Analisando o final de Braid - SPOILERS! Tweet

Há algum tempo publiquei uma resenha do fantástico game Braid. Já tem um tempão, mas só consegui terminá-lo agora (sem ver nenhum walktrough, seus espertalhões).
Enfim, na época eu tinha passado o link do game pra Nerda Reversa. Ela também fechou o jogo e ficamos com dúvida sobre o real significado do final deste game fantástico!
O post a seguir é simplesmente um ctrl+c/ctrl+v do e-mail que mandei tentando analisar o fim do jogo (por isso a linguagem está mais informal que o normal). Cuidado que o post é TODO SPOILERS!
Nerda Reversa, pelo que entendi, o game é uma metáfora para a bomba atômica.
As últimas citações do game são do Projeto Manhattan. Na verdade, só saquei isso no final, quando a última frase foi "e agora somos todos uns filhos da mãe". Me lembro que meu professor de história vivia dizendo isso no colégio, nas aulas da Segunda Guerra.
Aí fui ler os textos de novo e ver também todos os quadros, levando em conta a seguinte metáfora: a princesa é a bomba e o Tim é o cientista que a criou. No fundo, o Tim quer encontrar uma solução para os seus problemas - e os problemas do mundo. Por isso a solução dele é chegar na bomba. É encontrar a princesa.
Se você perceber, a última fase na verdade é a primeira (ele fala: Mundo 1... e o game começa no Mundo 2). Você tem que pensar cronologicamente o game a partir dali, quando o soldado aparentemente está capturando a princesa. E aí você vai atravessando a caverna e a princesa vai te ajudando. Quando ele finalmente atinge o objetivo - chega na sacada da princesa - dá o "estalo". Ali foi quando os cientistas que criaram a bomba se arrependeram quando ela explodiu.

O game envolve manipulação do tempo... mas se você reparar, essa manipulação só acontece voltando no tempo para você tentar qualquer ação novamente (taí a justificativa do arrependimento).
E aí você começa a entender quando o final "rebobina". Na verdade, você não estava salvando a princesa. Quando tudo volta, você vê o outro lado da história. Você é o vilão... e aquele cavaleiro, na verdade, estava salvando ela.
É aí que o cientista percebe que, quando ele estava trilhando seu caminho para a construção da bomba, na verdade, ele era o grande vilão de tudo. O cavaleiro, que talvez represente as pessoas que tentaram impedir o avanço da bomba atômica, agora se torna o grande salvador e Tim, o cientista, o grande vilão.
Eu zerei o game hoje na hora do almoço (sem walkthtough - por isso que demorei pra caralho) e estive até agora matutando essa ideia da bomba atômica.
Comecei a pesquisar no Google e vi que muitas pessoas também compartilhavam dessa ideia da bomba.
Aí comecei a pesquisar mais sobre o criador do game. O nome dele é Jonathan Blow e ele é um dos grandes defensores dos "games artísticos", que necessariamente "precisam contar uma história rebuscada, com metáforas e várias interpretações". Ele é um cara que critica games como World of Warcraft, Doom, Half Life, etc. Pra ele, um game necessariamente precisa ser uma obra de arte.
E aí o game traz várias discussões, como arrependimento, sobre o lance de poder voltar no tempo e consertar as coisas, etc, etc. Se você perceber, aquelas pinturas do quebra cabeça de cada fase é carregada de metáforas.
Acho que o meu pensamento da bomba é o certo... até porque você pode jogar o game novamente. Dessa vez, você tem que pegar umas estrelas. Se você pegar todas elas, o final do game muda. Quando você encosta na princesa, ela explode!!!!

Mas assim, antes de ver o final eu pensava em outra coisa. Pensava em uma história de traição (até porque no mundo 3, se não me engano, isso fica bem claro).
Se você parar pra analisar a história do game, Tim menciona três mulheres. A princesa (sua mulher inalcançável), sua mãe e a atual mulher (que ele deixou para trás para buscar sua "mulher parnasiana").
Então vamos lá. A Princesa é aquela mulher parnasiana... perfeita, inalcançável, mas que o poeta está sempre procurando encontrar. Tanto que Tim deixou sua mulher atual para ir atrás dela (e coisas como sua aliança atrapalhavam... na história ele mesmo fala que as pessoas olhavam para ele e o condenavam por causa da aliança... por isso ele tinha que deixá-la para trás - inclusive na jogabilidade).
Então o caminho dele todo é para encontrar sua princesa... e no final ele encontra, mas percebe que se enganou... percebe que se arrependeu em deixar a sua antiga mulher (talvez por isso venha aí a inversão de papéis entre Tim, princesa e soldado). E talvez aí a explosão da princesa, no final alternativo, faça mais sentido ainda... é o sonho se desmoronando.
Se você perceber, a penúltima fase se chama hesitação, eu acho. Ela é uma fase muito difícil... ela é feita pra você pensar toda hora se vc faz ou não tal jogada ou tal movimento. E quando você chega no castelo para encontrar o Dinossauro, ele até pergunta "Vem cá... será que essa princesa realmente existe?". E aí perguntamos: "Será que essa mulher tão perfeita realmente existe e eu larguei tudo pra uma coisa que é um sonho?"... mas também podemos fazer a seguinte pergunta (se levarmos em conta a interpretação da bomba): "Será que a construção dessa bomba realmente trará a paz mundial?". É aqui que o cientista duvida de sua criação - o que deve ter acontecido na vida real.
O que me intriga aí é só o papel da mãe do Tim, que ele fala dela naquela fase que, se você andar pra trás,. o tempo volta. No texto, ela parecia uma figura repressora. Enfim, isso ainda não entendi muito bem.
Putz, escrevi pra caralho... mas é que passei a porcaria do dia inteiro pensando nesse jogo!
Enfim, o que fica claro aqui é que minha admiração por esse game aumentou ainda mais.
Jonathan Blow conseguiu fazer o que queria: uma obra de arte!
Por isso repito: quem ainda não jogou, dê uma chance ao game. Você não vai se arrepender!



