Terminator 4, por Bugman Tweet

Todo mundo sabe o que penso sobre McG: Diretor medíocre e mais preocupado com explosões do que com plots é responsável por filmes que são sucesso de bilheteria, mas facilmente esquecíveis. Porém, Terminator 4 pode ser o filme que vai mudar este conceito. Não é apenas o melhor filme do cineasta, mas é, principalmente, um bom filme.
John Connor (Christian Bale) está tenso, estressado e cansado. Existe uma guerra que ele luta antes mesmo de nascer e agora pode ser sua grande chance de vencê-la. Enquanto isso Marcus Wright (Sam Worthington), um prisioneiro condenado à morte em 2003, reaparece em um mundo semidestruído sem saber quem é ou o porquê de estar ali.
A primeira coisa positiva sobre Terminator 4 é que é bastante inferior aos dois primeiros, mas bem superior ao terceiro, como bem disse o Judão. Pouco? Pode ser. Mas vale lembrar que, goste James Cameron ou não, este é um filme que fala do mundo que ele insinuou que apenas poderia ser, lá no início da franquia. Melhororou agora?

John Connor
É surpreendente ver que McG conseguiu aliar seus maiores talentos em uma produção desprovida - ao menos, em sua maior parte - de seus piores defeitos. É o Massa, véio de melhor qualidade, mas sem ser besta, superficial e imbecil. Não muda a história do cinema, mas não é esquecível quinze minutos após sair da sala. Sua direção é segura, incisiva, ágil e, pasmem, consegue segurar e impedir que os furos de roteiro - de John D. Brancato e Michael Ferris - comprometam o filme.
Sobre os furos? Bom, daqui pra frente não reclame dos spoilers...

Coração compatível em um acaso da sorte, o ferimento mortal de Connor que se torna apenas grave, um mergulho impossível ao mar em busca de um submarino, etc. O mais incrível é ver como McG dá um ritmo que se não convence impede o espectador de se incomodar com os erros. De um jeito ou de outro, ao contrário de seus outros filmes, é uma produção em que seus acertos ultrapassam - e muito! - seus erros. Dá pra gente chegar a lamentar que McG não tenha sido o responsável por Superman Returns com a mesma equipe. Já pensou?
Uma surpreendente Helena Bonham Carter faz uma aparição pertinente e interessante, mesmo que pouco aprofundada - tema para os próximos filmes? - enquanto Bryce Dallas Howard é uma personagem discreta e apagada em relação à mesma que Claire Danes viveu. Aliás, ao contrário de Nick Stahl, Claire deixou saudades...

Marcus
Bale já vive os problemas que nem mesmo o Batman poderia resolver. Aliás, o homem-morcego é responsável por eles, como lembrou bem o Eric. Em alguns momentos, Connor faz uma voz rouca que lembra demais o defensor de Gotham City. O ator vai bem no filme, mas precisa criar outros artifícios dramáticos para expressar suas emoções. Caso contrário, vai viver o que Christopher Reeves viveu ao invés de conseguir o mesmo sucesso de Hugh Jackman, que não depende apenas de Wolverine.
E...Chegamos a Worthington. O artista vai bem em seu primeiro grande papel sabendo conciliar um homem que desistiu de viver em contraponto a outro que precisa saber o porquê de ainda estar vivo. Em que se pese a condição óbvia do seu personagem, ele vive o grande protagonista de Terminator 4.
Marcus não é um condenado à morte, um ciborg ou um homem. Ele é uma metáfora de todos os espectadores da nova fase da franquia. Representa nossas dúvidas e surpresas perante um novo mundo de possibilidades e surpresas. E é esse personagem - ou nós mesmos? - que precisa sair de sua condição amarga ou teimosa e passar para outro plano. Não é Marcus quem deve descobrir quais as chances que deve ter, mas somos nós que devemos decidir que chances daremos para essa nova realidade. E, na minha opinião, assim como Marcus descobriu que merecia mais do que tinha, descobri que McG merece essa nova guinada. Parabéns pra ele.
Nota: 8,5
Bugman vai sentir a falta de Marcus nos próximos filmes...



