Melhores do Mundo

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Jan 15

Post do Leitor #33: Top 16,5 Adaptações Imperdíveis de Sherlock Holmes

A verdade que nós do MdM cagamos litros para a nova aventura cinematográfica de Sherlock Holmes. Metade já viu o filme, mas Nós Vimos que é bom, necas de pitibiriba.

Como a gente não entende de porra nenhuma também do maior detetive do mundo (depois do Bátiman), o leitor Guilherme Martins, o Corto Maltese, preparou um Top com outras adaptações do personagem!

[Mais:]


Aproveitando que está em cartaz o filme de Guy Ritchie estrelado por Robert Downey Jr. no papel do maior detetive do mundo, vamos relembrar algumas outras versões que adaptam a obra e os personagens de Sir Arthur Conan Doyle.

Não inclui na lista a série inglesa, nem a russa, que são bastante fiéis às obras originais de Conan Doyle, nem outras paródias como O Irmão Mais Esperto de Sherlock Holmes, mas elas merecem ser citadas. Afinal, existem mais de 120 filmes estrelados pelo detetive da Baker Street.

Também só coloquei versões audiovisuais, excluindo os apócrifos exclusivos da literatura como A Solução Final e Um Pequeno Truque da Mente, que mostram Sherlock Holmes lidando respectivamente com o Holocausto e a Bomba Atômica, porque seria impossível organizar todas com um mínimo de justiça. Estipulei uma lista de versões que, independente da sua qualidade, merecem ser conferidas pra quem é fã do personagem:


16 - Sherlock Holmes nos anos 90

Na década de 90 do século 20, em São Francisco, a Dra. Winslow encontra o detetive Sherlock Holmes em estado de animação suspensa a cerca de 80 anos, fruto de uma experiência do próprio detetive, e o desperta. Holmes tenta então se adaptar a um novo mundo enquanto ajuda a polícia a enfrentar um descendente de seu arquiinimigo, o Professor Moriarty. Nos filmes de Basil Rathbone o personagem já era mostrado fora de sua época, mas em O Retorno de Sherlock Holmes (Baker Street: Sherlock Holmes Returns, 1993) o salto não foi de alguns anos e sim de muitos.

Esse longa-metragem era o piloto de um série de TV (que graças a Deus nunca vingou) e é fortemente influenciado pelos filmes policiais dos anos 80 como Máquina Mortífera e 48 Horas, com pitadas de humor em meio a ação. Pois só com muito senso de humor mesmo pra ver Holmes adaptar todo seu conhecimento e análise prum universo onde ele é quase um alienígena, só contando com a compreensão da Dra. Winslow. Aliás, também é curioso ver uma mulher se fazendo de Watson.

Por que é imperdível?
Por mais que soe bizarro, não dá pra ignorar uma aventura Holmes na nossa época! É inusitado demais! Uma cena particularmente hilária é do detetive num bar dialogando com uma mulher que ele deduziu só de olhar ser casada. "Sua postura é de quem já teve filhos, seu dedo tem marcas de que você arrancou a aliança após brigar com seu marido etc., etc, etc.".


15 - Sherlock Holmes no Brasil

Baseado no livro homônimo de Jô Soares, o filme O Xangô de Baker Street (2001) mostra a célebre atriz francesa Sarah Bernhardt (Maria de Medeiros) em turnê pelos palcos brasileiros na época do Segundo Império quando seu amigo D. Pedro II (Claudio Marzo) lhe confidencia que um raro violino Stradivarius que seria presente para sua amante baronesa foi roubado. Sarah sugere ao imperador pedir os serviços de seu amigo Sherlock Holmes (interpretado por Joaquim de Medeiros), que vem ao Brasil acompanhado de seu inseparável amigo, o Dr. Watson (Anthony O'Donnel). Enquanto Homes e Watson aprontam todas para tentar se adaptar a uma terra estranha, um serial killer ataca várias mulheres, com o curioso hábito de deixar uma corda de violino na genitália das vítimas.

Tanto Jô Soares quanto o diretor Miguel Faria Jr. usaram a comédia na tentativa de humanizar Holmes. Daí mostrá-lo pagando vários micos no nosso país, inclusive se apaixonando por uma brasileira, Ana Candelária (Thalma de Freitas). Mas é imperdoável que isso afete sua capacidade como investigador. O final é ridículo, com o PRÓPRIO assassino arranjando desculpas para o detetive não tê-lo capturado! A frágil referência a Jack, O Estripador a mim só serviu pra piorar ainda mais o que já não estava bom.

