Post do Leitor #31 - Morte, RPG e Ouro Preto: o fim do caso?

O nosso estimado Poderoso Porco preparou um post sobre o caso que comentamos por aqui ontem. A visão mais técnica do cara dá mais conteúdo para rebater os ignorantes que vêem RPG como fonte do mal.
Depois de uma batalha que se estendeu por oito anos, neste final de semana chegou ao fim uma novela que deixou muita gente preocupada: os quatro envolvidos no assassinato de Aline Soares, ocorrido em 2001 na cidade de Ouro Preto/MG, Edson Poloni Lobo de Aguiar, Cassiano Inácio Garcia, Maicon Fernandes Lopes e Camila Donabela Silveira, foram absolvidos.
Bem, pode ser que você esteja se perguntando qual a relevância deste fato para os MdManos e MdMinas, ou até mesmo para o entretenimento em geral que este site aborda. Bem, há mais de um ano atrás eu abordei num post publicado no blog do Projeto Continuum, justamente esse homicídio em particular. Este caso ficou conhecido (errônea) e nacionalmente como uma "morte envolvendo o RPG". A própria UOL Notícias, refere-se ao homicídio como ocorrido num "ritual de RPG".
Qual a importância da absolvição dos garotos? Significa, logo de cara, que a tese (porcamente) defendida por delegados, promotores e a imprensa envolvida no caso é mentirosa e não se sustenta. E que tese seria essa? De que Aline morreu em decorrência de um "ritual" de RPG. Tudo bem se você não entendeu o link entre uma coisa e outra. Vou explicar melhor.
Aline Soares foi encontrada morta no dia 13 de outubro de 2001. No dia seguinte à famigerada Festa do Doze, evento que reúne as várias repúblicas estudantis da cidade de Ouro Preto (o que mais tem na cidade é república) e muitos, mas muitos turistas mesmo. A cidade fica abarrotada de gente jovem, disposta às maiores porralouquices que a idade permite (e outras não permitidas). Aline não era moradora de Ouro Preto. Do contrário, era de Espírito Santo, o que indica que fora (salvo engano com a prima Camila Donabela Silveira, uma das acusadas) para a cidade afim de curtir a festa. Até aí, nada de mais.
Elas se hospedaram na república dos rapazes envolvidos (outra prática comum à festa) e foram curtir a vida. Para Aline, pela última vez. Encontrada brutalmente assassinada no dia seguinte à festa (nua, no cemitério, os braços abertos em cruz e com 17 facadas pelo corpo), o fim de Aline mobiliza todo o (pouco) efetivo policial da cidade. Como manda a lógica e o figurino, os últimos passos da moça são refeitos. Chega-se à república onde ela se hospedara. Reviram tudo. Pelos cantos, entre livros acadêmicos, pululam livros de RPG. Aline, a prima e os moradores da república eram jogadores de RPG. Aline foi encontrada morta num cemitério, nua, os braços em cruz. RPG, vampiro, cemitério, morte com pinta de ritual, um delegado religioso além do bom senso. O resultado dessa equação é simples: Aline foi morta num ritual de magia negra ligada ao RPG. É uma "verdade" que nenhuma testemunha diz, para a qual não existe um só que seja indício direto. Só um monte de peças soltas que se juntam com as graças da imprensa mais preocupada em vender jornais do que informar¹ e de um delegado preocupado em aparecer como cidadão de bem, o último cristão. O que não se percebeu (ou talvez tenham percebido) é que essa operação matemática gera resto. Quatro jovens com a vida arruinada, milhares pelo Brasil mal vistos e evitados por gostarem de um hobby sadio.
Fazendo uma pausa rápida, é preciso deixar claro que os "milhares pelo Brasil mal vistos e evitados por gostarem de um hobby sadio" não são santos. Muito da má reputação que o RPG possui é decorrente dos próprios jogadores, que gostam de ter à sua volta uma aurinha infantil de mistério e antissociabilidade, com suas roupas pretas e caras de mau. Quem faz a fama acaba por deitar na cama.
Voltando ao curso dos argumentos, a absolvição de Edson Poloni Lobo de Aguiar, Cassiano Inácio Garcia e Maicon Fernandes Lopes representa a quebra daquilo que era mais frágil e forçado: se a única razão para acreditar serem os rapazes os autores do homicídio era o fato de na casa deles haverem livros de RPG e por lá Aline ter se hospedado, então eles não são culpados. Ao mesmo tempo, penso que o júri pontuou-se em sua decisão naquilo que toda a cidade de Ouro Preto sempre soube: Aline morreu por ter se envolvido com drogas.
