Marvel: Editor-executivo explica preconceito nos comics! Tweet

Em seu blog, Tom Brevoort costuma responder perguntas. Quando lhe questionaram pelo fato de haver poucos personagens de outras nacionalidades além da norte-americana na Marvel, ele foi meio polêmico.
Eu não sei se é uma única coisa, mas se tivesse que arriscar um palpite, diria que é tudo parte do mesmo fenômeno que faz com que seja mais difícil vender séries com protagonistas femininas ou afro-americanos, ou mesmo com um protagonista de qualquer outro tipo. Porque nós somos uma empresa norte-americana, cuja distribuição primária está centrada em torno dos EUA, a grande maioria do nosso público é caracterizada por ser de homens brancos e americanos. Assim, enquanto que demograficamente você encontrará pessoas que estão interessadas em uma grande variedade de personagens de diversas etnias e culturas, sempre que os protagonistas forem homens brancos e americanos, você tem uma chance melhor de atingir mais pessoas em geral. Isso é algo que continua a mudar à medida que a audiência para o que fazemos fica maior e mais diversificada, mas mesmo dentro dessa diversidade, vai ser provavelmente mais fácil fazer um sucesso de um livro com uma liderança feminina ou afro-americana antes de ser um britânico ou um nativo do Canadá.
Então é tudo uma questão de mercado? Alguns pensam que sim.

Não sei realmente o que pensar sobre o assunto. A importância de minorias como gays e afro-descedentes foi aumentando sua presença e valor nos quadrinhos, mas ao mesmo tempo existe o preconceito também. Quantos personagens da Marvel assumidamente homossexuais aparecem de forma regular? Nunca é demais lembrar as voltas absurdas que Estrela Polar fez para explicar seu "comportamento estranho".
Brevoort mexe com dinheiro e criação. Entende e tem acesso a números que não tenho e sabe o quanto é delicado ir contra o que o consumidor quer, consciente ou inconscientemente. Por outro lado, a parte criativa de sua função exige que ele seja ousado e não tenha medo de inovar.
Se etnia, sexualidade ou nacionalidade definisse popularidade, personagens como Fera (em sua encarnação mais famosa), Noturno, Wolverine, Spawn e tantos outros não liderariam vendas. E nunca é demais lembrar que o Homem-Aranha não mostra seu rosto em ação. :) Luke Cage chegou a liderar os Vingadores em uma fase bem-sucedida comercialmente, assim como a feminíssima - ainda que caucasiana - Buffy costuma aparecer regularmente no top 10 de revistas mais vendidas. E aí?
Além de todos esses aspectos, Brevoort devia saber que a parte do mercado de comics em que atua nunca se encontrou em crise e precisando renovar seus leitores como agora. Mudar velhos hábitos é uma boa forma de começar. Que tal agora?
É normal que haja um medo de dar o primeiro passo. Afinal, o preconceito é sempre baseado no medo.
Ou não?
Bugman gosta de bons personagens