Por que é imperdível?
Pela mesma razão do anterior. Apesar dos pesares, é impossível não conferir uma história de Sherlock Holmes no Brasil, ainda que seja o Brasil Império. Com direito a passagens pra lá de nonsense, como Holmes inventando a caipirinha e Watson recebendo uma pomba gira!


14 - Holmes, Sherlock Holmes

Após finalmente levar o Professor Moriarty (o famoso diretor John Huston dando uma de ator) a julgamento, Holmes (aqui vivido por Roger Moore!) vê seu rival fugir para os Estados Unidos. No rastro do criminoso o detetive e Watson (Patrick Macnee) acabam reencontrando Irene Adler (Charlote Rampling) na terra do Tio Sam e Holmes descobre que eles podem ter tido um filho juntos! Nisso, Moriarty sequestra Irene e planeja um grande roubo de barras de ouro que abalaria toda a economia local.

Na minha opinião essa produção pra TV, Sherlock Holmes em Nova York (Sherlock Holmes in New York, 1976), fez o mesmo que Guy Ritchie tenta fazer agora. Modernizar o personagem de Conan Doyle para deixá-lo mais ao gosto do público atual, ou seja, massa véio. Daí chamar o então 007 Roger Moore pro papel, o que fez muita gente torcer o nariz, e criar uma trama onde Sherlock Holmes e Irene Adler teriam chegado às vias de fato, quando a obra original apenas dava a entender uma paixão platônica.

Por que é imperdível?
Com a popularidade recente de Adler não deixa de ser interessante conferir um longa onde ela e Holmes são declaradamente amantes e que ainda por cima mostra um suposto filho do detetive.


13 - Sherlock Holmes da Disney

Longa-metragem animado da Disney, As Peripécias de um Ratinho Detetive / O Ratinho Detetive (The Great Mouse Detective/The Basil Baker Street, 1986), baseado na série de livros infantis de Eve Titus, mostra o rato detetive Basil, ajudado pelo Dr. Dawson, investigando o rapto do dono de uma fábrica de brinquedos chamado Flaversham pelo vilão Ratagão, atendendo ao pedido da filha da vítima, Olívia. No correr da aventura eles descobrem que Ratagão está conspirando para se tornar rei da Inglaterra.

Esse filme foi feito numa época conturbada dos Estúdios Disney. Por isso a animação não está a altura de outros trabalhos feitos por eles, além do enredo não ser dos mais inspirados, apenas seguindo clichês das histórias de Conan Doyle entremeados com números musicais. Provavelmente numa tentativa se suavizar um material pesado para o consumo infantil os personagens são animais e não humanos.

Por que é imperdível?
Mesmo com todos esses contras o que torna a animação um clássico são os detalhes: Quando a silhueta do próprio Sherlock Holmes aparece ele é dublado por Basil Rathbone (que também é homenageado no nome do protagonista), Vincent Price faz o vilão e Henri Mancini compôs a trilha sonora. E por pouco Michael Jackson não cantou uma das canções do longa.


12 - Sherlock Holmes X Arsene Lupin

Arsene Lupin foi criado pelo escritor francês Maurice Leblanc> para ser tão representativo pra França quanto Sherlock Holmes era para a Inglaterra. Assim, Leblanc criou o famoso ladrão de casaca, que cometia seus crimes sempre com astúcia e elegância. Se Holmes ficou marcado pelo boné e o cachimbo, Arsene Lupin tinha a cartola e o monóculo. E Leblanc era bem esperto, pois usou o personagem de Conan Doyle, que era seu contemporâneo, em suas histórias para confrontar Lupin. Claro que o autor inglês não gostou nada disso e seu colega francês passou a usar nos livros o esquisito nome de Herlock Sholmes, com direito a um assistente chamado Wilson, que seria uma versão totalmente idiotizada do Watson.

