Melhores do Mundo

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Ago 2

Scott Pilgrim’s Finest Hour

Poucas HQs fora do mainstream foram tão comentadas pela mídia especializada nos últimos anos quanto Scott Pilgrim. A expectativa pelo sexto volume (que sairá no terceiro volume da edição nacional) era enorme, ainda mais com o filme pros cinemas a caminho.

Mas será que o capítulo final da saga escrita por Bryan Lee O’Malley é bom mesmo? Ou será que só vai agradar aos indies como o Change e o Mallandrox?

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Quando li alguns sites gringos elogiando Scott Pilgrim, parecia ser só mais um quadrinhozinho indie falando de seus adolescentes de vinte e tantos anos. Porém, com o número de referências a videogames e animes aumentando no decorrer da história, lá pelo terceiro volume Scott Pilgrim se tornou uma quase-unanimidade.

Quando o Change voltou de Nova York, cumpriu seu protocolo de fanboy indie e trouxe os cinco volumes de Scott Pilgrim até então publicados. Aproveitei e peguei emprestado pra ver se realmente era algo que valia a pena ler ou só mais uma série que gera muito barulho por nada (cof cofHarry Potter cof cof).

Apesar do começo babaquinha igual a toda HQ que fala dos tais adolescentes tardios, a história engrena a partir do momento que a ação da narrativa é mostrada como o gameplay de um videogame. Daí por diante, é diversão garantida.

Hoje todo mundo adora Scott Pilgrim, e seu criador, Bryan Lee O’Malley, já tem o reconhecimento pela sua obra e uma legião de fãs. Faltava só terminar a série.

O tão esperado sexto e último volume saiu recentemente lá fora. A maioria das críticas gringas foi bastante elogiosa. Mas acho que não é pra tanto.

No início do volume, vemos o protagonista largadão em casa, pois não quer mais pensar em toda a confusão com a Ramona. Seu colega de quarto Wallace age como a voz do autor nesse momento. Ele sabe (como nós sabemos) que ele terá que enfrentar Gideon para que a história termine e declara que cedo ou tarde isso terá que acontecer.

Daí por diante, acompanhamos toda a inércia de Scott, mas ao mesmo tempo vamos vendo o desenrolar dos acontecimentos que vão gerar o encontro inevitável entre Scott e Gideon. Sem estragar a supresa, é lógico que rola uma porrada (mesmo que não seja exatamente a que imaginamos a princípio).

Bom, a trama se resolve, não há do que reclamar nesse aspecto. O problema é como a narrativa se apresenta. O volume quase todo fica naquele climinha de gibi indie do início da primeira edição.

Para resolver todos os conflitos e amarrar as pontas soltas que foi deixando pelo caminho até chegar a esse ponto, O’Malley sacrificou boa parte da diversão em nome do desenvolvimento de personagens. Por exemplo, como o Change comentou comigo, não faz sentido querer tornar o Gideon um personagem tão aprofundado quanto os outros só na metade final do último volume.

O grande barato da série era estar lendo uma típica DR e ser interrompido por um ninja em plena luz do dia, que corta um ônibus ao meio para pegar o protagonista. Falta esse tipo de surpresa aqui.

Mais ainda, as sensacionais citações a videogames (que vinham aumentando a cada edição) estão bem escassas aqui. No que deveria ser o volume mais caprichado da série, não há um elemento surpreendente e divertido como a homenagem colorida à tela de abertura do Sonic de uma das edições anteriores.

Finest Hour passa a impressão de que O’Malley se deixou soterrar pelas tramas e relações entre personagens que criou e precisou correr na resolução, deixando de lado os elementos dispensáveis (mas que eram o charme do gibi).

Ou isso, ou a opção ainda pior: na cabeça do autor, a parte importante de sua obra seria justamente aquela igual a de tantos outros gibis, e toda a maluquice divertida seria apenas pra encher páginas e chamar a atenção dos leitores que gostam de gibis descompromissados. Se o pensamento foi esse, então o gibi Scott Pilgrim que tantos adoram seria um desperdício.

No fim das contas, tudo é resolvido de maneira competente, mas não satisfatória, por causa da expectativa que a própria revista criou. No conjunto da obra, as edições centrais ofuscam as de abertura e encerramento, o que é uma pena.

Scott Pilgrim e alguns dos outros personagens da série certamente farão parte do imaginário pop dos próximos anos, principalmente se o vindouro filme for bem-sucedido como o gibi. Mas, ao contrário do que muitos vêm opinando, por maior que seja a importância e a qualidade da obra (e realmente acho que vale uma leitura), não acho que deve ser considerada um dos melhores gibis da década.

Nota: 7.


Nerd Reverso Email • 15:00:23 • Quadrinhos, A gente lemosPermalink 25 comentários
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