Como Treinar o seu Dragão Tweet

Diferente das animações da Pixar, de quem sou a maior puta assumida, eu não vou muito com a cara da DreamWorks Animation. Tanto que, das 17 animações, eu só assisti nove.
O motivo disso é que toda história segue a mesma sinopse (personagem abaixo da média é surpreendido por algum fato e se torna fantástico) - Shrek, O Espanta-Tubarões, Bee Movie e Kung Fu Panda são assim - sem falar dos problemas sempre serem resolvidas da forma mais fácil e rápida possível e as lições de moral enfiadas goela abaixo.
Por causa disso, eu não estava nem um pouco a fim de ver esta nova animação do estúdio, mas após ler algumas boas críticas na internet (e não, eu não vou dizer quais eram e não vou botar o link - boa vizinhança na blogosfera é o meu ovo esquerdo), resolvi dar uma chance e assisti-lo.

Bem, e tenho que dizer que o estúdio manteve alguns erros. Como Treinar o seu Dragão conta a história de Soluço, um viking bucha que não consegue ser um matador de dragões como o resto da vila. Um dia, ele consegue capturar um Fúria da Noite, o dragão mais temido pelos humanos, mas não consegue matá-lo. A partir daí, ele cria uma relação de amizade com a criatura e percebe o quanto eles podem ser amigáveis...
Como pode ter percebido na minha sinopse de merda, o argumento da história é o mesmo que a DreamWorks já tá cansada de usar e que eu falei no primeiro parágrafo do meu texto. Além disso, eles permanecem com os momentos forçados, como o pai do guri dizendo que o ama logo antes da batalha e o desnecessário beijo no final do filme (sim, tô reclamando de beijo de novo), mas devo confessar que essa animação acerta sim em outras questões.
Eles finalmente perceberam como algumas vezes o sutil e não dito pode ser mais significativo que o dito e declarado. Banguela, o Fúria da Noite capturado por Soluço, não precisou dizer uma palavra para vermos o quanto ele se importava com seu amigo humano. Não precisou ter um diálogo como teve em Shrek sobre o significado de amizade. Não! É algo nítido nas cenas.

O dragão em si explode carisma e espontaneidade! Banguela mistura os comportamentos de gatos e cachorros para o público conseguir identificá-los, o que dá muito certo! A cena em que Fúria da Noite encosta sua cabeça na mão de Soluço consegue ser bonita e sutil ao mesmo tempo sem precisar de um animal gigante com a voz do Eddie Murphy falando "OLHA ISSO, É A PRIMEIRA VEZ QUE UM HUMANO TOCA EM UM DRAGÃO! CACILDA!".
Além disso, eles finalmente conseguiram criar um final em grande estilo para seus personagens. A batalha entre os dragões é emocionante e te deixa a mão grudada na cadeira! E após esse combate aconteceu algo que eu achei extremamente fodástico! Algo inédito para uma animação infantil e que me pegou completamente de surpresa!

Só mais dois detalhes importantes para falar de Como Treinar o seu Dragão:
:: As cenas de voo são ótimas! Lindas mesmo! A técnica da DreamWorks sempre foi o ponto alto de seus trabalhos e continua sendo.
:: Eu vi em 3D... E sinceramente não imagino como alguém iria ao cinema não fazer o mesmo! É o que eu disse em Coraline: é outra experiência!
Finalizando, Como Treinar o seu Dragão possui uma série de erros que a DreamWorks persiste em achar legais, mas possui também muitos acertos e, graças à tecnologia 3D, digo que, na minha opinião, é a melhor animação do estúdio até agora! Mas ainda não pode lutar cabeça a cabeça com a Pixar, lamento!
Nota 8,5