Bom, essa rivalidade seguiu por anos a fio com os fãs de Lupin alegando que tais livros supostamente provariam a superioridade de Lupin enquanto os fãs de Holmes dizendo que eram só mais uma corruptela do cânone do detetive. Leblanc soube explorar bem essa polêmica, chegando a escrever uma peça com o confronto entre os dois. Também houveram versões pra TV de Lupin que tiveram a participação de Holmes, assim como o filme mexicano (!) de 1947, Arsenio Lupin. E em 2007 foi lançado o jogo Sherlock Holmes X Arsene Lupin, Sherlock Holmes Nemesis nos EUA, que parece seguir o estilo de uma série de games como Sherlock Holmes X Jack, O Estripador, Sherlock Holmes X A Múmia, só que esse é especial. Na história do jogo Lupin vai pra Inglaterra desafiar Holmes, mas o mais curioso é como o game é repleto de ironias e farpas entre ingleses e franceses.

Por que é imperdível?
Antes de Freddy X Jason, Alien X Predador, King Kong X Godzila havia Sherlock Holmes X Arsene Lupin. O maior detetive do mundo contra o maior ladrão do mundo. Uma rivalidade histórica entre dois dos mais inteligentes personagens da literatura.


11 - O Jovem Sherlock Holmes

Em O Enigma da Pirâmide (Young Sherlock Holmes, 1985) Sherlock Holmes e John Watson, em plena adolescência, se conhecem na escola em 1870 e juntos investigam um mistério que envolve várias pessoas que morrem tragicamente após serem acometidas por alucinações ligadas a uma seita macabra. Produzido por Steven Spielberg, escrito por Chris Columbus e dirigido por Barry Levinson esse filme foi mais uma tentativa de popularizar Holmes pro público moderno. Mas acabou sendo um fracasso de bilheteria, embora seja hoje considerado um clássico da Sessão da Tarde, a ponto de muita gente da minha geração chegar a achar que esse é o melhor ou o único (!?) filme do personagem.

O Enigma da Pirâmide contraria propositalmente o primeiro livro de Conan Doyle, Um Estudo em Vermelho, que mostrava Holmes e o Dr. Watson se conhecendo já adultos, mas nem foi o primeiro longa a ter essa idéia. Aqui Holmes é um adolescente tão arrogante quanto brilhante e Watson é o típico nerd. A escola poderia ser a mesma de outros filmes da Sessão da Tarde, só que no século XIX. Mas a diferença é que a Londres do
filme consegue captar a mesma atmosfera sinistra da obra original e fica ainda mais ameaçadora pra heróis mirins.

Por que é imperdível?
Fala sério, quem não lembra das lutas de esgrima, da cena de abertura com o cara morrendo no restaurante, da descoberta da identidade do vilão, da namoradinha do Holmes morrendo em seus braços ou da última cena em que aparece o James Moriarty? Aliás, essa sequência final dava a entender que haveria uma continuação, que acabou não acontecendo. Porém acabou sendo a inspiração pro seriado do Jovem Indiana Jones. E eu achando que a Turma da Mônica Jovem tinha lançado moda.


10 - Sherlock Watson

O filme Sherlock e Eu (Without a Clue, 1988) parte de uma idéia pra lá de inusitada: Aqui o Dr. Watson (Ben Kingsley) é o verdadeiro gênio detetive e Sherlock Holmes (Michael Caine) é na realidade um personagem interpretado por um ator chamado Reginald Kincaid, contratado por Watson pra levar a fama e não comprometer sua carreira como médico. O plano dá tão certo que Holmes vira uma celebridade, apesar de Kincaid ser burro, covarde, bêbado e mulherengo. Depois de
resolver o célebre caso da Liga dos Cabeças Vermelhas, Watson se revolta por sempre passar como o fiel escudeiro idiota e decide investigar o próximo crime sozinho, para desespero de Holmes. No fim os dois precisam unir forças para impedir o Professor Moriarty e seus planos de falsificação de dinheiro com ajuda da Sra. Hudson, a senhoria da dupla.

Watson ganhou fama de burro nos filmes do Basil Rathbone e a proposta dessa comédia me parece ser vingá-lo, além da velha desculpa de se humanizar o Holmes das formas mais estapafúrdias possíveis. Também tem o fato de que o personagem Sherlock Holmes na vida real fez tanto sucesso que eclipsou seu próprio criador, Conan Doyle, que chegou a odiá-lo.

Por que é imperdível?
Não dá pra negar que é uma visão original, e o filme é realmente engraçado. Aqui as deduções brilhantes de Holmes viraram idéias malucas de um ator com mania de grandeza, que treme na base só de ouvir falar no nome do Professor Moriarty e até confunde mulher com travesti. Uma cena é hilária: quando um corpo aparece na beira de um rio, Holmes se aproxima evidentemente enojado e mexe nele com a bengala enquanto as pessoas envolta esperam que ele solucione aquele mistério só de olhar o cadáver. Nisso o detetive solta: "Bem, na minha opinião... está... morto".


