Exterminador do Futuro: A Salvação Tweet

Aí, macacada... Titio Hell pagou 16 lascas pra ver esse filme no cinema no dia do lançamento. Pelo menos não tinha fila, só uma família com QUATRO crianças que ficaram correndo pelo corredor do cinema durante uns 40 minutos até uma se estabacar no chão (não, não meti uma voadora na pobre criança) e elas todas sossegarem... Mas afinal, valeu a pena ir ao cinema ver a nova iniciativa hollywoodiana com os famosos Exterminadores imortalizados por Arnold Schwarzenegger e James Cameron?
TEM SPOILER!
Convenhamos, não ter nenhum dos dois nomes ligados à franquia é algo que pode até comprometer a trajetória bilheteresca do filme... Pra tentar evitar isso, o estúdio chamou Christian Bale, um ator elogiado e que virou sensação depois do fenômeno Batman de Chris Nolan, e deu-lhe o papel de John Connor, o messiânico líder da resistência humana no futuro mostrado em lampejos durante os 3 filmes iniciais da franquia.
Mas o problema do filme não estaria no ator principal, mas sim no diretor, McG, um cara vindo dos videoclipes e que faz filmes que são videoclipes disfarçados de filmes (As Panteras e etonando). A dupla responsável pelo roteiro do filme também não inspirava muita confiança, afinal tinham sido responsáveis pelo criticado Exterminador do Futuro 3: A Rebelião das Máquinas e... A MULHER-GATO!!!!

E foi exatamente aí que a porca torceu o rabo, macacada... O filme começa muito bem, mostrando uma missão do comando liderado por John Connor invadindo uma base da Skynet, cenas de encher os olhos, cenários grandiosos e uma câmera nervosa fantástica (a sequência do helicóptero no início é muito boa). Neste aspecto, cenas de ação e efeitos especiais, o filme é show de bola. Numa boa medida e com poucos exageros, mesclando robôs digitais com os clássicos mecatrônicos do estúdio de Stan Winston, os exterminadores ficaram ótimos.
Já o elenco, apesar de estar bem de um modo geral, é completamente desperdiçado no filme... Christian Bale é um coadjuvante de luxo na história, centrada em Marcus (Sam Worthington). Tirando Anton Yelchin como Kyle Reese e Moon Bloodgood, que têm uma certa relevância, o resto da galera está lá simplesmente pra nada... Temos uma garotinha descabelada, uma velhota que lidera uma facção da resistência, um braço-direito de Connor que faz pose de badboy, uma esposa grávida e um submarino cheio de líderes fodões dos humanos que querem botar pra fuder com as máquinas...

Todos eles são personagens mal-aproveitados e sem profundidade. Nenhum deles tem uma real importância pra trama e se fossem cortados do filme não faria absoluta diferença... Aliás, me caguei de rir ao ver a "participação" de Terry Crews no filme, ele interpreta um CARA MORTO durante uns 10 segundos.
As relações entre os humanos acontecem de um jeito totalmente irreal... Num mundo devastado como aquele, onde todos desconfiam de todos, é difícil acreditar em como o personagem de Sam Worthington conquista a confiança de tantas pessoas em tão pouco tempo... mesmo quando revelam que ele é uma máquina!
A edição do filme é muito ruim. Por algumas vezes a história "pula" de uma situação pra outra de um jeito que parece que faltaram algumas cenas de ligação ali no meio. A tal cena de nudez na chuva da personagem Williams, de Moon Bloodgood, por exemplo, foi cortada e ficou uma brecha inexplicável no meio da sequência. E isso se repete algmas vezes no filme, como na subida do rapel de Connor no início do filme em que os soldados que estavam com ele simplesmente desaparecem no meio da cena.

Mas o que mais me deixou bolado foi ver os métodos da fodona Skynet, que domina o mundo e está prestes a exterminar toda a raça humana do planeta...
A história é completamente esburacada e insustentável... É inconcebível ver um mundo dominado por máquinas inteligentes, que se utilizam de ondas de rádio pra ativar suas unidades móveis, ainda permitir que toda a resistência humana se comunique por rádio... Porra, como? Onde ficam as antenas transmissoras? Os robôs não conseguem captar o sinal? Por que não EXPRUDEM as centrais de rádio?
Além disso, logo no início do filme, John Connor é atacado por meio exterminador. Ele agarra o cabra por trás e... JOGA CONNOR LONGE, tipo como o Hulk de Lou Ferrigno fazia no seriado dos anos 70... Isso, aliás, ocorre durante o filme todo, exterminadores que agarram humanos e os arremessam contra paredes ao invés de simplesmente esmagarem seus crânios.
O interessante é ver as máquinas querendo "matar" Kyle Reese o capturarem e não o fazerem... Podem dizer que precisavam de Kyle vivo pra capturar Connor, mas isso não é verdade. Connor vai até o covil dos robôs pra salvar o seu pai adolescente sem ao menos saber se ele estava vivo ou morto.
Connor entra na base da Skynet, luta com um robô com as feições digitais de Arnold Schwarzenegger (muito mal-feitas, diga-se de passagem) e o robô não o mata, apesar de ter diversas chances pra fazer isso durante a luta... Porra, é por isso que a resistência humana consegue sobreviver no futuro, as máquinas são muito burras! E o ápice dessa burrice é mostrado quando a Skynet conta o seu plano malígrino pra derrotar a resistência pro Marcus, o robô que foi programado pra fazer amizade com Connor e atraí-lo pra armadilha. Mas Marcus é um robô diferente, ele ainda tem coração e cérebro humano, e é obóvio que ele se redime de sua culpa e salva a pátria no final da bagaça toda.

Aliás, será que McG realmente achava que ia conseguir uma grande tensão ao ameaçar a vida de Connor e Kyle? Porra, trodo mundo sabe que eles sobrevivem, afinal os filmes anteriores nos mostram isso!
Seria como George Lucas tentar fazer os espectadores acreditarem que Anakin Skywalker iria morrer no final do Episódio III de Star Wars, ou que o Titanic não afundaria no final do filme homônimo!
No mais é isso, nerdaiada... Exterminador do Futuro: A Salvação tem uma história completamente absurda, cheia de falhas e situações que o chamam de idiota o tempo todo, mas as cenas de ação fodonas acabam tirando a atenção do espectador pra isso. E isso é feito de um jeito tão safadamente competente, mesclando no meio das cenas massa véio um monte de referências aos filmes anteriores, como as frases de efeito ("Eu vou voltar", "Venha comigo se quiser viver!"), You Could Be Mine do Guns e muitas referências visuais aos outros filmes (como a perseguição do caminhão e a luta final na fábrica), que o filme fica divertido... e acho que pode agradar grande parte do público.

McG é um diretor meio merda, mas nem tudo está perdido. Acredito que com um roteirista mais foda, a franquia possa ganhar muito. Cabe ao diretor mesclar as grandes cenas de ação (que ele manja muito como fazer) com uma história mais consistente, aí sim teremos um grande filme.
Mas Exterminador do Futuro: A Salvação é só um filme nota 6,5.



