Melhores do Mundo

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Mar 19

Nerdquest

É raro falarmos de livros aqui no MdM (tirando as excelente críticas feitas por Simone Campos). Acho que nós seis só sabemos ler figuras...

Mas devemos "abrir umas aspas" para falar de Nerdquest. Afinal, não é todo dia que lemos uma história sobre um grupo de nerds brasileiros e mazelas (tirando o MdM, lógico).

[Mais:]

O livro conta a história de Lucas, um nerd recém-formado que tem que passar daquela transição jovem/adulto.

O problema é que ele se formou em um curso de que não gostava. Sua namorada não-nerd acha que ele deve abandonar suas nerdices para amadurecer, enquanto seus amigos nerds tentam convênce-lo a continuar o mesmo.

Segue a sinopse original:

Nerdquest apresenta um retrato bem particular de uma geração nascida e criada em plena era digital.

Os protagonistas são jovens fãs de música alternativa e cultura pop "descartável" – o estereótipo nerd encarnado –, divididos entre o universo virtual dos jogos de RPG e os desafios reais do mundo adulto.

Lucas, recém-saído da faculdade e sem perspectivas profissionais, tem que reavaliar suas prioridades e seus hobbies "nocivos" frente ao desafio de "amadurecer" (ou o que quer que isso signifique), enfrentando os dilemas amorosos e as crises existenciais típicas da juventude – aqui apresentados sempre com muita ironia e bom humor.

Com um estilo bastante "Kevin Smithiano", Pedro Vieira nos apresenta trama em que o ponto forte é o diálogo entre os personagens. Principalmente quando surgem as referências nerds. Os assuntos favoritos do autor são RPG (como é nítido na capa), Senhor dos Anéis e X-Men.

Nerdquest é uma leitura rápida, simples, descompromissada e deliciosa. Em entrevista por e-mail, Pedro Vieira contou que a idéia original do livro era para ser uma HQ ou de um curtametragem, e a forma como deve ser lida é exatamente assim: de uma vez só, como um gibi ou um filme.

Também perguntei se a história era autobiográfica, e ele respondeu:

Bom, a história tem mesmo muito algo de biográfico. Se eu tentasse negar, os meus amigos mais próximos iam rir da minha cara (risos). Mas o interessante é que, autobiográfico ou não, muita gente acaba se identificando com os mesmos dilemas-padrão.

Qual nerd nunca teve uma namorada implicante? Quem (nerd ou não) nunca ficou perdido na vida?

Eu podia fazer a opção de me distanciar do personagem, tentar maquiar as minhas próprias referências, mas quando estava escrevendo não me preocupei com nada. Não foi nenhuma opção consciente, eu simplesmente estava em casa, desempregado, fudido, sem rumo e sem nada pra fazer.

Então, realmente fiz desenho industrial no Fundão, realmente tive uma namorada chata pra caraleo (que eu nem sei se leu o livro), realmente toco baixo e toquei em uma banda experimental freak, até uma dinâmica de grupo na IBM eu fiz e aquele capítulo revoltado tem muito de "real". Se continuar procurando, vou enumerar zilhões de lances autobiográficos, embora, da mesma maneira, também existam outros zilhões de detalhes completamente ficcionais.

O interessante deste livro é que histórias sobre nerds já existem aos montes em outros formatos (O Balconista, A Vingaça dos Nerds e até a recente The Big Bang Theory). Porém, apesar de nos identificarmos, nós, nerds brasileiros, não temos nada a ver com típico nerd americano. Por isso, a identificação com os personagens ocorre logo nas primeiras páginas, principalmente se você for um nerd carioca. Só faltou eles irem à Gibimania.

Para finalizar: o último capítulo é excelente. O escritor descarta a máscara do personagem e cria um sincero monólogo sobre como guiar a sua vida, ou melhor, a "história do seu livro".

Nerdquest, da editora 7Letras, possui 104 páginas e pode ser comprado pelo próprio site da editora.

Nota 10


Mallandrox Email • 18:00:34 • Livros, A gente lemosPermalink 20 comentários
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