Substitutos Tweet

Lembram daqueles filmes pros quais cagamos aqui no MdM, por um motivo ou por outro? Pois um deles acaba de chegar aos cinemas brasileiros.
E aí, será que essa adaptação de gibi presta? Ou fizemos bem em cagar pra ela? Cliquem aí e descubram.
Nunca li a HQ The Surrogates, na qual o filme foi baseado, e imagino que a maioria aqui não tenha lido também, então é melhor explicar do que se trata o longa.
Em um futuro não muito distante, a maior parte das pessoas não sai de casa. Elas são substituídas nas atividades cotidianas (tanto trabalho quanto lazer) por avatares robóticos controlados remotamente, os tais substitutos, que transmitem todas as sensações para o seu operador, exceto dor.
Tal como em jogos como Second Life ou The Sims, a pessoa pode controlar a aparência do seu substituto, andando por aí como uma versão "melhorada" de si mesmo ou como uma pessoa de idade, etnia e até gênero diferentes. O resultado é uma sociedade de Barbies e Kens andando pelas ruas.
É claro que nem todo mundo gostou dessa idéia, e vários grupos (alguns religiosos) são contra a substituição. O mais relevante deles é liderado pelo misterioso homem conhecido como "O Profeta" (Ving Rhames). É nesse mundo que vive o agente do FBI Tom Greer (Bruce Willis), que se depara com a morte de dois operadores através da destruição de seus substitutos, o que parecia impossível até então.

Bom, a premissa é bacaninha (apesar de lembrar o fraco Eu, Robô), e o mundo dos substitutos é bem construído (o visual geral lembra o Minority Report), mas faltou expandir esse mundo. Acompanhamos algumas ações sociais dos robôs, mas não o suficiente. As pessoas saem pra putaria através dos robôs, mas eles transam? Nesse caso, para os operadores seria apenas um sexo mental, tipo O Demolidor do Stallone? O filme mostra recarregadores de substitutos espalhados pela cidade (alguns em uso). Isso quer dizer que eles não comem ou cagam? Até aí sem problema, mas e o intervalo do almoço no trabalho? As pessoas simplesmente deixam os robôs lá paradões e almoçam sozinhas em suas casas? Então a refeição perdeu o caráter social e agora é algo puramente funcional? O longa se prende numa assepsia típica do cinemão americano e não responde a essas questões biológicas mais básicas.
De forma geral, entretanto, o filme se desenvolve bem, sendo dirigido de forma apenas competente (sem destaques positivos ou negativos) por Jonathan Mostow (Exterminador do Futuro 3: A Rebelião das Máquinas), mas mantendo um bom ritmo, inclusive ao revelar elementos da trama. Sabe aqueles momentos na ficção científica em que as coisas são explicadas para o público de forma mastigada, por um personagem ou pelo noticiário, dando a impressão de que provavelmente as pessoas daquele mundo são todas retardadas por não saberem algo tão óbvio de seu cotidiano? Aqui isso felizmente não acontece, o que já põe Substitutos na frente da maioria das produções do gênero que chegam aos cinemas.

Um elemento interessante do filme são os atores e suas atuações. Bruce Willis parece ser o ator hollywoodiano ideal. Ele pode não ser o melhor para fazer ação ou drama, mas é o que mais consegue convencer alternando os dois aspectos em uma mesma obra. Aqui esse equilíbrio de Willis é muito bem utilizado, colocando-o em um cenário bem familiar desde Duro de Matar em que ele precisa lidar com uma situação de extrema desvantagem (não sem antes bancar o Terminator em uma seqüência tola, porém divertida).
Já Ving Rhames parece uma escolha estranha para encarnar O Profeta. Afinal, o afro-americanão bedéss modafócka não tem o perfil de figura messiânica. Parece que a qualquer momento do filme ele vai parar de falar e começar a enfiar a porrada em todo mundo, humanos e robôs!

Um aspecto notável do elenco é a escolha dos atores que fazem os substitutos. A produção é uma ótima oportunidade para usar uma reserva de mercado de Hollywood: atores e atrizes com uma preocupação extrema com a aparência a ponto de parecerem quase irreais. Mas o trabalho desses atores não é fácil, já que eles precisam convencer o espectador de que há pessoas de verdade falando através dos bonecões (ok, a maquiagem também ajuda bastante nessa caracterização).
Outra figurinha típica dessa indústria que é aproveitada no longa é a irritante criança-prodígio que fala como adulto. Aqui esse elemento tem sua razão de existir, já que a consciência do bonequinho pode ser realmente a de um adulto. Uma boa sacada da produção.

As viradas do roteiro podem até ser previsíveis pra quem está acostumado a histórias com clones infiltrados, espiões alienígenas que mudam de forma e sósias de outra dimensão, mas elas são bem executadas e devem agradar o público em geral.
Aliás, esse equilíbrio é realmente o maior mérito do filme. Substitutos acaba sendo uma ficção científica acessível ao público médio, mas que não ofende a inteligência de um espectador mais familiarizado com o gênero. Não chega a ser um filme memorável, nem acho que vale uma ida ao cinema (exceto se você for rico como o Hell), mas é uma boa opção numa visita à locadora e certamente vale a pena parar pra assistir quando estiver passando na TV.
Nota: 7,5.
Fiquem aí com o spoilerento trailer que revela o final do filme! BWA-HA-HAHAHHHAHAA!!!