"Mas Lucas Ed., você ficou maluco? A mãe de Aline disse que ela nunca usou drogas!", você pode estar pensando indignado. Meu chapa, é a mãe da garota! Por mais que ambas fossem próximas, ainda são mãe e filha! Vejo poucos jovens virando para os pais e dizendo: "Nossa mãe, experimentei um bagulho hoje e foi sensacional! E aquela carreirinha? Nunca tive um pique tão bacana!" E antes que você contraargumente dizendo que um amigo da garota também falou que ela não usava entorpecentes, eu já te aviso: também acredito que ela não usava drogas. Não acho mesmo que ela era uma usuária contumaz, como muitos por aí. Mas acredito piamente que, no meio da loucura que é a Festa do Doze, longe dos olhares de qualquer sujeito representante da lei social, Aline quis experimentar. Ali no cemitério, um cantinho escondido e quase sem visão, encontrou-se com alguém (pelas ruas da cidade se diz de um tal "Cigano") e com esse alguém foi experimentar, talvez um cigarrinho, talvez uma carreirinha ou uma picadinha. Desse ponto as histórias divergem. Uns acham que ela quis pagar o prazer com outro prazer, a negociata não deu certo e ela morreu. Outros creêm que tanto sexo quanto homicídio ocorreram em decorrência do frenesi causado pelas drogas. Pouca diferença faz. Em ambas as hipóteses, não há espaço para jogos de interpretação de papéis ou rituais de magia negra.
Assumir que os quatro jovens não são culpados, como o fez o júri de ouropretanos, é assumir que nessa história o RPG entrou como Pilatos no credo. É assumir que se a polícia judiciária e o ministério público estivessem realmente comprometidos com a verdade e a justiça e não com manchetes de jornais e sensacionalismos, estariam sendo julgados (e condenados!) os verdadeiros responsáveis por essa barbárie que ceifou a vida de uma jovem ainda com muito pela frente. Daqui, só posso me orgulhar de um grupo de jurados que fez a coisa certa, quando o mais fácil e vistoso era fazer o errado.
E que os RPGistas adultos e responsáveis possam enfim dormir de cabeça tranqüila, sem serem acusados de coisas que nunca fariam.
_____________________________________
¹ Com essa responsabilidade toda para com os fatos que os jornalistas normalmente têm apresentado, me espanta o tempão que se gastou até admitirmos que pra vender jornal não precisa-se de diploma universitário...
² Mas nem tudo está perdido. Aqui, uma matéria jornalística diferente sobre o RPG.
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Já trabalhei como jornalista de caderno policial de um jornal regional. O que eu tenho a dizer é o quase o que o Porco observou, a maior parte dos homicídios são motivados pelo consumo, dívida de drogas ILÍCITAS, excluo embriaguez nesse ponto.
Outro exemplo que vou lhe dar é de uma experiência pessoal de minha vida.
Tive um grande amigo. o cara, assim como muitos de nós aqui, era trabalhador, gostava de viver, tinha uma filha, enfim, várias qualidades faziam dele gente boa. Só que infelizmente, sua vida teve fim quando foi atropelado (veja bem, ele atravessava a rua com o farol vermelho para os carros) por um imbecil que estava com a cabeça cheia de "ervinha".
Quando pegaram o drogado na hora, o cara foi se defender dizendo que não tinha culpa porque estava "viajando", e que os reflexos ficaram mais lentos. Aí eu me pergunto. Se sabe que os reflexos ficam mais lentos, por que saiu com o carro?
Esse é apenas um simples exemplo de como o uso de drogas pode ser letal para a sociedade, não só pro usuário, mas para pessoas que não tem nada a ver se alguém é fraco para se entregar ao vício.
Não quero dar lição de moral em ninguém nem ser metido a "reacionário", mas meu caro, me desculpe, dizer que uso de drogas não causa violência, você me desculpe, pois está equivocado. Quem sente na pele pode te comprovar isso.
Tudo terminou de modo adequado e justo. Mas se o comportamento de muitos de nós não mudar, em breve teremos outras situações como essas.
Comentário de: Senhor Suíno
Concordo com você, primo (ainda que os policiais que entraram para a polícia não são muito dignos de nota, como o Cb. Júlio, envolvido na máfia das ambulâncias), mas tb acho que, pra ser político não basta ser decente. Tem que ter um tino político, uma sagacidade do jogo que eu não tenho...
