Top 5,5 piores adaptações das obras de Alan Moore Tweet

Nesta sexta-feira estréia a elegante adaptação de Watchmen para os cinemas. E este filme está longe de ser a primeira adaptação baseada em alguma obra do mestre Alan Moore.
Na verdade, todos as outras películas foram uma decepção total para o fãs do bruxo barbudo: ou são uma merda de quinta categoria ou ficam muito aquém da obra original.
Por isso, vamos eleger qual é a pior entre as cinco adaptações já existentes?
Só deixando bem claro que isto se refere única e exclusivamente à minha opinião.

5 – O Monstro do Pântano e o Retorno do Monstro do Pântano
Na realidade, Monstro do Pântano não foi uma criação de Alan Moore, mas sim de Len Wein e Berni Wrightson em 1971. Contudo, Moore o redefiniu quando se tornou o roteirista da HQ em 1983, tirando-o do lugar-comum de monstros de gibi e transformado em uma espécie de deus-planta.
O filme Swamp Thing, dirigido por Wes Craven (A Hora do Pesadelo e Pânico), foi feito um ano antes de sua entrada na revista (isto é, 1983) e é protagonizado por Louis Jourdan.
O ator repetiu o papel em 1989 com o filme The Return of Swamp Thing, desta vez dirigido por Jim Wynorski, com Heather Locklear como a mocinha.
Por que é ruim?
Ambos os filmes são toscos! EXTREMAMENTE toscos e trashes! O primeiro filme, mesmo tentando se levar um pouco a sério, era apenas risível por causa das atuações medíocres, efeitos de quinta e uma fantasia que parecia um vilão dos Power Rangers.
O segundo já quis assumir um lado "farofa", se tornando praticamente uma comédia, mas isso não significa que era engraçado.
Avaliação final: Os dois são facilmente encontrados em listas de piores filmes baseados em quadrinhos. Mesmo assim, por não se tratar de uma obra original de Alan Moore, vamos dar dar uma colher de chá e colocá-lo apenas em quinto lugar.

4 – Do Inferno
From Hell (2001), de Albert e Allen Hughes, é o primeiro filme baseado em uma graphic novel de Alan Moore. O cultuado Johnny Depp interpretou o protagonista ao lado da gatíssima Heather Graham.
Por que é ruim?
Ele não é ruim em si. É até bem feitinho, mas não chega aos pés da HQ (considerado por muitos O MELHOR trabalho de Moore). Transformaram uma obra violenta, inteligente e crua em um filme pop com ar de cult.
As diferenças são muitas, mas as mais drásticas foram as seguintes:
– O filme Do Inferno transformou o inspetor em um rapaz jovem e viciado em ópio, que graças às suas viagens "noiadas" consegue prever o futuro. Na HQ (e na vida real), Abberline é um senhor de meia-idade, casado e sem poderes paranormais. Quem possuia esse dom da vidência era seu parceiro. Isto é, FUNDIRAM dois personagens em um só.
– A HQ não esconde em nenhum momento quem é Jack, o Estripador. Toda a questão da EXISTÊNCIA do gibi é esta: quais eram os idéias do famoso assassino. Enquanto no filme, para sempre manter aquele clima típico de mistério no ar, fizeram com que a identidade do vilão fosse desconhecida.
Mesmo assim, a adaptação Do Inferno recebeu críticas divididas. Enquanto alguns acharam um trhiller emocionante, outros acharam um suspense besta com um romance sem desenvolvimento.
E Alan Moore foi um dos que não gostaram! Mesmo sendo seu primeiro trabalho adaptado, o barbudo não amoleceu e desceu a lenha na película dizendo que mal conseguiu assistir os 10 minutos iniciais.
Avaliação final: Vale a pena dar uma conferida só pela curiosidade. Se você já leu, é provável que não agüente assistir até o final. Caso você não tenha lido ainda, é apenas mais um filme de suspense divertidim como outro qualquer.

3 – Constantine
O mago John Constantine, criado pelo roteirista para o gibi Monstro do Pântano e que depois teve seu título próprio com o nome de Hellblazer, também ganhou sua adaptação para o cinema em 2005. Dirigido por Francis Lawrence (Eu sou a Lenda), que até então só havia dirigido videoclipes, tem como atores principais Keanu Reeves e a oscarizada Rachel Weisz (que eu como até com pimenta).
Por que é ruim?
Porque é uma adaptação extremamente livre do excelente personagem do selo Vertigo. Recriaram o personagem do zero, o fizeram americano e a única coisa que tinha em comum com o original é que também estava morrendo de câncer (porque o filme é "baseado" no arco "Hábitos Perigosos", escrito por Garth Ennis).
Esqueçam o personagem escroto, egoísta e extremamente filhodaputa que é o Constantine dos quadrinhos. No filme, o cara é "somente" um escolhido (Matrix?) que agora busca o perdão divino para poder descansar em paz... E o pior: usando a porra de uma arma em forma de CRUZ!
Obviamente que Alan Moore nem quis chegar perto disto. Se não em engano, ele até fez questão que tirassem seu nome nos créditos como criador do personagem.
Avaliação final: Se você nunca leu nada de Hellblazer, veja o filme como um Matrix de demônios. Caso já tenha lido qualquer coisa... Fique longe! Fique muito longe!
Vocês também podem ler a crítica do Hell sobre o filme.

