Mas é claro que ele acaba se afeiçoando às três irmãs, mudando completamente seus planos e sua vida.
Pronto, você já sabe como o filme começa, se desenvolve e termina. Não há grandes surpresas, mas há grandes piadas, principalmente gags visuais. E o encadeamento acelerado de piadas é o ponto forte do longa. Chega-se ao extremo de perder uma piada por ainda estar rindo da anterior.

Infelizmente, não podemos conferir o talento de Steve Carell por aqui (todas as cópias são dubladas). O personagem Gru (o vilão interpretado originalmente por Carell) é feito aqui por Leandro Hassum, enquanto que o seu adversário Vetor [uma cópia descarada do Nerd Reverso! Vou processar esses caras!] ganhou a voz de Marcius Melhem (pra quem não reconheceu os nomes, são aquela dupla de gordo e magro de Zorra Total e outros humorísticos da Globo).
O Gru de Hassum é engraçado pelo personagem, mas não transparece na interpretação a graça do humorista, talvez por causa da preocupação em fazer direito o sotaque carregado do vilão (que parece algo como um sotaque alemão estereotipado). Já ao carioquês carregado de Melhem salva o personagem Vetor, que por si só não tem muito carisma.

Os dois adversários vilões, aliás, são o grande problema do filme. No início tentam dar ao Gru um grau de maldade e sadismo como o do Síndrome de Os Incríveis, mas desde o início se vê que ele não é tão mau assim (até concordo com algumas coisas que ele faz!). Já o Vetor, que deveria ser o "vilão do vilão", é apenas um pateta riquinho e não chega a representar uma ameaça real que deixe o espectador preocupado com o destino dos outros personagens.
Aí, mais uma vez, a força do longa fica com as piadas e com os personagens que as geram: as três meninas, Margo, Edith e Agnes (as dubladoras cujos nomes desconheço estão de parabéns!), e os fantásticos asseclas amarelos chamados simplesmente de "minions" (não faço ideia de por que não traduziram, mas tudo bem). A interação entre eles e deles com o Gru e o Vetor valem cada centavo do ingresso.

O recurso do 3D não faz diferença na maior parte da narrativa. Os importantes momentos de exceção são o passeio de montanha-russa em primeira pessoa (o trailer não dá noção do quanto é bacana!), as cenas no espaço e uma sequência hilária durante os créditos finais em que dois minions disputam quem consegue chegar mais perto da tela, chegando também cada vez mais "perto" do espectador. Imagino que seja algo exclusivo das cópias em 3D, porque a piada só faz sentido com o uso dessa tecnologia.
Mesmo não sendo algo que se diga "poxa, mas que grande barriga, Senhor Filme", Meu Malvado Favorito fez sucesso lá fora e já tem confirmada uma continuação com lançamento programado pra 2013 (se o mundo não acabar antes!). De forma geral, a história bobinha porém simpática não ofende sua inteligência e é mais do que compensada pelas boas piadas e personagens fofinhos que vão virar bonequinhos cobiçados pela gurizada. Não é um filme que vai mudar sua vida, mas vai fazer você gargalhar bastante e sair do cinema se sentindo mais leve.
Nota: 7.
Vejam aí o trailer:
PS: Os minions mereciam uma série animada só deles no estilo de A Pantera Cor-de-rosa; sem falas, só efeitos sonoros e música. Seria supimpa!