9 - Sherlock Holmes Anime

Série animada japonesa de 26 episódios Sherlock Hound, Meintantei Holmes no Japão, de 1984, adapta a obra de Conan Doyle no maior clima
de aventura onde Holmes, Watson e os demais personagens são cachorros. A Sra. Hudson deu uma rejuvenescida, virou senhorita e óbvio interesse amoroso do detetive. O grande diretor Hayao Myiazaki (Princesa Monoke, Meu Vizinho Totoro, A Viagem de Chihiro) foi responsável por seis capítulos. Os demais foram feitos por Kyosuke Mikuriya.

Outro anime que pega Sherlock Holmes como referência é Detetive Conan, sobre um detetive transformado em criança, que homenageia Conan Doyle no nome e tem até um personagem inspirado em Arsene Lupin que, óbvio, é rival do Detetive Conan.

Por que é imperdível?
Confesso que eu nunca vi esse desenho do Sherlock Holmes cachorro, até porque ele nunca passou no Brasil (só Deus e as distribuidoras sabem porquê), mas deêm uma olhada em como essa animação é fodástica:


8 - Sherlock Holmes "Feira da Fruta"

Ao investigarem o sumiço do marido de uma bela mulher, Holmes e Watson se deparam com experimentos navais, monges vilões, um castelo escocês, seis anões desaparecidos e o Monstro do Lago Ness! Acredito que A Vida Íntima de Sherlock Holmes (The Private Life of Sherlock Holmes, 1970) foi a primeira sátira que procurava desmistificar Holmes, sob o ponto de vista de Billy Wilder, um dos maiores diretores do cinema. Através de supostos manuscritos nunca antes revelados do Dr. Watson, Wilder mostra um Holmes gay e viciado numa narrativa que é um
verdadeiro samba do crioulo doido, causando muita polêmica na época, mas que hoje é considerada clássica... menos pelos fãs do detetive, claro. Curiosamente Christopher Lee, que 7 anos antes tinha interpretado Holmes numa produção alemã, faz o papel de Microft Holmes, irmão de Sherlock que pouco aparece nos livros de Conan Doyle.

Por que é imperdível?
Curiosidade mórbida, hehe! Falando sério, não dá pra negar o valor histórico do longa. Mesmo não sendo nem de longe um dos melhores trabalhos do Wilder, esse filme, além de ser uma divertida comédia de suspense, é praticamente o Feira da Fruta do Sherlock Holmes... guardadas as devidas proporções claro. Eu só queria entender uma coisa: Pra que criar uma cena onde Holmes admite ser homossexual pra logo depois mostrar os dons de detetive dele sendo comprometidos por se encantar por uma mulher?


7 - Sherlock e O Crucifixo de Sangue

Baseado na peça de Paul Giovanni e feito especialmente pra TV, Sherlock Holmes e O Mistério do Forte Vermelho (The Crucifer of Blood, 1991) conta a história de três soldados britânicos servindo na Índia que, em meio a um motim, encontram um tesouro e fazem um pacto secreto. Muitos anos depois um deles desaparece e sua filha pede a ajuda de Sherlock Holmes, interpretado por Charlton Heston (também conhecido como Ben-Hur, Moisés e etc., repetindo aqui seu papel do teatro), e despertando o interesse de Watson. Ao investigarem os outros soldados descobrem que eles estão sendo atacados por uma estranha criatura que parece ser sobrenatural.

O longa é excessivamente teatral na minha opinião, mas ainda assim é envolvente, com uma crescente atmofera de tensão e mistério, além de ser curioso ver Charlton Heston interpretando Holmes. Mas não gostei da tradução do título original, Crucifixo de Sangue, que tem mais a ver com o clima sinistro da trama.

Por que é imperdível?
Junto com o Cão dos Baskerville e os confrontos com Jack, o Estripador essa é a história de Holmes mais próxima do gênero terror (ao menos que eu tenha visto). A cena do assassinato de um velho aleijado por "algo" que sai da cruz na janela é realmente assustadora, assim como as reviravoltas do enredo também impressionam. Paul Giovanni pegou elementos da obra de Conan Doyle pra fazer um mistério digno das grandes aventuras do detetive.


