Avenida Dropsie, por Bugman Tweet

A peça Avenida Dropsie está de volta à São Paulo. Já falamos dela por aqui, mas como não vi o espetáculo anteriormente resolvi escrever uma resenha após assistir seu retorno.
Em cartaz no Teatro SESI, Avenida Dropsie conta com a direção de Felipe Hirsch e um belíssimo elenco: André Frateschi, Duda Mamberti, Erica Migon, Guilherme Weber, Jorge Emil, Leonardo Medeiros, Magali Biff e Maureen Miranda. As sessões ocorrem entre quarta-feira a domingo, às 20 horas. O ingresso custa R$ 10,00 (inteira) e R$ 5,00 (meia entrada).

A montagem de Avenida Dropsie consegue ser teatro, mas ao mesmo tempo, referencia três artes indispensáveis para a compreensão do que há entre os tempos modernos e pós-modernos de cena e obscena: o cinema, as artes plásticas e, é claro, os quadrinhos.
É chover no molhado (literalmente) falar da cenografia de Daniela Thomas. Toda essa interseção entre as três artes passa por esse trabalho e pela luz de Beto Bruel. O escultural prédio é uma arte à serviço dos quadros que são cada janela e que se tornam quase cinema quando a luz traz o sol, a chuva ou o passado.
Certa vez, Orson Welles disse que no teatro o espectador escolhe o seu foco, mas no cinema é a direção que faz essa escolha. Avenida Dropsie nos deixa escolher, mas acerta quando opta por oferecer como opção, os seus detalhes. A peça não comete o equívoco de misturar e encher referências e histórias, mas oferece muitas cenas com um destaque pré-concebido. A janela do espanhol que intueram levar para la reabilitación ou a alemã? A ruiva obscena ou o onanista voyeur? Tal qual uma enorme paisagem da qual você vê apenas um pedaço por apontar naquela direção.

A tela transparente usada no espetáculo e a luz tornam o efeito da chuva menos palpável e muito mais visual. A água continua inodora, incolor e insípida, mas em Avenida Dropsie torna-se essencialmente estética.
Os atores estão todos fabulosos. Sempre gosto de buscar destaques, mas aqui creio que isso soaria injusto. A Sutil Companhia de Teatro faz um teatro forte, vigoroso e, absolutamente, arrebatador. Uma peça que, muito além de homenagear, Orson Welles, consagra a arte de atuar. Vá e aplauda. De pé.
Nota: 10
Bugman aplaudiu de pé



