Nerd Show: Marco Rudy!

Desde que ouvi falar de After The Cape queria fazer uma entrevista com Marco Rudy. Entre a surpresa de descobrir que ele é moçambicano - e não brasileiro apesar de viver em Porto Alegre desde 2002 - falamos sobre a carreira do cara e ele deu dicas para quem quer conquistar o mundo dos quadrinhos além do War.

Bugman: Você começou a ser falado por aqui com After The cape. Como foi fazer esse trabalho e o que você fez - ou está fazendo - depois disso?
Marco Rudy: Bom, After the cape chegou até amim através do escritor Howard Wong de quem fiquei amigo no fórum da Ronin Studios, onde antes já havia feito um trabalho (que na verdade foi a primeira coisa de HQ que fiz que saiu publicada em algum lugar e só o meu Segundo trabalho de quadrinhos) - cujo titulo é Corrective Measures. O Howard me contactou com a proposta de pitchar (nota do Bugman: pitchar vem de pitch que é a proposta de publicação. Normalmente, são algumas páginas com arte e uma sinpose do que se pretende fazer).
um título com um herói decadente e bêbado, que achei muito boa logo de cara - e que se perdeu rápidamente no trabalho em si, gracas ao "grande" Jimmy Vee...Mas isso é outra história.
Sobre o que tenho feito desde então: mais do que imaginava e menos do que precisava, pelo menos até um tempo atrás. Saindo de After The Cape, encontrei o estúdio Popart aqui em Porto ALegre, estúdio do artista da Blue Beetle, Rafael Albuquerque, onde conheci mais artistas fenomenais - Mateus Santolouco, André Coelho, Cris Peter e Edu Medeiros, todos eles top - e me afiliei ao estúdio por um ano, até recentemente. Foi Ótimo, aprendi a mexer com nanquim fiz umas capas para a BOOM! Studios e fiz uns inicios de histórias que nunca viram impressão e, eventualmente, fiz uma graphic novel escrita pelo Keith Giffen cujo publisher achou que pagar não era interessante e isso me deixou em Muitos maus lençóis.
Desenhei pra caralho e as páginas nunca sairam em lugar nenhum. Eventualmente, a coisa mudou e quem tem acompanhado Final Crisis e seus Spin-Offs pode ver meu trabalho por ali
Bom fazer After the Cape comecou por ser...Inebriante...Afinal, trocava e-mails com Jim Valentino, cujo trabalho com os Guardiões da Galáxia eu curti. Era ótimo e ele, como editor, me ajudou MUITO. Passou de inebriante para um bocado preocupante quando me vi a mãos com trabalho, faculdade e a... "personalidade" dos meu editores, que não ia ajudando lá muito. Acabou sendo decerto determinante porque embora não tenha terminado a terceira edição, e embora tenha terminado não muito bem a minha relação com eles, After The Cape 1 foi um sucesso absoluto, esgotou tudo e pôs o nome "Marco Rudy" no burburinho geral. Mas levou um Tempo até conseguir outro trabalho.
Bug: Bom, After The Cape tem uma premissa semelhante a Watchmen, que vem chegando nos cinemas, quais rumos vocês tomaram pra torná-la uma história diferente? A estética lembrava um pouco Sin City...

MR: A premissa era bem boa. Um herói, o "Superman" da cidade ali, que teve seus altos mas viu que a fama não põe dinheiro em casa e, eventualmente, cedeu e muito, para o álcool. Até essa parte me lembrava um bocado de uma fase do Homem de Ferro que curti...Tipo tratava da bebida mesmo, o gajo acaba se virando para pequenos crimes para saciar o vício, tal qual qualquer junkie fariae se tivesse prosseguido nisso, focando a destruição familiar e tal eu acho que seria melhor, mas bom optaram por trazer outas coisas e aquilo fechou uma salada russa no final.
Sobre o visual: nas páginas do pitch que mandamos foi sugerido usar cor e até tentamos com vários coloristas (um pior do outro, na verdade, nada contra cor, mas eles eram beeem fraquinhos) e o Valentino acabou pedindo que propusesse um look diferenciado, que se abdicasse da cor (fora que era mais barato, e era menos gente para dividir o lucro).
Eu Não usei Sin City como referência. Não diretamente, pelo menos. Naquele momento, havia saído o filme animado Renaissance cujo look é, de certa forma, baseado em sin city com grande enfoque no alto contraste. Achei aquilo perfeito e resolvi usar Aquele look. Se é inspirado em algo...É no Visu do Renaissance