6 - Elementar, Meu Caro Dr. Freud

Preocupados com os excessos de Holmes (Nicol Williamson) com cocaína, Watson (Robert Duvall) e Microft (Charles Gray repetindo o papel de irmão de Holmes que desempenhou na série de TV inglesa) fazem com que ele vá a Viena se consultar copm Sigmund Freud (Alan Arkin). Num duelo de mentes Freud ajuda Holmes a lidar com um trauma de infância (muito bizarro por sinal!), enquanto o detetive ajuda o psicanalista num mistério envolvendo uma ex-paciente, uma atriz (Vanessa Redgrave) também viciada em drogas. O título original de Visões de Sherlock Holmes (The Seven-Per-Cent Solution, 1976) diz repeito ao fato do detetive usar uma solução de sete por cento de cocaína, droga comumente usada e abusada pelas pessoas no século XIX.

Baseado numa novela de Nicholas Meyer, sem dúvida a parte mais polêmica do filme é quando Holmes descobre numa sessão de hipnose com Freud que odeia o Professor Moriarty (Lawrence Olivier) porque ele teve um caso com sua mãe e por isso seu pai a matou diante do então jovem Sherlock! Inclusive Moriarty nem sequer é um vilão, apenas um
ex-tutor dos irmãos Holmes que, devido ao seu erro no passado, virou pra sempre vítima da neurose do detetive. Apesar de ter tudo pra cair no ridículo, eu me lembro que esse filme era bem sério e dramático e de fato foi um dos que melhor cumpriu a proposta de humanizar o
Holmes.

Por que é imperdível?
Sherlock Holmes se tratando com Freud é no mínimo criativo, além do longa apresentar uma explicação bem mais plausível pra relação (ou falta dela) de Holmes com as mulheres do que simplesmente taxá-lo de homossexual. E além disso é um ótimo filme de aventura com bastante
ação na parte final. Mas o que mais marcou foi mesmo o retrato altamente fragilizado do maior detetive do mundo, numa vívida interpretação de Nicol Williamson.


5 - Sherlock Holmes e O Signo dos Quatro

A jovem Mary Morstan procura Sherlock Holmes para elucidar um mistério: 10 anos antes seu pai morrera na Índia e 6 anos atrás a moça passou a receber anonimamente um pérola de grande valor uma vez a cada ano. Agora a pessoa misteriosa que as enviava mandara um bilhete
marcando um encontro. Holmes e Watson descobrem que o pai dela se envolveu com a história de um tesuro e um pacto secreto feito por quatro pessoas na Índia. Também é uma das tramas em que mais aparecem os garotos de rua que trabalham pro detetive, popularmente conhecidos
como Os Irregulares de Baker Street. Conan Doyle empregou nesse romance o mesmo elemento do assassino que decide se vingar por algum evento ocorrido no passado que já havia usado em seu seu primeiro romance, Um Estudo em Vermelho, e depois também no conto A Aventura do Pincenê Dourado, mas O Signo dos Quatro (The Sign of the Four) alcançou um prestígio maior, tanto que é uma das mais adaptadas histórias de Holmes. Pessoalmente gosto muito da versão pra TV com Ian Richardson, um dos atores que mais transmitiu carisma e segurança no papel de Sherlock Holmes. A cena em que ele arranca a perna de pau de outro personagem é sensacional.

Por que é imperdível?
Um dos pilares entre as aventuras de Holmes, O Signo dos Quatro foi a história que inspirou boa parte das tramas de O Enigma da Pirâmide, Sherlock Holmes e O Mistério do Forte Vermelho, A Vida Íntima de Sherlock Holmes e até O Ratinho Detetive. Vale a pena conhecer as idéias originais de Conan Doyle.


4 - Sherlock Holmes na Segunda Guerra

Vilão em filmes como A Marca do Zorro e As Aventuras de Robin Hood, Basil Rathbone acabou se tornando o mais célebre intérprete do maior detetive do mundo no cinema e segundo mais importante em todas as mídias, só perdendo pro William Gillette. Rathbone fez Holmes em nada menos que 14 filmes entre 1939 e 1946 e também em uma famosa série de
rádio inglesa. Os dois primeiros longas, O Cão dos Baskerville e As Aventuras de Sherlock Holmes, foram produzidos pela FOX. Depois a Universal assumiu e tomou uma atitude polêmica: as histórias dos filmes seguintes passaram a ocorrer no mesmo período em que eram produzidos, o da Segunda Guerra Mundial, fazendo com que Holmes passasse a lidar com espiões e nazistas. Eram filmes B, aqueles filmes um pouco mais curtos que serviam pra completar a programação (no tempo que passavam até jornal numa sessão de cinema).