Comentário de: Poderoso Porco
Entendi sim o que você quis dizer, e você falou dos que entraram na vida política... Isso não seria bom pra você? Bom para você e para todos. Não seria o caso de precisarmos de alguém como você na política?
Acho que devemos ter um pensamento mais estratégico justamente para evitar que a ignorância predomine. Precisamos justamente de pessoas como nós na política.
Comentário de: Poderoso Porco
Entendi sim o que você quis dizer, e você falou dos que entraram na vida política... Isso não seria bom pra você? Bom para você e para todos. Não seria o caso de precisarmos de alguém como você na política?
Acho que devemos ter um pensamento mais estratégico justamente para evitar que a ignorância predomine. Precisamos justamente de pessoas como nós na política.
*Quando eu apontei que qualquer coisa tem apenas uma causa genérica? Por isso você é leitor da VEJA. Porque não sabe ler...
Comentário de: Barracuda
Não desqualifiquei.Só não fico nessa ladainha esquerdista que não leva a nada.Tudo culpa do social?Muito simples essa causa genérica.
É Barracuda, você é burro e só lê o que convém.
Indica aí onde, eu repito, ONDE eu falei que é TUDO culpa do social. Quando eu apontei que qualquer coisa tem apenas uma causa genérica isso você é leitor da VEJA. Porque não sabe ler...
Só lembrando que não é o único caso em que a culpa recaiu sobre o RPG. Lembro-me do caso do Espírito Santo onde assassinos fius duma égua, disseram que o crime era só um jogo, foram influenciados pelo RPG.
Esse caso também se encerrou com a inocência do hobby. Os caras queriam mesmo era assaltar a familia!
Segundo pesquisas recentes, Satã perdeu o posto de "desculpa esfarrapada padrão", o RPG, "não sabia que esta carregada!" e o "foi só uma latinha" estão disputando o primeiro lugar.
ps: Menção honrosa para o "Não consegui terminar por que houve alguns imprevistos. Nada a ver com o uso de internet no trabalho!"
Mas vamos à parte "aproveitável" do seu comentário.
Desqualificar o desequilíbrio social como uma das causas da violência e criminalidade urbana é uma coisa tão, mas tão imbecil e antilógica que só poderia vir de você e da VEJA (que afirmou categoricamente isso quando cobria o caso "João Hélio"). Se isso é um papo de "esquerdinha" então o que entra no lugar? Vai defender que a criminalidade tem origem na degenerecência da raça, que os negros são mais primitivos e portanto mais propensos à barbárie do que os brancos como diria Lombroso? Ou vai afirmar como fizeram muitos psicólogos em fins de séc. XIV que regiões mais quentes (as Américas Central e do Sul, o continente africano, o Oriente Médio, a Austrália) são mais violentas por conta da temperatura? Não seja imbecil!
A Dinamarca tem uma das menores diferenças salariais do mundo e a taxa de criminalidade deles é mais baixa que barriga de cobra. O mesmo se aplica a Suíça e Suécia, países detentores das menores taxas de criminalidade do mundo, até onde me lembro. Claro que eu não estou afirmando que, tal e qual, o que funciona lá funcionaria aqui, mas é uma possibilidade (e uma possibilidade que pode ser testada -e mudada, ao contrário das demais)
Os maiores estudos em prevenção ao crime e à violência vêem da Inglaterra, que defende a promoção da saúde como forma de prevenção altamente eficaz. Sabe o que eles entendem por saúde? O mesmo que a OMS: "saúde é um estado de bem estar biopsicossocial".
Conseguiu entender ou quer que desenhe?
Comentário de: Senhor Suíno
PowerfullPig, você como policial pensa o que dessa atitude que a policia poderia tomar contra você? (...)
Primo, meu comentário a seguir vai soar ambíguo, mas eu gostaria que você lesse-o com bastante atenção para evitar isso.
Bem, pode parecer estranho, mas eu concordo com a atitude da Instituição Polícia Civil em retaliar um sujeito que jogue direto na grande imprensa um lance desses.
Por quê? Porque existem meios legais para se consertar as coisas, para se denunciar profissionais incompetentes e que vêem antes da imprensa. Eu poderia, por exemplo, juntar provas materiais, objetivas, e entrar com uma denúncia na corregedoria ou anonimamente, na ouvidoria. Aí, esgotados os meios legais, penso sim ser a hora de procurar a imprensa.
