Melhores do Mundo

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Nov 5

Besouro - Nasce um Herói

Toda propaganda leva a crer que se trata de um filme de ação. Besouro é, em parte, isso, mas também é outras coisas. João Daniel Tikhomiroff me enganou direitinho...

Ah sim, tem muitos spoilers aí embaixo...

[Mais:]

Besouro - Nasce um Herói é um filme brasileiro, com todos os problemas e virtudes que isso traz. Entre os problemas está o preconceito da platéia, o que não explica a baixa popularidade do cinema nacional, mas justifica uma certa má vontade com o filme. Especialmente por parte dos nerds.

Caso contrário, os nerds não enxergariam furo de roteiro quando o místico Besouro enfrenta o normal Quero-Quero de igual para igual. Perceberiam que Exu (o surpreendente Sérgio Laurentino) fechou seu corpo "apenas para inimigos". Notariam que isso é um dogma do personagem, assim como jedis não podem sentir ódio ou que com grandes poderes vem grande responsabilidade.

E é tudo o que falta ao filme? Reverência dos nerds? Infelizmente não...

Há problemas sérios em Besouro. Muitas vezes a direção de Tikhomiroff carece de ritmo e o roteiro que co-assina com Patrícia Andrade, de profundidade. A fotografia de Christian Cravo é irregular, muitas vezes confundindo o foco das cenas de forma quase inacreditável. Cheguei a achar que meu grau tinha aumentado de um dia para o outro durante a sessão.

No geral, as atuações são muito boas, embora o protagonista Aílton Carmo tenha momentos visivelmente constrangedores, como em seu primeiro encontro com Exu. Destaque para a belíssima Jessica Barbosa (Dinorá) e o talentoso Irandhir Santos (Noca de Antônia).

Apesar de tudo isso, com o tempo, o filme engata e emplaca. Se direção e roteiro têm momentos (bem) ruins, também surpreendem. O fim de Besouro foge da obviedade de qualquer típico filme massa, véio. É corajoso, emotivo e dramático. E, acima de tudo, imprevisível.

Toda produção vai emocionar em um grau que depende do público. Besouro terá menos impacto para quem não é negro ou não seja um admirador da cultura negra do país. Um bom exemplo disso é a pertinente e belíssima trilha de Gilberto Gil, que acaba agradando menos a platéia do que um rock esquisito que surge no filme. Vai entender...

Eu, por exemplo, como ex-praticante da capoeira e grande admirador de cantores negros e da mitologia do candomblé, vi os poderes que Besouro ganha como os midchlorians dos cavaleiros jedi ou uma aranha radioativa. Também vi seu roteiro imprevisível com muito mais gosto do que as surpresas esquecíveis de M. Night Shyamalan. Besouro é sim um filme brasileiro, com alguns acertos e erros típicos do cinema nacional. Entretanto, possui elementos que enriquecem e ampliam seu significado e importância. Preconceitos à parte, é um filme de que todo nerd pode gostar. Avoapreu vê?

Nota: 8

Bugman uma vez tentou avoar e caiu procês vê


Bugman Email • 18:00:20 • Cinema, A Gente VimosPermalink 44 comentários
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