Pagando bem, que mal tem? Tweet

Eu sou um grande fã do Kevin Smith como diretor. Porém, por mais "fanboy" que eu seja, tenho que admitir que sua filmografia possui tantos acertos (Balconista 1 e 2) quanto erros (Menina dos Olhos e O Império do Besteirol Contra-Ataca).
E, infelizmente, Pagando bem, que mal tem? (péssimo título brasileiro para Zack and Miri Make a Porno) foi o filme mais decepcionante que vi do diretor nerd.
Depois de polemizar com um cara apaixonado por uma lésbica (no excelente Procurando Amy), com o cristianismo (no polêmico Dogma), Kevin Smith quis criar uma nova polêmica: fazer uma comédia sobre filme pornô. A descaração é tanta que o nome do filme é "Zack e Miri fazem um filme pornô". Porém, a ousadia só ficou no título mesmo.
Zack (o onipresente Seth Rogen) e Miri (a gatíssima Elizabeth Banks) são dois amigos que se conhecem desde o colegial. Quando ficam na pindaíba, sem o menor tostão furado, decidem que a melhor forma de arrumarem uma grana é fazendo um pornô. Daí, vocês já podem imaginar o que acontece depois...
O filme até que começa bem! Quando os protagonistas vão ao reencontro do colegial e encontram o casal gay formado por Brandon Routh (que é um joelho interpretando) e Justin Long, é hilário! O MAC rouba a cena e é disparado o melhor personagem do filme.

Porém, depois disso a coisa começa a desandar e se torna uma comédia romântica com todos os clichês a que se tem direito. O filme se torna chato, a história não anda e os personagens principais não conseguem segurar a trama.
Para mim, o maior problema é que Pagando Bem, que Mal Tem? não tem cara de ser um trabalho de Kevin Smith. Na verdade, se eu já não soubesse quem é o diretor e se você me falasse que o filme foi dirigido pelo Kid Bengala, eu até acreditaria.
Jay e Silent Bob (ou Bob Caladão, dependendo de algumas dublagens) não estão na película, assim como as piadas nerds (só uma rapidinha sobre o Han Solo nunca ter comido a Princesa Léia).

No lugar, piadas sobre escatologia, sexo bizarro e outras coisas que qualquer outro diretor poderia fazer.
Até o elenco não tem mais as figurinhas de sempre. Jeff Anderson e Jason Mewes estão, mas o protagonista é o novo queridinho de Hollywood, Seth Rogen, que não consegue segurar a onda de protagonista. Como o maconheiro gordo da turma (Leo Finocchi?) ele é perfeito, mas como o galã? Nhé...
Elizabeth Banks nas cenas de comédia ficou ótima e é gostosa pra caralho! Pena que foram poucas cenas assim... Na maior parte da trama, ela foi a típica mocinha de filme romântico.
O resto do elenco é normal, nem fede, nem cheira. Só um adendo: Gerry Bednob, o velhinho indiano que também fez O Virgem de 40 Anos, possui uma das participações mais desnecessárias que eu já vi. Diferente de seu filme anterior, ele apareceu, soltou uns palavrões e foi embora. Não foi engraçado. Foi gratuito.
Finalizando, apesar do título desafiador, o filme se mostra sem graça, sem carisma e opta pela resolução rápida dos problemas. Isto é, não parece um trabalho de Kevin Smith, ainda mais depois de O Balconista 2.
Mas como falei no início do texto, curto o trabalho do cara e vou ver os próximos filmes que ele fizer (isto é, se forem lançados aqui no Brasil). Só espero que ele volte a assumir seu estilo e seus personagens... Os fãs agradecem!
Nota 4



