Melhores do Mundo

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Jul 20

Magneto: Testamento

Sabe, estava esperando esse título chegar no Brasil há muito tempo. Não achava que a Panini fosse publicá-lo aqui - muito menos em uma edição de luxo, com capa dura e papel de alta gramatura. Desta vez, palmas para a editora.

Ah, tem SPOILER!

[Mais:]

Na história, Greg Pak vai contar a história do jovem Magneto na época da Segunda Guerra Mundial. Como o Mestre do Magnetismo foi parar nos campos de concentração e como ele conseguiu sair de lá.

Quando eu soube que a Marvel investiria em um projeto que envolvesse a Segunda GM e os campos de concentração, fiquei com o pé atrás. A Segunda Grande Guerra sempre foi um assunto que mexeu muito comigo na época do colégio. Eu devorava livros e livros sobre o assunto. Eu não queria que a história da infância do Magneto fosse mais uma papagaiada fantasiosa como foi o filme A Vida é Bela, de Roberto Benigni - tá, é um bom filme, mas está longe de ser a realidade. Porra, Benigni conseguiu suavizar os campos de concentração!!!

E fiquei muito feliz em saber que Greg Pak não foi por esse caminho. Você não verá Magneto parando as balas dos nazistas com seus poderes e liderando a fuga dos campos de concentrações. Os únicos poderes que o jovem Magnus consegue usar é uma primitiva detecção de metal, onde ele consegue identificar os ouros das arcadas dentárias dos judeus e ciganos mortos nos campos para usá-los como moeda de troca.

Greg Pak se manteve como pôde na história. Há dezenas e dezenas de referências a acontecimentos reais. Na própria revista, Pak disse que teve uma grande assessoria de professores e estudiosos da Segunda Guerra. E é por isso que não vemos aqui um gibi de super-herói.

Talvez por ser um gibi que se preocupa demais com a fidelidade histórica, ele seja pouco palatável para o leitor comum.

A busca por esta fidelidade foi tanta que até torna Magneto: Testamento uma história extremamente triste. Nada que o jovem Magneto tenta fazer dá certo. Todos os seus amigos morrem, sua família morre, ele nunca consegue escapar do campo de concentração e Magnus ainda tem que trabalhar na fornalha onde os corpos dos judeus são cremados.

Magnus, aliás, chega a queimar quase 500.000 corpos de judeus e ciganos dos campos de concentração. Em uma das cenas mais horríveis da revista, Magnus é forçado a queimar seu antigo professor do colégio, que ainda estava moribundo.

É uma revista triste e angustiante. Está longe - MUITO longe - de chegar aos pés de Maus, a melhor HQ que eu já li na minha vida. Muito longe mesmo.

Porém, Magneto: Testamento é uma publicação corajosa - principalmente se levarmos em conta que ela vem da editora do Hulk Vermelho. Não me lembro de ter visto na Marvel e DC uma publicação tão boa sobre a Segunda Guerra.

Greg Pak e o desenhista Carmine Di Giandomenico (um Tim Sale genérico), apesar de usarem um mutante com poderes magnéticos como protagonista, tentam criar a história mais verossímil possível sobre a Segunda Guerra e os campos de concentração.

E até que conseguem, levando em conta que ela não é uma história feliz e que o Capitão América não aparece para salvar tudo no final.

Nota 10.


(X-Men: Magneto Testament #1-5)
Edição especial, formato americano, 132 páginas, capa dura, papel couchê, distribuição setorizada, R$ 22,90.


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