Ir direto à mídia soa mais como uma tentativa de autopromoção do que qualquer outra coisa, e esta é uma atitude que eu particularmente desaprovo. Todos os outros policiais que eu sei que foram à mídia aqui em BH, depois se lançaram em carreiras políticas. Não é o que eu quero pra mim.
Ainda, tem outro ponto, que é o das provas materiais. Eu sei dos fatos, conversei com gente que sabe dos fatos, vi laudos e tudo. Mas o que eu tenho disso? Nada. Se eu levo uma questão dessas à grande mídia, vou precisar dessas pessoas como sustentáculo. E, bem, elas não estão comigo. Se peitar uma briga dessas num exército já é difícil, imagina sozinho?
Comentário de: Poderoso Porco
...denegrir a autoridade superior (o delegado fundamentalista) não soa bem e é passível de punição. Coisa que não quero pra mim, capiche?
PowerfullPig, você como policial pensa o que dessa atitude que a policia poderia tomar contra você?
Poderia haver retaliação contra você, mas também não poderia haver um reconhecimento pelo que você escreveu? Ainda mais vendo todo o apoio que você recebe e que o "delegado fundamentalista" não recebeu, não seria o caso da maioria provar que ele está errado e ele ser punido? Ou talvez iniciar uma mudança de pensamento por parte das autoridades...
Claro, infelizmente existe esse conceito de que repreender alguém em posição superior seja algo ruim mesmo que a pessoa esteja errada, algo que aliás não me conformo.
mas eu amo!!!
Comentário de: um jedi qualquer · http://www.interney.net/blogs/melhoresdomundo/2009/06/02/star_wars_the_old_republic/
Que legal que você Porco mostrou que não sabe só ofender as pessoas que gostam de filmes que não são "cabeças".
Eu não ofendo as pessoas que não gostam dos filmes que não são "cabeça" (no singular).
Eu critico quem gosta de filmes acerebrados, que ofendem a inteligência do leitor. "De Volta para o Futuro" e "Os Caça-fantasmas" são dois dos meus filmes favoritos (bem, são cinco dos meus filmes favoritos) e passam longe de serem "cabeça".
Só não são mongolóides a ao modo Transmorphers.
Comentário de: Cassidy
Rodrigo Galhano, eu me referi ao Del Debbio.
Pois é, Cassidy, o Marcelo Del Debbio é praticamente o protótipo desse jogador "contraproducente para o hobby" que eu citei no texto: metidão à evolução da humanidade, obscureiro, me funda uma editora com o nome de Daemon (eu sei da origem grega e pouco maniqueísta do termo, mas todo mundo sabe? Foi escolhido por isso ou pela ambiguidade?), e adora publicar livrinhos sobre o arcano, sobre o misticismo cristão em capas vermelho-sangue.
Só faz gol contra...
Se o RPG brasileiro tivesse menos Del Debbio's e mais Rogério's Saladino's o hobby estaria no seu lugar de jogo inofensivo e mero divertimento...
nao sou satanista, alias nem tenho religiao, mas devemos lembrar que a liberdade de credo é um direito constitucional, e que para cada sacrificio satanico noticiado na midia temos 100 casos de pedofilia envolvendo religiosos catlicos e um charlatanismo e roubo por parte de grande parcela da cupula evangélica.
como se todos os assassinos fossem satanistas.
e os politicos sao o que? aoradores de kthullu?
Comentário de: Mauro Tavares · http://www.mauro-tavares.blogspot.com
que esdruxulo cara, vc dizer que a menina morreu por causa de drogas sem ter base nenhuma.
e os indicios de ritual hein, de onde vieram ?
ela tirou a roupa e se jogou nua na sepultura em posição de pentagrama so pra dar uns peguinhas ????!!
Mauro Tavares, acho que é você quem está tecendo comentários sem base nenhuma. Nenhuma mesmo. Inclusive, vc abriu mão mesmo de ter a base gerada pelo meu texto, ao mostrar que não o leu.
Eu estou tirando as coisas da minha cabeça? Não senhor. Estou tirando do tempo que morei e trabalhei na Delegacia de Polícia de Ouro Preto. Estou tirando do que ouvi de superiores e agentes de polícia sérios de Belo Horizonte que foram chamados a auxiliar as investigações. No segundo parágrafo do meu post há um link, para um outro post, onde contextualizo melhor as coisas.