Importante notar como, apesar da mudança de período, o Rathbone mantém uma atuação firme e exala confiança e carisma no papel. Já Nigel Bruce ficou famoso por interpretar um Watson trapalhão que servia de alivio cômico, eternamente apatetado com a sagacidade do parceiro. Porém, mesmo sendo infiel à concepção de Conan Doyle, devido ao sucesso da franquia Watson passou a ser representado quase sempre como um idiota também em outras adaptações, pra desgosto dos fãs.

Por que é imperdível?
Além do desempenho do Rathbone eu tenho que dar o testemunho que esses filmes, mesmo com uma produção de segunda, são diversão de primeira. Diferente do infame O Retorno de Sherlock Holmes, aqui conseguiram adaptar o personagem de um jeito satisfatório pra outra época. Todo o clima e engenhosidade de um livro de Conan Doyle estão presentes. Agora uma curiosidade um tanto inusitada é que o Moriarty costumava aparecer algumas vezes como espião. Até aí tudo bem. O estranho é que ele morria no final de um filme e reaparecia vivo no outro como se nada tivesse acontecido!


3 - Sherlock Holmes e O Cão dos Baskerville

Uma maldição envolvendo um cão diabólico ronda a velha mansão dos Baskerville desde a morte de Sir Hugo Baskerville muitos anos antes. Uma noite Charles Baskerville é atacado por um misterioso cachorro que mais parece uma fera sobrenatural e acaba sofrendo um ataque cardíaco, vindo a falecer. Seu único herdeiro conhecido, Sir Henry, o sobrinho da vítima, recebe uma ameaça de morte em Londres e só Sherlock Holmes pode ajudá-lo. Dr. Mortimer, amigo do herdeiro, recorre ao detetive e ao Dr. Watson. Holmes manda Watson acompanhar Henry para a isolada mansão dos Baskerville, onde conhecem o Sr. e a Sra. Barrymore, empregados do solar que estranhamente caminham a noite pela casa carregando uma vela, um misterioso pastor que vaga pelas redondezas e o Sr. Stapleton e sua irmã Cecile, vizinhos dos Baskerville que cuidavam de uma escola que foi fechada devido a morte das crianças. Esses são os únicos que parecem viver naquela região cercada de pântanos e neblina. No entanto, durante a noite, ouve-se um choro como um lamento distante, que parece vir de outro mundo.

Com 24 versões diferentes, desde uma com Basil Rathbone até uma da Hammer com Peter Cushing e Christopher Lee (eu já perdi as contas de em quantos filmes do Holmes o Christopher Lee apareceu) O Cão dos Baskerville (The Hound Baskerville) é considerado por muitos a obra prima de Conan Doyle. Mais uma vez devo dizer que gosto muito da versão com Ian Richardson (fazer o quê, na minha infância ele era Sherlock Holmes) feita pra TV, onde o pastor foi substituído por uma espécie de cigano. Cada versão muda um pouco a trama, mas a base criada por Conan Doyle é tão sólida que O Cão dos Baskerville nunca perde sua identidade. Mesmo quando é parodiado em outras mídias você reconhece aquela história.

Por que é imperdível?
O mais famoso caso de Holmes. Aqui vemos um enredo bem macabro e ao mesmo tempo temos oportunidade de comprovar porque Sherlock Holmes, com uma atuação brilhante, é o maior detetive do mundo e também um mestre dos disfarces. Conan Doyle, inspiradíssimo, criou com essa aventura um ícone do terror e do mistério.


