GI Joe – A Origem de Cobra Tweet

Cara, fala sério! Não tem muito que esperar de um filme baseado em bonequinhos, né? Antes de GI Joe – A Origem de Cobra (nomezinho escroto, hein?) começar, esperava algo idiota, sem profundidade, mas cheio de ação e que conseguisse me entreter por duas horas. E foi exatamente isso que eu tive.
Quando você era uma criança criada a leite com pêra e Ovomaltino na geladeira, por acaso era assim a historinha quando brincava de Comandos em Ação? Grupo do bem e grupo do mal querem a mesma coisa; grupo do bem pega essa coisa; grupo do mal invade a base do grupo do bem e quebra tudo; grupo do bem e grupo do mal se comem na porrada ao ar livre; grupo do bem invade base do grupo do mal, resgata o que quer, mata todos os vilões e salva o dia. FIM!
Era mais ou menos isso? Bem, era assim que eu brincava e qual foi a minha surpresa ao ver que esse enredo lixo é o roteiro de GI Joe – A Origem de Cobra? A impressão que me deu foi que o diretor Stephen Sommers e os roteiristas pegaram seus bonequinhos do fundo do baú, junto com todas as parafernálias encontradas, brincaram durante 2 horas e daí tiraram a história do filme.

O que é ótimo! É melhor se espelhar nos bonequinhos em si, do que naquele desenho sem graça, em que as pessoas se atingiam por lasers e ficavam no máximo inconscientes. No filme, como qualquer brincadeira de bonequinhos, rola morte a todo instante!
E no meio disso? Cenas de ação absurdas, diálogos rasos, motivações estapafúrdias, personagens caricatos, efeitos especiais extremamente datados e piadas sem graça. Mas na boa? Todos esses defeitos dão um charme para o filme. Afinal... Estamos falando de um filme baseado em bonequinhos!
Por isso mesmo, não fiquei puto com a quantidade de erros que tem. Pelo contrário, a impressão que tive é que quiseram fazer um filme ruim de propósito.
Vou comentar um pouco sobe cada personagem para explicar melhor:

:: Duke – o protagonista-chavão. Feito pelo canastra e inexpressivo Channing Tatum. Rola até aquelas frases de efeito como responder a velha questão de "você e que exército?" com "o MEU exército".
:: Ripcord – feito pelo "comediante" Marlon Wayans. Seu personagem é o típico sidekick engraçadinho. Piadinhas péssimas, infantis e desnecessárias. Algumas gags pareciam que foram tiradas de Os Trapalhões. Simplesmente o pior personagem do filme. Não acredito que vou escrever isso, mas ele é mais engraçado em As Branquelas.
:: General Hawk – feito pelo nome mais chamativo, Dennis Quaid. Não passa de uma espécie de Zordon ou Mestre dos Magos: aparece, fala alguma coisa e rala peitinho. Sua participação é mais no papel do que qualquer coisa.
:: Snake Eyes – Como era de se esperar, o melhor do filme disparado. Ray Park fazendo o que faz de melhor: mete a porrada, não mostra a fuça e não diz uma palavra sequer. O personagem foda e inverossímil de que a trama precisa. Infelizmente não passa de um coadjuvante, mas tenho medo que se lhe dessem mais destaque, resultaria nele se tornando um dos piadistas da equipe.

:: Scarlett e Baronesa – Cara, tô apaixonado! Se esse filme serve para alguma coisa, é para aumentar o fetiche dos nerds pelas ruivas e pelas mulheres de óculos. É uma carinha de safada aqui, uma roupinha colada acolá, uns decotes voadores por ali. Ambas as atrizes, Rachel Nichols e Sienna Miller, são deliciosas! Elas conseguem deixar o seu Comando "em ação" (hã? Hã? Pescou? Pescou?).

:: O Doutor – O vilão-mor interpretado pelo ex-guri de 3rd Rock from the Sun, Joseph Gordon-Levitt, é o maior motivo para achar que GI Joe – A Origem de Cobra é ruim propositalmente. O cara contava seu plano "malignoso" para o mocinho enquanto se esgueirava nas pilastras, que nem aqueles vilões de desenhos antigos. Além disso, ele possui uma voz vilãnesca extremamente forçada, e o que é pior... [SPOILER] Quando se tornou o Comandante Cobra, a sua voz ficou vilãnesca EM DOBRO! [/SPOILER] Foi, involuntariamente, a cena mais engraçada do filme!
:: Brandon Fraser – Eu não sei o nome do seu personagem, mas Brandon Fraser fez uma das participações especiais mais escrotas e desnecessárias que já vi na vida. Chegou, falou "again?" cinco vezes e sumiu como pozinho de miojo.
Agora... O único problema, problema mesmo, é que no final ocorrem CINCO acontecimentos decisivos (Duke atrás de Destro e do Doutor, Ripcord caçando mísseis, Heavy Duty porrando uns submarinos e Snake Eyes caindo no braço com Storm Shadow), mas nenhum deles passa alguma emoção. Inclusive, a luta entre os ninjas foi bastante decepcionante.

Entre a trilogia A Múmia e Van Helsing, Stephen Sommers fez o seu melhor trabalho... Não que isso signifique alguma coisa! Não sei se era a intenção dele, mas ele conseguiu muito bem mostrar toda a inverossimilhança das brincadeiras de bonequinhos.
Por isso... Parabéns, campeão, pelo seu filme mongol!
Nota 6,5