Eu não acho que a moça tirou a roupa para "dar uns peguinhas", em nenhum momento eu escrevi isso. Pra mim, são duas as hipóteses: no curtir da viagem, ela topou um sexo e se deu mal ou (e essa é a tese defendida por muitos policias mais velhos e experienciados que eu) ela quis pagar a droga com sexo e, vítima e autor se desentenderam, culminando no homicídio. A posição de pentagrama? Caceta, um corpo se pode mover depois de morto!
E, cara, eu separo seu comentário em dois tempos: o primeiro, de uma leitura rasa e mal feita do meu post. O segundo, das teorizações esdrúxulas (vê, Ivan, aqui temos uma tia velha...)
Cara, o RPG entrou no Brasil através dos universitários, com seus livros fotocopiados (a popularmente conhecida como "Geração Xerox" do RPG). Acha mesmo que esse tipo de gente caiu nessas conversas de seitas satânicas convocando membros na surdina? Oras, que existem pessoas que acreditam no demo, que fazem sacrifícios e coisa e tal, não duvido! Já li e já vi gente desse tipo. E eles não precisam de meios insidiosos para "atrair novos pupilos": o que mais tem por aí é adolescente doido pra fazer um pactozinho com o pemba em troca do telefone daquela loirinha bonitinha da sala ao lado.
Gente influenciável há aos montes. E produtos "influenciadores" se multiplicam, livros, HQ's, filmes, discos, canções, jogos em geral.
Mas até hoje, e eu acabo concordando com Marcelo DelDebbio, nenhum crime foi efetivamente ligado ao RPG neste país. Nenhum.
Tremei, jogadores de dados d20 com +3 de dano reflexivo! Essa história não é de mestre mas poderia render um belo THRILLER!!!
uhauhauha! Essa foi mais forte do que eu!
Comentário de: ferdineidos
Cara, valeu o toque sobre o texto, a indicação de mandá-lo para o Globo é para mim um elogio.
Mas, ao mesmo tempo, é algo que eu não posso fazer. Este texto (e o outro que ele linka) foram escritos muito com base em informações que eu tenho por ser policial. Nada confidencial, mas ao mesmo tempo, denegrir a autoridade superior (o delegado fundamentalista) não soa bem e é passível de punição. Coisa que não quero pra mim, capiche?
Comentário de: Ivan
Outra questão é que falar que crimes são cometidos por drogas não se especifica nem que drogas, nem qual a relação entre as drogas e os crimes, nem de que crimes estamos falando. Crack, maconha e cocaína são todas chamadas igualmente de drogas, mas são consumidas de formas diferentes, em ocasiões diferentes, por grupos diferentes e tem efeitos diferentes. É possível fazer uma sociologia criminal geral das drogas sem considerar estas diferenças?
Cara, vamos com calma. Meu texto não se supõe um bastião da "sociologia criminal geral das drogas". É um comentário sobre uma notícia. Sendo uma análise sociológica, eu teria de voltar às fontes, aos dados oficiais, aos policiais (que conheço) e estiveram envolvidos. Não é o objetivo aqui.
Mas há um ponto pertinente no que você diz: Maconha, Crack, Cocaína (ainda as três maiores em uso, ao menos que tange BH) tem (e isso é notório) perfis de usuários diferentes. Mas e quem vende? A fonte é assim tão diferente? Não, não é. Sai tudo do mesmo lugar. Se os boatos entre o povo de Ouro Preto tem a verdade que eu suponho que têm, se as investigações complementares são válidas como acredito que são, é indiferente a droga em questão. O autor possivelmente era o traficante!
vamos então colocar meus comentários em pedacinhos menores
Bem, vamos lá entrar de peito aberto na discussão: Ivan, cara, espero não soar prepotente, mas eu estou já há cinco anos na Divisão de Crimes Contra a Vida de Belo Horizonte, trabalhando especificamente com atendimento a local de homicídio. Cara, eu afirmo sem medo: 80% dos casos de homicídios ocorridos em Belo Horizonte são motivados por drogas, pelo tráfico delas. É disputa de ponto, é cobrança de dívida, é retaliação por se colocar contrário ao "poder paralelo", é desacerto em roubo para obter grana e comprar e/ou pagar dívidas de drogas. Como eu tangenciei no meu texto, essa possibilidade dos entorpecentes como motivador do homicídio não foi investigada. Todo o aparato legal foi direcionado para essa idéia espúria de ritual macabro mais RPG, o que se tem, nesse sentido, é o que todo ouropretano sabe e divulga à boca pequena, é o que a equipe de Homicídios de Belo Horizonte, chamada a cooperar no caso, concluiu e foi ignorada.