2 - Sherlock Holmes X Jack, O Estripador

Em 1888 Jack, O Estripador aterrorizou Londres com crimes sangrentos. Uma hora ele ia acabar cruzando o caminho de Sherlock Holmes. O detetive e o assassino mais famosos do mundo se enfrentaram duas vezes no cinema. Primeiro em Névoas do Terror (A Study in Terror, 1965), filme B dirigido por James Hill em que Holmes (John Neville) e Watson (Donald Houston) decidem ajudar o Inspetor Lestrade (Frank Finley) a capturá-lo. Um grande mérito desse filme é que foi o primeiro a levantar a hipotése de que havia uma conspiração na aristocracia por trás dos assassinatos de Jack, o Estripador, embora por uma motivação diferente da que ficou famosa pouco depois. A produção é cheia de
imprecisões histórias, mas é um ótimo filme de terror, repleto de uma atmosfera sombria e com um clímax cheio de ação num prédio em chamas. Destaque também para a participação de Miycroft Holmes (Robert Morley). Acho que esse foi o longa onde ele mais marcou presença, tirando até um sarro pelo eterno gosto do irmão por violino.

Depois em Assassinato Por Decreto (Muder By Decree, 1979) Sherlock Holmes (Christopher Plummer) e o Dr. Watson (James Mason) também auxiliam Lestrade (Frank Finley de novo) a capturar o serial killer. O diretor Bob Fosse surpreendeu e foi fundo no tema nesta produção, seguindo a famosa teoria (que Alan Moore também usou na HQ Do Inferno) envolvendo uma conspiração da maçonaria. Nesta história vemos que até mesmo Holmes tem seus limites testados num mistério envolvendo mensagens escritas com sangue, uma sociedade secreta, um vidente (Donald Sutherland), um grupo de mulheres que guarda um grande segredo, uma jovem (Genevieve Bujold) trancafiada num hospício e uma criança em perigo.

Querido por 9 em cada 10 fãs de Holmes, Assassinato Por Decreto impressiona como um dos melhores filmes de suspense já feitos ao mesmo tempo em que é muito mais mais feliz ao humanizar o detetive do que inventar um trauma de infância ou simplesmente pô-lo como homossexual. Nesse vemos um Holmes indignado e mais ácido que nunca como quando diz: "Nós desmascaramos loucos que empunham cetros, Watson". Porém, nem mesmo o maior detetive do mundo consegue fazer tudo e Christpher Plummer retrata um Holmes com os olhos marejados (que eu me lembre o detetive só foi mostrado chorando sob efeito de hipnose em Visões de Sherlock Holmes), perplexo por não conseguir salvar Mary Kelly (Susan Clark) e suas amigas e horrorizado com a crueldade do Estripador e a
corrupção das autoridades. Na cena final, diante do Primeiro Ministro Britânico (John Gieguld, que interpretou Holmes numa série de rádio) e demais autoridades, Plummer dá uma show de interpretação: "Vocês terão que carregar o seu crime na consciência e eu terei que carregar os rostos de Annie Crook e Mary Kelly".

Por que é imperdível?
Um clássico de gênero e outro um clássico cult os dois filmes são fantásticos, especialmente Assassinato Por Decreto onde Bob Fosse traça uma sutil análise da maldade humana. Em dado momento Sherlock Holmes diz a Lestrade uma frase que define o espírito da obra: "Quando as pessoas estão com medo, elas se voltam para Deus, e quando elas não têm ajuda Dele, elas olham para o Diabo".


1 - Sherlock Holmes do Teatro

William Gillette foi o primeiro ator a dar vida a Sherlock Holmes no teatro. Ele foi simplesmente o cara que inventou para o personagem o boné de duas abas, o cachimbo curvo, o famoso casaco tweed e até mesmo a frase "Elementar, meu caro Watson". Pra se ter uma idéia da importância do cara, Basil Rathbone era considerado o ator mais parecido com as ilustrações dos livros originais, só que tais ilustrações eram baseadas no próprio William Gillette! É como se Conan Doyle fosse Stan Lee e Gillette Jack Kirby, tão genial era o seu senso de adaptação. Por exemplo, o fato do cachimbo ser curvo e não reto como nos livros era para manter a dicção perfeita e não uma excentricidade qualquer (ouviu Guy Ritchie?).

Amigo do escritor, o ator não só atuou como escreveu extraordinariamente a peça com uma das melhores, senão a melhor, história jamais vivida pelo maior detetive do mundo! Sempre com algumas modificações no enredo original, a representação ganhou alguns especiais na TV (que são na verdade filmagens da própria peça) cujo mais famoso é o da HBO em 1981, estrelado por Frank Langella. Com vários nomes tanto em inglês, como Sherlock Holmes, Frank Langella in Sherlock Holmes ou The Strange Case of Alice Faulkner, quanto em protuguês, como A Outra Face de Sherlock Holmes e (o meu preferido) O
Maior Caso de Sherlock Holmes
, o enredo é composto de um prólogo e cinco atos.