2 – V de Vingança
No mesmo ano de Constantine, também saiu a adaptação de uma das maiores obras de Alan Moore: V for Vendetta. Apesar de ser dirigido pelo estreante James McTeigue, os grandes nomes que ofuscaram os pôsteres e trailers eram dos Irmãos Wachowski, como roteiristas e produtores, além do elenco de atores cultuados, como Natalie Portman (mais gostosa que bolo de brigadeiro) e Hugo Weaving.
Por que é ruim?
Rapaz... Falar deste filme é complicado! Ele se dizia extremamente fiel às idéias de Alan Moore, mas fez mudanças sutis. Algumas pessoas caíram nessa (como o Spider). Porém, essas mudanças não foram tão sutis para os nerds fervorosos pelo trabalho do escritor inglês (eu sou um deles).
Vamos a algumas delas:
– No primeiro encontro entre Eve e V, o anti-herói mascarado a salvou dos Dedos. Na HQ, não sabendo que eles eram fofoqueiros do governo, ela os abordou para se PROSTITUIR (isto porque sua vida já estava no fundo do poço), enquanto no filme, ela simplesmente estava voltando para casa tarde. Que boa moça, não?
– Nos quadrinhos, a relação entre os dois protagonistas é de pai e filha (ela até desconfia isso no início). Como esse tipo de relação não dá certo para o meio cinema, eles foram transformados em um casal... COM DIREITO A ELA BEIJAR A MÁSCARA NO FINAL!
– No filme, transformaram uma mulher que perdeu tudo (detalhe: duas vezes) em uma adolescente mimada. Em determinado momento ela chega a gritar "eu te odeio, V! Odeio!" e corre batendo a porta para mostrar toda a sua birra. Talvez tenham pegado um roteiro de Três é Demais por engano.
– Em um programa de humor, em meio aquela ditadura ferrenha, o apresentador quis brincar de "matar" o ditador. No final do programa, ele estava tranqüilo, dizendo que só receberia uma multa, mas obviamente foi torturado e morto. Aí eu lhe pergunto: quem é mais idiota? O personagem por acreditar que aquela provocação ia ficar por isso ou os roteiristas que acharam que a gente engoliria uma merda destas?
Foi como eu escrevi antes, são mudanças sutis, mas que acabam com toda a estrutura da história.
Mais uma vez, Alan Moore mandou todo mundo para as favas e fez questão de que nos créditos iniciais estivesse escrito que é uma adaptação de uma graphic novel de David Lloyd somente.
A maioria das críticas concordou com o criador, descendo a lenha na adaptação. Mesmo assim, o filme fez sucesso com as pessoas, pois chegou a lucrar mais de US$ 130 milhões ao redor do mundo.
Avaliação final: No final, as duas obras conseguiram o mesmo resultado. A HQ possui uma história angustiante, que você lê cada página com gosto, querendo saber até que ponto o genial Alan Moore vai chegar. Já o filme também é angustiante, pois você fica implorando aos céus para acabar logo de tão ruim que é!
Vocês também podem ler a crítica do Bugman sobre o filme.

1 – A Liga Extraordinária
The League of Extraordinary Gentlemen, de 2003, é a segunda adaptação de uma obra de Alan Moore. Dirigido por Stephen Norrington (Blade), tem no elenco o eterno James Bond, Sean Connery.
Por que é ruim?
Eu sinceramente nem sei por onde começar!
Primeiro, que é um péssimo filme e PONTO. Não é nem a questão de ser uma adaptação fraca da genial obra do Moore, mas sim que é um filme tão medíocre e raso que o nome poderia ser "Vovô Nota Mil" que acharíamos a mesma merda.
Segundo, rolou um arranca-rabo entre Connery e Norrington. O ator metia o bedelho na direção, mudou o roteiro e participou até da edição. Com isso, o próprio diretor nem quis participar do lançamento do filme e quando perguntaram para Connery onde ele estava, este apenas respondeu para procurarem no asilo da cidade.
Terceiro, em entrevista recente à revista Wired, o próprio Alan Moore confessou que acreditava que, diferentemente de seus outros trabalhos, A Liga Extraordinária possuía a estrutura para funcionar em um filme. E o que eles fazem? Cagam no pau!
Quarto, para não falarem que Moore é chato com cara de mamão, o desenhista da HQ, Kevin O'Neill, também fez declarações bastante severas como dizer que o filme fracassou, pois os produtores não respeitaram o trabalho original. O artista ressaltou que, se este fosse mesmo o último papel de Connery para o cinema, teria sido melhor que fizesse o Allan Quatermain de Moore e não o do filme.
Quinto, a Fox foi processada DUAS VEZES por este filme. Em uma porque os personagens inseridos que não existem na HQ mas que foram inseridos no filme, Tom Sawyer e Dorian Gray, não eram de domínio publico para poderem ser utilizados sem autorização. E a outra é que uma tal de Cast of Characters processou a empresa por plágio, alegando que pegaram o nome da HQ somente como uma "cortina de fumaça" para fazerem um filme do tal dito cujo.
Sexto, foi graças a estes processos que Alan Moore nunca mais quis ver seu nome nos créditos. Parabéns, campeões!
Sétimo e último, o filme, que foi um fracasso tremendo de público e critica, não só ofendeu a original Liga Extraodinária, como também todas as obras literárias que originaram a HQ.

0,5 – Para o Homem que Tinha Tudo
Para posição 0,5, vamos citar talvez a única adaptação que Alan Moore aceitou de bom grado!
"Para o Homem que Tinha Tudo" foi escrita por Moore para Superman Annual #1 em 1985 e, desde então, é considerada uma de suas melhores histórias.
Sendo assim, na terceira temporada do elogiado desenho animado da Liga da Justiça, os roteiristas decidiram adaptá-la. E para surpresas de todos, Alan Moore não somente deixou seu nome nos créditos como ELOGIOU o resultado final.
O desenho segue de forma extremamente fiel a obra original. A pequena diferença é que mostraram como foi o sonho do Batman.
Por isso mesmo, um epísódio de 20 minutos de Liga da Justiça Sem Limites é a melhor (para não dizer única) adaptação de uma HQ de Alan Moore!