Colocar as drogas no meio, inferir uma dívida de drogas (acredito em maconha ou coca), parte disso, parte do modo do crime. Não é uma desculpa de tia-velha. É no máximo justificativa de "puta-velha" no lance.
Poxa, meu texto é publicado, comentado e eu não tô aqui pra participar? Caceta!
Bem, então agradecer ao Buguimá pela publicação, agradecer os elogios e a galera que topou comentar e discutir o assunto.
Não foi possivel postar o comentário. por favor corrija estes erros:
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Alguém sabe me dizer que merda é essa?
"O que ocorre é que todo mundo que não sabe moderar suas paixões incomoda aqueles que não as compartilham. E isso é válido para o rpg na mesma medida.
Daí minha contra acusação contra quem generalizou um ataque contra toda a classes dos jogadores de rpg: vocês são simplificaram o mundo em preto e branco. E duvido que isso seja um caso único. Posso apostar que vocês estão aí a julgar todos em suas sujeiras, do alto de seu pedestal brilhante. "
Falou pouco mas bonito... Obrigado, amigo!
Outra questão é que falar que crimes são cometidos por drogas não se especifica nem que drogas, nem qual a relação entre as drogas e os crimes, nem de que crimes estamos falando. Crack, maconha e cocaína são todas chamadas igualmente de drogas, mas são consumidas de formas diferentes, em ocasiões diferentes, por grupos diferentes e tem efeitos diferentes. É possível fazer uma sociologia criminal geral das drogas sem considerar estas diferenças? Falar das drogas como se elas tivessem um efeito geral sobre a sociedade é não falar nada de concreto, nada que de fato torne claro quais são esses efeitos e como eles se dão. Assim, é falar algo que não tem valor qualquer de entendimento, só tem um efeito discursivo de reforçar clichês bobos, como eu disse, até inocentes. Falar de drogas dentro daquela relação manjada de "loucura, descontrole, desastre anunciado" é seguir uma linha de raciocínio digna de um roteirista de filme de terror adolescente, ou, do que dá quase no mesmo, de uma tia-avó.
Ôtemo, post!
E Ivan, desculpa cara, mas a coisa não é tão simples assim, não sei se você sabe mas todos os dias crimes são cometidos por causa de drogas (maconha, cocaína, crack e o escambau...). E nesses crimes assassinatos estão incluidos.
Essa comoção nerd em torno dessa decisão é como um desabafo, de quem se fudeu estando muito, mas muito longe mesmo de sequer ser suspeito de um crime.
Em meio a tudo oque rola por lá chegou a ser ridículo a "investigação" ter apontado como causa um ritual de RPG.
e os indicios de ritual hein, de onde vieram ?
ela tirou a roupa e se jogou nua na sepultura em posição de pentagrama so pra dar uns peguinhas ????!!
informe-se!!
ninguem fez isso pra se chapar cara!
existem muitas seitas por ai, ghente que acredita no mal, que sacrifica animais e num momento ou outro elas podem sacrificar pessoas.
pesquise o caso de Valentina de andrade e vc vai saber algumas coisinhas.
quando o Rpg entrou na moda no brasil, muitas pessoas ligadas a magia negra o usaram para atrair novos pupilos, muitos começaram a confundir fantasia com realidade.
não estou culpando o RPG de nada, so acho que tem gente que poderia usa-lo com fims escusos.
PS.: Tive que postar vários coments porque tava dando pau aqui e não tava conseguindo postar inteiro...
Comentário de: Algures · http://portfoliovirtualr.blogspot.com
Starscream, ã massa vai na onda por causa da mídia, que é outro problema, se não o principal (claro, o veículo em si não é o problema, mas sim o foco)
Algures, sabe o que eu penso? Que como nossa polícia e nosso Judiciário são corruptos e ineficientes (e por isso mesmo, o povão não confia neles), a imprensa acaba ganhando credibilidade porque, às vezes os jornalistas fazem um trabalho investigativo melhor do que o da própria polícia.
E aqui abro um parêntese para pedir desculpa ao Porco, porque ele pertence à instituição que acabei de criticar. Eu sei que não posso generalizar, mas infelizmente (aqui em SP pelo menos), a corrupção se tornou um problema crônico na maioria das delegacias, senão em todas.