Bug: Bom, você tem seguido uma carreira de sucesso nos states com o mundo nerd. É o sonho de muita gente. Começa me dizendo o que fazer pra realizar esse sonho?
MR: É um sonho, com certeza. E na verdade antes não era nem sonho porque em Moçambique quadrinhos não era uma realidade...Era algo Muito esporádico que vinha ou de Portugal ou do Brasil ou da África do Sul. Não tinha continuidade nenhuma e pensar em trabalhar nisso era além das minhas capacidades, simplesmente achava impossível. Mas a dica é a seguinte, ou melhor, a PALAVRA é a seguinte: Perseverança. Comecar tem que se comecar de algum lado e, de alguma maneira. Se queres apostar tuas fichas nisto vai já sabendo que não é Fácil, vai haver Muita gente que não quer te pagar pelo trabalho e você pode ser melhor do que o Tony Daniel mas não vais desenhar o Batman até MUUUIIITA coisa acontecer.
E também é importante estar nos lugares, conhecer as pessoas, ir aos fóruns trocar idéias com criadores...Sei que vários dos fodões, Bendis, Rucka, Fraction, Vaughn têm fórums, têm myspace, e eles Falam contigo nem que você dê uma de fâ babado (eu Fiz isso com o Briank. Vaughn e hoje sou "conhecido" dele no myspace). Ano passado estive na FIQ e foi Ducaralho!!Conversei com Muitos astros da indústria (o Risso, o Guedes, o Grampá, grande Grampá, os gémeos e por aí vai..e ainda pessoal da DC que estava lá também) e isso foi muito importante porque além de saberem que tens talento (ou não) sempre é bom eles saberem que tu és um gajo apreciável (Nota do Bugman: ele quis dizer um cara sério, bom profissional etc. Garoto Confuso, não se anima!), vai atrás, persevera, estuda e, eventualmente, o teu esforço será pago. Mas conhecer as pessoas certas ajuda um bocado. Muito.
Bug: A gente tem muitos exemplos aqui no Brasil de artistas se dando bem lá fora. Todos são grandes desenhistas e/ou coloristas. Mas ainda não vimos alguem que só escreva, um grande roteirista nacional estourando lá fora. O que falta e o que os artistas podem fazer pra isso?
MR: Bom, vocês já têm um expoente nesse quesito: os gêmeos geniais, a dupla de dois o Fabão e o Bão. Gabriel Bá e Fábio Moon e não só: Rafal Grampá. Para quem anda por Porto Alegre ou São Paulo pode conferir a "PowerTrio" - roteiro e arte feitos a 3 mãos, Edu Medeiros, Rafael Albu e o Mat Santolouco.
Bug: Sim, mas eu digo alguém que SÓ escreva...O que torna tudo mais difícil. Correto?
MR: Concordo que ainda é um mercado bem emergente o dos roteiristas brasileiros na nona arte, no caso do mercado americano.
Bug: Quer dizer, um aspirante a roteirista deve escrever roteiros e mandar para os editores ou tentar produzí-las sózinho?

