Batman: Cacofonia Tweet

Que excelente surpresa! Nasce um clássico instantâneo do Batman! Não um clássico do nível de Cavaleiro das Trevas, nem do nível de Piada Mortal, mas um clássico que chega bem perto desse segundo!
Pra quem não sabe, quem escreve Batman Cacofonia é o gordaça do Kevin Smith - e a arte é do sensacional Walter Flanagan. Na história, o misterioso Onomatopéia inicia a sua caçada para matar o Batman. Para isso, ele envolve o Coringa e Maxi Zeus (lembra dele?) em um plano elaborado para meter um balaço na cabeça da Morcega.
Apesar de envolver o Onomatopéia, Maxi Zeus e outros vilões do Morcego, a história é centrada no relacionamento entre Batman e Coringa. Sei que vemos o Batman discutir relação com o palhaço todo santo ano, mas dessa vez é diferente. O nível da conversa do Morcego com o Palhaço está no nível de A Piada Mortal, do Alan Moore.
Por mais que um diálogo entre os dois esteja exaustivamente trabalhado nos últimos 30 anos, Kevin Smith consegue inovar e coloca um bate-papo dos dois por um novo paradigma. Estou me coçando aqui para soltar todos os spoilers possíveis neste post, mas quero muito que vocês leiam e se surpreendam, como eu me surpreendi demais lendo esse gibi.
O mais bacana é como Smith pensa o Coringa. Muitos fãs do Batman vão querer a cabeça do roteirista/diretor/nerd por ter "reformulado" o Palhaço em um conceito mais... bem... sexual. Na história, Kevin Smith diz com todas as letras que o Coringa é gay - ativo, mas que, por dinheiro, faz o papel de passivo também. Além disso, ele diz que quer matar o Batman para poder abusar sexualmente do cadáver dele!!!! Ele também diz que transaria com um pônei!!!
O que pra mim faz sentido. O Coringa é um vilão sem moral e completamente insano. Era mais que "natural" que suas práticas sexuais fossem completamente bizarras. Moore já tinha deixado implícito (muita gente diz que não) que o Coringa comeu o Comissário Gordon e a Barbara Gordon aleijada. Aqui, o Coringa oferece o próprio rabo pro Onomatopéia e ainda fica implícito que ele abusou sexualmente do sobrinho do Maxi Zeus.
Dificilmente você vai ver um Coringa tão alucinado e caótico quanto o Coringa do Kevin Smith. Mas isso tem um propósito, porque... ah, foda-se! Vou contar o spoiler! Se você não quer saber, é melhor parar por aí:
*** SPOILER ***

Ao fim da revista, o Coringa toma uma facada no coração do Onomatopéia. O vilão de Kevin Smith usou o palhaço o tempo todo como isca para atrair o Batman. O Morcego pode salvar o Jóker, mas ele é impedido pelo Comissário Gordon em uma das cenas mais fodaçaralhas que já vi em um gibi do Batman.
No final, o Batman acaba salvando o Coringa. O que acontece é que, no final, o Morcego encontra o Palhaço no hospital. Porém, o Coringa está tão dopado com morfina e estabilizantes de humor que ele está quase são. O que rola aí são oito páginas do mais foda diálogo traçado entre esses dois - principalmente pelo fato do Coringa estar são neste diálogo, então há uma conversa completamente aberta e franca entre os dois.
Kevin Smith passa a história toda construindo um Coringa tão errático (sério, ele fala até de como escondeu giletes em seu próprio cocô!!!) para chocá-lo ao final da revista com sua versão sóbria e sã.
Sério; Batman Cacofonia é um dos maiores clássicos do morcego. É compra obrigatória para qualquer fã das HQs, Marvete ou DCnete.
Nota 10
Viva Kevin Smith, o deus gordo nerd!
(Batman Cacophony #1 a 3)
Formato americano (17 x 26).
100 páginas.
R$ 7,50.
Papel vagabundo.
Capa couché.
Distribuição setorizada.