Então, pra variar, os poucos honestos acabam carregando o "estigma" da maioria corrupta.
Com essa responsabilidade toda para com os fatos que os jornalistas normalmente têm apresentado, me espanta o tempão que se gastou até admitirmos que pra vender jornal não precisa-se de diploma universitário...
[2]
Se bem que o "grão-mestre" do RPG nacioanal se acha um místico de verdade, paciência.
Se refere ao Paulo Coelho?
A justificativa é sempre a mesma, é a ignorância e a falta de instrução em ver que o RPG nada mais é do que um meio de entretenimento.
Esses moralistas de plantão querem expurgar tudo que não estiver de acordo com seus respectivos códigos morais de conduta. A impressão que tenho é que eles querem afogar a personalidade própria de cada indivíduo.
Ao contrário do que o Ivan citou, as drogas sim representam um dos males da sociedade, e no geral são a maior causa para atos como esses aí apresentados pelo Poderoso Porco e comentado pelo Bugman, mas aí já é outra discussão...
Ivan, acho um pouco utópica e inocente demais essa sua visão. Conheço Ouro Preto, vou muito lá no Carnaval, Festival de Inverno, Festa do 12 e o pessoal perde o controle sim, dá muita briga e outras violências. Nesse caso existem relatos de que a garota se envolveu com traficante, provavelmente não tinha muita grana e se fudeu, como foi explicado muito bem pelo Poderoso Porco.
Queria perguntar pra ela se, por outro lado, a garota costumava fornicar em cemitérios. Sabe, pra ver se todo o resto representava uma situação normal.
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Quanto ao pré-julgamento dos jogadores de rpg, em defesa deles...
Antes de afirmarem que todo jogador de RPG se leva a sério demais e é babaca, façam um paralelo com quem ouve metal.
Para o fato de uma pessoa ouvir metal ser uma das primeiras coisas que você sabe sobre a referida pessoa (algo que conhecendo-a superficialmente você já pode afirmar a seu respeito) é porque a pessoa impregna sua vida com aquilo, muitas vezes com consequências um tanto quanto negativas. Quem aí não conhece um ouvinte de metal pau no cú, que só usa camisetas pretas e não tolera nenhum outro estilo de música?
Do mesmo modo ocorre com playboys de academia, jiu-jitteiros, lutadores de kung fu, boys apaixonados por carros, punks, fãs de futebol, etc. Se você os identifica só de vê-los (salvo contextos adequados, como, p. ex., ir a um show com camiseta de banda, calça jeans fodida e cortuno, ou ir/voltar da academia nos trajes do esporte), é, geralmente, porque um hobby saiu de proporção, distorcendo a escala de valores dessa pessoa.
Dái a afirmar que todo mundo que ouve metal ou punk, que frequenta uma academia, que faz ou fez jiu-jitsu ou kung fu, que curte carros ou 22 homens de shortinho correndo pra lá e pra cá, ou tem sei lá o que como hobby é babaca é forçar a barra.
O que ocorre é que todo mundo que não sabe moderar suas paixões incomoda aqueles que não as compartilham. E isso é válido para o rpg na mesma medida.
Daí minha contra acusação contra quem generalizou um ataque contra toda a classes dos jogadores de rpg: vocês são simplificaram o mundo em preto e branco. E duvido que isso seja um caso único. Posso apostar que vocês estão aí a julgar todos em suas sujeiras, do alto de seu pedestal brilhante.
Então, parábens pela sua percepção da realidade, campeão! Você é o melhor, e tudo o mais que sua mamãe te disse.
E o que é assustador é que a "massa" vai na onda com a maior facilidade, o povão acredita em tudo que a TV exibe, mesmo depois do caso da "Escola Base".
Starscream, ã massa vai na onda por causa da mídia, que é outro problema, se não o principal (claro, o veículo em si não é o problema, mas sim o foco)
AGORA sim eu acho que RPG é coisa do cramunha. Só para exercitar o meu direito inalienável e democrático de ser do contra.
Isso é coisa de garotos marotos, desocupados e capazes de TUDO para atingir níveis astronômicos de XP.
Vou ali, comer uma princesa de 5º nível.
A pergunta que fica é: esse delegado, o promotor de justiça e a imprensa não tem responsabilidade sobre esse circo que eles montaram? Pelas vidas desses quatro jovens, que eles se empenharam tanto para destruir?
Óbvio que não.
