Senado conclui votação da meia entrada Tweet

Bom, apesar de não ser uma notícia sobre a última loucura do Joe Quesada com o Homem-Aranha ou sobre mais uma patética novidade do filme da Liga da Justiça, ela é importante para todos nós. A meia entrada afeta muito as vidas dos nerds, então vamos dar uma olhada qual foi o resultado da votação do senado.
Confira o texto que saiu no M&MOnline:
A Comissão de Educação, Cultura e Esporte do Senado concluiu a votação do projeto de lei (PL) 188/2007, que regulamenta a meia entrada no país. Ficou mantida a limitação do benefício, assegurado a estudantes e pessoas com idade acima de 60 anos, a 40% das bilheterias dos eventos culturais. Também foi indicado que a emissão das carteirinhas de estudante será realizada exclusivamente pelas organizações estudantis e sua confecção será feita pela Casa da Moeda para garantir a autenticidade.
A votação deve seguir agora para Câmara dos Deputados, isso se nenhum senador solicitar sua apreciação em plenário. Cientes de que a batalha na Câmara será ainda mais difícil que a enfrentada no Senado, uma comitiva de artistas esteve reunida com o presidente da Câmara, Arlindo Chinaglia (PT-SP), na terça-feira,9, para pedir pressa na apreciação da matéria e destacar a importância da manutenção da cota de 40% das bilheterias para garantir a queda nos preços dos eventos culturais e a sobrevivência para aqueles que trabalham com cultura no país.
O texto aprovado pelos senadores contraria as reivindicações da União Nacional dos Estudantes (UNE), que alega que a restrição na emissão das carteirinhas já será suficiente para diminuir o número de pagantes da meia entrada. Os estudantes esperam derrubar a política de cotas na Câmara, onde julgam haver maior espaço para conquistar apoio.
Mesmo com o avanço nas últimas semanas, a expectativa é que a tramitação seja concluída somente em 2009.

Esse assunto de meia entrada é complicado.
Primeiro, vamos ser francos. Meia entrada hoje é um ingresso inteiro.
Se analisarmos o contexto inicial, a meia entrada é válida. Ora, quando eu era um moleque no colégio, tinha que guardar o dinheiro da merenda para ir ao cinema (deve ser por isso que fiquei tão magrinho). Não tinha mesada e, mesmo os estudantes que tinham, reclamavam que era pouco. Ir ao cinema era algo raro de se acontecer. O idoso também sofre, pois sua aposentadoria é uma vergonha e a grana que ele gasta em remédios é surreal. Então, a meia entrada é válida, pois auxilia esses fudidos de grana a consumirem cultura: cinema, shows, teatros e eventos.
Antes de 2001, cerca de 40% do público cinemas brasileiros pagavam meia entrada. Ao longo desse tempo, várias faculdades e colégios vagabundos simplesmente começaram a nascer do nada e rapidamente, já em 2007, cerca de 75% do público dos cinemas brazucas já pagavam meia.

E aí o que aconteceu? Os cinemas e casas de shows brasileiros adotaram uma estratégia safadíssima... safadíssima ao extremo! Tão safada que nem nós do MdM, os caras mais safados do mundo nerd, pensaríamos: eles simplesmente DOBRARAM o preço de todos os ingressos!
E o que isso provocou? Shows do REM e Radiohead a R$200 cascalhos na entrada inteira.
Fui ao show do REM aqui no Rio. Não, não paguei a inteira. Clientes do HSBC tinham um desconto generoso e pude ir a um preço que considerei justo (no pior lugar do estádio onde, na minha visão, o Michael Stipe parecia uma formiguinha branca que rebolava).
E o que aconteceu nesse show? Estádio vergonhosamente vazio por causa dos preços absurdos. As arquibancadas do HSBC Arena foram cobertar com um pano preto para camuflar os espaços vazios. Na pista, riquinhos que só foram ao show por não ter nada pra fazer em um sábado à noite.

Michael Stipe cantava Orange Crush, um dos maiores clássicos do REM, e todo mundo ficava parado. Se eu fosse o Hell naquela hora, dava voadora em todos eles gritando "CANTEM ORANGE CRUSH, SEUS BOSTAS"!
E tem mais. Outro dia estava lendo o nosso colega de blogs Imprensa Marrom e o Gravatai fez uma excelente colocação sobre a meia entrada:
Podemos passar horas citando outros exemplos desse tipo. Há milhares de shows e eventos caríssimos, cuja "metade" continua sendo muito cara e obviamente fora da alçada da população carente, de modo que a "lei da meia-entrada" não presta para garantir o acesso a quem não tem suficiência financeira para isso – mas sim presta-se como "colher de chá" para gente com grana economizar uns trocados.
A classe média alta, por exemplo, usa e abusa da meia-entrada. Vejo, por exemplo, nas filas das super-salas de cinema, nos finais de semana. Os ingressos, é verdade, são caríssimos. E, na fila, casais extremamente bem vestidos, visivelmente inseridos em classes sociais altas, sacam suas carteirinhas e pagam metade do que pagariam (e pagarão) outros muito mais pobres.

As novas medidas sobre a meia entrada devem reduzir um pouco esse oba-oba. O problema é que os cinemas e as casas de shows não vão reduzir os preços dos ingressos.
No fim das contas, todos se fodem, menos as casas de shows e cinemas. Mas quem se fode mais ainda são nerds como eu, que já não estão mais na faculdade e não ganham tanto para sustentar regalias como cinema fim de semana e shows caros.
Azar, então.
Fico sem ir ao show do Radiohead e sem dar chance a filmes menores no cinema.



