Capitão América: A Escolha Tweet

Bom, a Panini já havia anunciado há algum tempo os selos de Marvel Knights para gibis de luxo, com capa dura, vendidos a 22,90 cascalhetas.
E aí? Vale a pena?
Vou tentar fazer o review de todos aqui sobre essa iniciativa da Panini.
Vamos lá. Em Capitão América: A Escolha, vemos David Morrell escrevendo a última história do velho Steve Rogers. Para quem não sabe, Morrell é o criador do Rambo! É dele o livro First Blood, série que inspirou o personagem do Stallone. Além dele, vemos o fodaçaralho Mitch Breitwiser nos desenhos.
No gibi, acompanhamos duas histórias independentes que acabam se cruzando: de um lado, vemos a vida de um soldado norte-americano no Afeganistão. Do outro, o Capitão América deitado em uma cama, cheio de tubos pelo corpo (calma, isso não é um gibi japonês de sacanagem), em seus últimos dias de vida.
No meio da batalha, o soldado norte-americano começa a ter visões do Capitão. Steve aparece diversas vezes na frente dele - seja para ajudá-lo no combate ou para apenas dar conselhos. E é aí que a história se cruza.
Morrell faz uma história... bem... interessante. Quer dizer, ele é o cara que escreveu o Rambo, né? Então você precisa relevar algumas baboseiras nacionalistas - ou encarar o roteiro como se fosse contado por um soldado norte-americano, que realmente acredita em sua visão unilateral da guerra.
A história basicamente envolve a grande questão: o que é preciso para ser um herói? Durante a história, Steve guia o soldado em sua jornada do herói, para superar todos os obstáculos da guerra que ele está travando.

Para contar essa história, Morrell passou por alguns terrenos perigosos - principalmente para fãs putinhas com coerência dos poderes dos super-heróis. Não vou dizer o que ele mudou nos poderes do Capitão, mas digamos que o soro do supersoldado não só melhorou o corpo de Steve, mas como também sua mente.
Porém, não se esqueça que o propósito dessa série Marvel Knights é justamente se afastar da cronologia e dos conceitos normais dos super-heróis. Encare esse selo como um gibi do Hellboy: não precisa tanto compromisso com uma produção mensal e o que vale são boas histórias contadas, mesmo que, para isso, Morrell tenha que ignorar tudo o que já foi feito até hoje sobre o Capitão - até os retcons do Brubaker.
Resumindo: Capitão América: A Escolha é um gibi bacaninha, que vale muito mais pela arte do que pelo argumento em si, que tem doses exageradas de nacionalismo barato e preconceito (todos os inimigos do Afeganistão são fisicamente iguais - o próprio soldado admite). E muitas vezes os diálogos e cenas do roteiro de Morrell beiram ao piegas, pois ele tenta mostrar o verdadeiro significado da jornada do herói.
Se saísse em uma edição especial de capa mole e papel vagabundo, por uns 12 tutus, eu diria que valeu a pena. Mas isso aqui é uma edição especial cara, de 23 cascalhos.
Se eu fosse você, deixaria passar.
Nota 7
(Captain America: The Chosen 1-6)
Edição especial, formato americano, 148 páginas, capa dura, papel couchê, distribuição setorizada - R$ 22,90.