No prólogo o Dr. Watson (Richard Woods), narra que Holmes recebeu um caso complicado de uma dupla de aristocratas: um proeminente membro da realeza havia tido um caso com uma jovem plebéia que, desiludida, se suicidara. Mas não sem antes deixar uma série de cartas comprometedoras em poder de sua irmã, Alice Faulkner (Laurie Kennedy). Decidida a se vingar, Alice acabou caindo na lábia do casal Larrabee (Stephen Collins e Susan Clark), que decidiram mantê-la prisioneira até que contasse a localização das cartas, as quais os dois queriam usar como produto de chantagem. Pra complicar ainda mais, o Professor Motiarty (George Morfogen) decide se aproveitar da situação pra dar um fim no detetive, que estava a um passo de destruir sua rede de crime organizado em Londres.

Por que é imperdível?
Gillette extrai bem sacadas referências das histórias de Conan Doyle para montar um enredo de tirar o folêgo com muitas reviravoltas, ação constante, diálogos afiados e até pitadas de comédia e romance. Não dá pra entender porque não há uma versão pra cinema mais recente dessa trama (A Última Data de 1922) onde, ao contrário de outras peças como Sherlock Holmes e O Mistério do Forte Vermelho, nada soa artificial. Os personagens coadjuvantes clássicos de Conan Doyle encontram todos uma função desde a Sra. Hudson até o Inspetor Lestrade, passando pelo Irregulares da Baker Street. O Professor Moriarty aqui mostra porque é O vilão num duelo acirrado de astúcia, disfarces e deduções com Sherlock Holmes. Os dois estão sempre um passo a frente dos outros personagens e, se o público não se ligar, fica pra trás também. Frank Langella se redime completamente daquele Zorro gay (quem lembra disso?) e interpreta estupendamente um Holmes humaníssimo, tão genial
quanto amargurado. A peça conseguiu tornar crível o que parecia incrível: fazer Holmes se apaixonar. E, por mais doido que pareça, é aí que explora o melhor do potencial do personagem.

Num dado momento Holmes finge estar em perigo nas mãos de Larrabee e dos capangas de Moriarty, levando tudo com seu costumeiro jeito irônico e de repente se surpreende por Alice arriscar sua vida pra tentar ajudá-lo, o que desestabiliza a frieza calculista do detetive. Quando Watson deduz no fim da trama que Holmes propositalmente quis que ela soubesse que ele a enganou para se apoderar das cartas para que a moça se afastasse
dele, o detetive desabafa com seu velho amigo: "Que futuro há para nós Watson? Ela, jovem, saudável, no começo da vida... e eu velho, viciado, no fim da vida... Contudo, eu disse 'fique ao meu lado' e ela ficou ao meu lado... ela não hesitou".


0,5 - Sherlock Holmes no Século 22

No célebre conto O Problema Final, Holmes e Moriarty se enfrentam nos Alpes Suíços e aparentemente morrem ao despencarem de um precipício. Essa foi a forma que Conan Doyle encontrara pra matar Holmes e enfim se livrar do personagem, mas os fãs chiaram tanto que ele acabou cedendo e posteriormente trouxe o detetive de volta (posteriormente Alan Moore também revisitou esse episódio na HQ A Liga Extraordinária para mostrar que Moriarty também sobrevivera ao confronto) fazendo-o viver novas aventuras.

Imagino o que Conan Doyle pensaria se soubesse que no desenho animado Sherlock Holmes no Século 22 (Sherlock Holmes in Century 22, 2001) esse episódio foi usado para dizer que Holmes ficou congelado após a luta com Moriarty e foi despertado no futuro para continuar seu incansável trabalho de detetive, dessa vez auxiliando a Inspetora Lestrade (obviamente descendente do Inspetor Lestrade) a combater o crime num mundo completamente sci-fi e high-tech, com direito a um robô dando uma de Watson!

Por que NÃO é imperdível?
Eu me considero uma pessoa de mente aberta, mas esse desenho merece a posição meia boca. Ver Holmes na Segunda Guerra ainda é passável, nos anos 90 é ridículo, agora em pleno século 22 é o cúmulo! Além do que, e isso sim é imperdoável, o desenho é chato pra caramba! Ninguém merece o Holmes falando: "Lestrade, esse robô pensa que é Watson!".

Confiram a abertura:



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