É por esse tipo de coisa que o cidadão tem medo de viver no Brasil. Enquanto assassinos, sequestradores, estupradores e etc. estão soltos por aí, os inocentes permancem presos por anos, só pra atender o "clamor social" ou, ´pior, os interesses de alguns.
E o que é assustador é que a "massa" vai na onda com a maior facilidade, o povão acredita em tudo que a TV exibe, mesmo depois do caso da "Escola Base".
Grande artigo Porco. Parabéns!
Jovens/balbúrdia/drogas =merda.
Isto é que chamei de pensamento de tia-avó. Só faltou falar de "pessoas estranhas, de procedência suspeita".
nada contra o MdM, mas aqui é um público restrito. Seria ótimo se isso "vazasse" para o público em geral.
Por isso não jogo RPG, o pessoal costuma levar muito a sério.
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Conheci uns malucos que se achavam vampiros e lobisomens de verdade, triste a coisa.
Se bem que o "grão-mestre" do RPG nacioanal se acha um místico de verdade, paciência.
Mas creio que esta absolvição, não mudará muito o conceito (ou "pré-conceito") sobre os RPG's. Infelizmente....
Comentário de: Lampião
Nunca tive nada contra RPG e seus jogadores, embora achasse o jogo um tanto babaca. Mas depois de perceber o quanto os jogadores de RPG se levam a sério (nesses posts do MDM), criei uma antipatia forte pelo pessoal.
Por isso não jogo RPG, o pessoal costuma levar muito a sério.
Mas fazer um dia do orgulho RPGista é algo tão IDIOTA E RIDÍCULO quanto se resolvessem fazer um dia do orgulho NERD!
Ei, peraí...
Só falta criarem o Dia do Orgulho RPGista... Se já não criaram.
Tem o JotaCê, o Barracuda...
O Poderoso Porco está abalando os corações, hein! auahauhauahua
Comentário de: Jesse Custer · http://www.dddee4.com
Invejinha DETECTED! huahua
Excelente texto.
Fico muito ferrado quando culpam games, rpgs, filmes e essas coisas pela violência, e se 'esquecem' de ver outros motivos, como por exemplo a educação ridícula que temos.
Pode até levantar dados... quantos os que já jogaram rpg na vida já cometeram assassinatos?
Poizé...
Eu sou um cara calmo e quase briguei pois um imbecil veio encher o saco da mulher que eu estava pegando.
Foi injustificavel e bárbara, a morte da garota, e acho que o culpado devia ser pendurado pelo saco, ter objetos estranhos inseridos em todos os orificios e esfolado até a morte (viram como sou calmo).
Todavia, no meio de toda a putaria e doidera que são as festas em Ouro-Preto, acusar uns caras por jogar RPG é meio uma palhaçada!
Em tempo, caras como o Deodébio Mental só fazem colaborar com o inimigo, com sua pose de "eu sou o tal" o "mestre das artes mísitcas" e o maior escritor do Brasil... eu o respeito tanto quanto ao Paulo Coelho, não, acho que não, respeito o velho Paulo Coelho muito mais, pois ao menos ele soube como ganhar dinheiro com as baboseiras que escreve.
o// Disse tudo Algures, só faltou mencionar o demônio (não estou me referindo ao Jesse Custer)
Passa-se de um papo de tia-avó para outro.
a morte do michael jackson foi forjada! parece que era pra ele se livrar das dívidas!
putz to chocada.
E obrigado por toda a seriedade. É tranquilizante saber que, este caso em particular, estamos tendo acesso a opinião alguém esclarecido que acompanhou o caso com mais objetividade. A ignorância e conveniência dos responsáveis em esclarecer o crime chega a ser nauseante.
Não por eu também ser jogador de RPG. Mas pela incompetência em se levar justiça à memória de uma criança covardemente brutalizada. Não chega a ser uma vitória completa esse resultado, mas já um pouco de luz nessa escuridão. Parabéns pelo artigo.
E aquela coisa, o cara que saiu atirando em todo mundo porque era estuprado pelos colegas de classe na própria escola durante anos SÓ PODE ter feito aquilo por causa dos jogos violentos...
http://www.omelete.com.br/teve/100020726/100_Balas.aspx
100 balas pode ir para a TV??
[Offi Tópiqui]
o mesmo se aplica ao RPG.
E lá se vai mais um assassinato sem respostas, pq esse caso, com certeza, vai ficar parado a partir de agora.


