O fim de uma era - por Rodney Buchemi Tweet

Frank Frazetta, um dos maiores artistas da arte fantástica, faleceu na madrugada do dia 9 para o dia 10 deste mês, aos 82 anos, vítima de um derrame cerebral, após um jantar de dia das mães, que também é celebrado lá fora.
Segundo notícias, Frazetta já vinha lutando contra vários problemas de saúde durante os últimos anos, dentre eles um problema que afetou seu braço direito, em consequência de vários derrames, fazendo-o trabalhar com o braço esquerdo(êita!).
Além de problemas de saúde, Frazetta enfrentou processos judiciais pelo uso indevido de seu nome na publicação de livros pela Vanguard Productions e problemas familiares, como a morte de sua esposa Ellie Frazetta em 17 de julho de 2007, vítima de câncer, e a prisão de seu filho, Alfonso Frank Frazetta, de 52 anos, por tentar roubar 90 quadros de seu pai do Frazetta Art Museum em 10 de dezembro de 2009, avaliadas em 20 milhões de doletas.
Frazetta nasceu em 1928 no Brooklyn, NY, e desde cedo já vinha desenvolvendo seu talento para a pintura e desenho. Sua carreira começou com tiras de jornal aos 16 anos assinadas com o pseudônimo de Fritz, e teve trabalhos publicados pelas editoras EC Comics, National Comics e Avon.
Aos 24 anos, Frazetta cria uma versão de Tarzan para Magazine Enterprises, Thun'Da, única publicação escrita e desenhada inteiramente pelo artista.
Após alguns trabalhos com quadrinhos, Frazetta começa sua jornada na pintura, que caracterizaria seu estilo único e fantástico, compondo capas para revistas como Vampirella, Creep, Eerie, Blazing Combat e Straight Arrow.

Mas foi o seu trabalho em Buck Rogers, da revista Famous Funnies, que chamou a atenção do criador de Ferdinando, o Sr. Al Capp, o qual não só passaria ao artista as tiras de jornal do personagem, como também faria Johnny Comet junto com ele. Frazetta ainda ajudaria Dan Barry no famoso personagem Flash Gordon durante 9 anos.
Devido ao rigor da censura na década de 60, período difícil para artistas de HQs, Frazetta passou a ter um estilo que havia se tornado antiquado para época, mas fora ajudado por Harvey Kurtzman, que lhe ofereceu um trabalho para Playboy com as tiras de Little Annie Fanny.
Na mesma década, Frazetta troca os quadrinhos pelo cinema. Seu primeiro trabalho foi para o filme What's New Pussycat? da United Artists e o seu pagamento seria maior do que o seu salário recebido por um ano de trabalho para uma ilustração feita numa tarde. Nesse período ele viera a ilustrar cartazes de filmes famosos como Um Convidado Bem Trapalhão, Os Seus , Os Meus e Os Nossos, dentre muitos, até se interessar a ilustrar capas para livros de aventura e fantasia, sendo sua capa mais famosa a de Conan, The Adventurer, personagem de Robert E. Howard, levando Frazetta a um novo nível de sua carreira.
A pintura para a capa do romance Conan, The Conqueror, de 1967, foi vendida em 2009 por um milhão de verdinhas!!!

Sua demanda aumentara signifitivamente em consequência de seu estilo único e dinâmico, passando a pintar capas de romances de aventura fantasiosa, ficção científica e terror.
Frazetta foi um dos primeiros artistas a ilustrar alguns dos personagens de Tolkien de sua célebre trilogia O Senhor dos Anéis, assim como fora o primeiro a dar uma imagem ao bárbaro mais cultuado dos quadrinhos, Conan, que influenciaria os desenhistas Barry Windsor-Smith e, posteriormente, John Buscema no título do bárbaro para Marvel Comics.
Além de cinema, HQs e capas para lívros, Frazetta ilustrou capas para discos de bandas famosas, como Moly Hatchet, Ingwie Mamsteen, Nazareth, Dust e Wolfmother. Este último se utilizou de várias obras do artista, sendo uma delas a famosa The Sea Witch que foi usada no álbum de estreia da banda.
Em 1983, Frazetta fora chamado para trabalhar ao lado do diretor Ralph Bakshi no longa-metragem animado Fire and Ice, onde teve total controle criativo da obra. Aqui no Brasil o filme foi lançado em DVD em 2005.
Em 2003, a trajetória de Frazetta se torna um documentário chamado Frazetta: Paintings with Fire.
Também em 2003 e 2008, a editora Image Comics lança revistas em quadrinhos sobre seu personagem mais célebre, Death Dealer, assim como outras duas de suas pinturas clássicas se tornariam HQs, Swamp Demon e Dark Kingdom, também publicadas pela Image.
Conheci a arte do Frazetta através de um grande amigo meu e mentor, o Mozart Couto, que me falou de suas influências e citou o nome do Frazetta.
Daí fui pesquisar sobre o cara e me fascinei diante de tão bela arte.
Em 2001, estive na Comic-Con de San Diego e pude comprar o livro de ilustrações do Frazetta que viria a mudar todo o meu conceito sobre a arte fantástica, o ICON, A Retrospective by Frank Frazetta.
Até hoje eu o uso como referência para composição de alguma ilustração que eu venha a fazer e também uso o nome Frazetta para mostrar aos meus alunos que existia um artista que influenciou e influencia muitos artistas de renome e novas gerações com um estilo de desenho e pintura incomparáveis que se tornou um legado a ser seguido e admirado por muitos.
Posteriormente, comprei também o Testament: The Life and Art of Frank Frazetta, que se tornou, junto com o ICON, referência obrigatória para o meu desenvolvimento como artista.
Obrigado, Mestre Frazetta, por todo o seu legado artístico e por fazer com que eu conhecesse um outro mundo através de sua arte!

Descanse em paz, Mestre Frazetta!
Rodney Buchemi é desenhista profissional.



