Morre Glauco Villas Boas, criador do Geraldinho! - ATUALIZADO Tweet

Dois homens armados invadiram a casa do cartunista da Folha de S. Paulo e assassinaram o artista. No episódio, um dos dois filhos de Glauco também foi assassinado.
O artista morava em Osasco, em uma montanha da região. O crime ocorreu nesta madrugada. A Folha explica como a trágica situação aconteceu:
De acordo com informações de Ricardo Handro, advogado de Glauco, os dois homens invadiram o local por volta da meia-noite. Glauco negociou com os bandidos e iria sair de casa com a dupla, deixando a mulher e os filhos em casa.
Quando deixavam o local, Raoni chegou em casa e houve uma discussão com os assaltantes, que atiraram e mataram pai e filho.

Glauco iniciou sua carreira nos anos 70 e teve como companheiros Laerte e Angeli. Após ser premiado pelo Salão de Humor de Piracicaba, começou a publicar suas tiras na Folha. Meu personagem favorito dele era o escrachado Geraldão, mas ele também publicou outros como Cacique Jaraguá, Dona Marta, Zé do Apocalipse e Edmar Bregman.
Assinantes da Folha podem conferir suas tiras aqui. É triste começar uma manhã dessa forma. A violência no Brasil vai crescendo, todo mundo que lê este post deve conhecer pelo menos um episódio do gênero. Ficam os nossos votos para que Glauco, seu filho e toda família possam ficar em paz.
Atualização: O Conselho Consultivo Do Salão Internacional De Humor De Piracicaba divulgou uma nota sobre a tragédia:
CONSELHO CONSULTIVO DO SALÃO INTERNACIONAL DE HUMOR DE PIRACICABA
NOTA OFICIAL
VIOLÊNCIA MATA GLAUCO, GRANDE CARTUNISTA BRASILEIRO.A violência em São Paulo, mais uma vez, mata e empobrece a cultura brasileira. Aos 53 anos, no auge de sua produção artística, morre assassinado por assaltantes em sua casa o cartunista paranaense Glauco Villas-Boas, radicado em Osasco.
Glauco, como era conhecido, foi descoberto pelo jornalista José Hamilton Ribeiro, então diretor do “Diário da Manhã”, em Ribeirão Preto, interior paulista. Lá começou a publicar suas tiras cômicas.
Mas, foi na 4ª edição do Salão Internacional de Humor de Piracicaba, em 1977, ao conquistar um dos prêmios, que Glauco foi projetado no cenário artístico brasileiro e internacional. Com seu imenso talento, criatividade, estilo único e, em especial, humor inteligente baseado no comportamento da nossa sociedade, que Glauco saltou, ainda no mesmo ano, para as páginas da “Folha de S. Paulo”.
Em 1984, a mesma “Folha” abriu espaço diário para a nova geração de cartunistas brasileiros. Glauco estava entre eles e, assim, ficou conhecido em todo o País. Surgiram seus principais personagens: Geraldão, Zé do Apocalipse, Dona Marta, Doy Jorge, Casal Neuras, Geraldinho e outros. Multimídia, Glauco também era músico e se apresentava em bandas de rock. Integrou a equipe de redatores do “TV Pirata” e do “TV Colosso”, programas apresentados pela TV Globo. Publicou livros de humor.
Em plena Era Digital Glauco continuava fiel à prancheta, desenhando à mão com nanquim. Usava o computador apenas para colorir os trabalhos, depois de escanear cada um deles. Glauco registrou, a cada momento, as transformações pelas quais passou o mundo, o Brasil. Era um profundo conhecedor e critico da alma humana, mas sempre de maneira bem humorada, provocando reflexões.
O Brasil e o mundo perdem um de seus maiores cartunistas.
Restam, diante de mais esta tragédia, as perguntas:
- Senhores governantes, até quando?
- Quantas vidas ainda faltam para que seja colocado um basta na violência?RICARDO VIVEIROS
Presidente do Conselho Consultivo
do Salão Internacional de PiracicabaZÉLIO ALVES PINTO
Vice-presidente do Conselho Consultivo
do Salão Internacional de Piracicaba
Bugman ainda está por aqui, mas não vai ficar em paz com isso não...