MR: Depende. Estes dias estive a ler, na verdade, HOJE estive a ler uma entrevista do Dirk Manning no Newsarama onde ele fala de ter levado seu trabalho autoral para a Shadowline (linha da Image que publicou o After The Cape) onde ele não se propõe a mudar a veia autoral para representar uma multinacional e prefre pitchar os trabalhos dele para uma editora com mente aberta.
Então, acho que você deve produz o teu trabalho o melhor que puderes, entra nos fóruns de escritores - sempre se aprende ou se pesca algo por lá - e, se a tua ideia for boa o suficiente quem sabe alguém te chame? E outra, infelizmente ou felizmente, roteiristas, por melhor que sejam Precisam de artistas. Só um roteiro até para os americanos é Bem complicado de conseguir algo.
O Grampá, por exemplo, fez o Mesmo Delivery se animando em cada coisa que fazia, quase que fez o trabalho dele para ele e funcionou. Eu começaria por aí. Sou um leitor nerd e até bem crítico nisso. Então se sou assim, o Meu texto tem que empolgar a mim primeiro e fazer sentido.
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Enquanto isso no Msn do Mdm...
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Parabéns pela entrevista, Bug!
10
Marco, parabéns mesmo.
Excelente entrevista, Bug e Marcos! Desejo muito sucesso para o Marcos, porque pelo que eu to vendo ele manda bem PRA CARALHO.
E sair de Moçambique pra fazer sucesso nos EUA é uma coisa sem descrição...
Uma outra dica pra quem quer ser roteirista: Vá nos sites das editoras e procure por "submissions". A maioria das editoras não procura roteiristas pois precisam muito mais de artistas, mas eventualmente elas põe o anúncio. A Avatar, por exemplo, sempre procura roteiristas. Se não sabe escrever inglês, pode arrumar alguém pra traduzir.
Mais uma coisa: Pesquise muito a cultura americana. Os caras procuram pessoas que saibam se "conectar" com o leitor americano, então preste bastante atenção nos programas de TV, procure informações na internet, filmes e etc.
E por fim, LARGUE OS QUADRINHOS E LEIA MUITOS LIVROS. Com carga literária, você vai trabalhar da posição de "escolha" e não "necessidade" (como diz Syd Field), e vai poder encontrar seu estilo e referências de montão.
Eu não sou roteirista nem nada (sou aspirante, e longe de estar pronto), mas isso aí que eu disse é confiável.
p mim tu és o 2º melhor do mundo msmo (1º eh meu mano claro ehehe)...teus deseños são maravilhosamente maravilhosos!
adoro-te mucho
bedjos
abraco
Li a entrevista por completo e vi os desenhos que ainda não tinha visto. Sempre acreditei nesta tua trajetória de sucesso e continuo apostando fichas no amigo. Plantaste muitos e bons frutos, chega o momento bom de aproveitar a época da produção e continuar plantando boas sementes.
Conte com o sempre amigo Keyframmer
ao qual fui agraciado com a representação do meu EU virtual pelo excelente desenhista Marco Rudy, ao qual compartilharei com todos em breve no site do autor Marco Rudy.
Parabéns pelo sucesso e torço muito sempre por você e sua família.
SUCESSO, SUCESSO, SUCESSO ...
do Fã
Um abraço ao amigo,
Keyframmer
"Red Hulk, tudo bem. Mas o Batman? Não era necessario apelar."
E na chamada da capa apareceria: Hell X Wolverine X Tia May.
as páginas da JLA vs Galactus fazem apenas parte de material de portfolio, num roteiro imaginário q criei para poder desenhar personagens Marvel e DC..e. ganahr um olhar interessado de editores das duas.
.....não funcionou muito, na altura. ehheheheh
Obrigado pelos elogios!
Fiquei curioso pra ler after the cape, o que rolou afinal? Quantas edições eram? Ele saiu antes do final?
Eu li a entrevista meio corrido e isso não ficou claro pra mim.
e Poxa ele concretizou o sonho de muitos nerds, Batman peitando Galactus.
(Eita, não tem mais podcast novo??²
Se é falta de assunto deixei umas dicas do que falar no último podcast)
Olhem, no parapeito daquele prédio, será o Superman???
Não, porra, olha pro símbolo no peito dele, é o Capitão Gay!!!!!!!!!!!!
abcs
Cara, acho isso um dos grandes problemas do mercado nacional, porque desenhista é masi fácil de achar, mas eles normalmente, leiam bem: normalmente, não sabe criar bons roteiros e ficam em histórias clich~es e sem futuro, ai o cara que sabe escrever tem que ainda por cima saber desenhar para poder mostrar mais facilmente seu trabalho, complica ainda mais as coisas.
abcs
visitem o site, caso queiram ver mais!
nyaaaaaaaaa vou batalhar...toh sem trampo mesmo...
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Yes!!! La Brute rules!
http://ogro-mdm.labrute.fr/
http://niely.labrute.fr/
http://cria-de-luna.labrute.fr/
preferia um podcast. =(
mimimimimimimimimimi


