A Vida Secreta dos Grandes Autores Tweet

Escrito por Robert Schnakenberg e ilustrado por Allan Sieber A Vida Secreta dos Grandes Autores é um livro que chama a atenção pela criativa capa, de Sieber. E é basicamente nisso que se resumem os méritos do livro: as imagens.

Basicamente, A Vida Secreta possui quase nenhuma informação curiosa que não possa ser encontrada pelo Google. O objetivo do livro é contar causos de grandes escritores que a maior parte do público não conheça como os filhos bastardos de Shakespeare e as crenças atípicas de Arthur Conan Doyle, criador de Sherlock Holmes. Nesse contexto, Schnakenberg não parece ter se dado ao trabalho de sujar os sapatos e fazer uma pesquisa in loco, fosse nas bibliotecas ou até mesmo onde os escritores que aborda viveram.
"Mas isso impede alguém de escrever um livro?" Bom, na verdade, não. Você pode, perfeitamente, escrever um livro que informe - ou um blog que informe :) - sem sair do seu quarto, mas para isso precisa de um
texto diferenciado que transforme a sua forma de escrever, seu estilo no grande atrativo para o leitor. E isso, o escritor não tem.
Todos os perfis se assemelham e contam com uma escrita tediosa como um típico obituário de uma revista de variedades. Até mesmo as situações mais esdrúxulas que escritores viveram são narradas de uma forma pseudojornalística com um destaque para informações que só interessam realmente para quem tem preguiça de pesquisar no Google ou interesse pela forma como o autor escolheu os personagens e suas informações.
A coisa só piora quando algumas informações são equivocadas como a analogia entre Senhor dos Anéis, de Tolkien, e a Primeira Guerra Mundial. O escritor sempre refutou a comparação apontando suas incoerências, mas o livro afirma categoricamente que personagens do livro foram inspirados nos "soldados rasos" com quem o escritor conviveu quando serviu. Nesse caso, ou o autor assume a informação como uma opinião ou deixa a impressão que se trata de um dado corroborado pela sua "pesquisa".
Quantos outros perfis têm o mesmo engano? Não sei...
Nesse ponto, a Ediouro acerta no trabalho de diagramação. As ilustrações de Sieber dialogam com os quadros preparados e tornam a linguagem chata de Schnakenberg em algo divertido em alguns momentos. É curioso que a melhor coisa do livro, seja justamente o que apenas sua versão brasileira tem. Pena que isso não salve o livro, mas é um grande consolo.
Nota: 3
Bugman tem uma vida secreta...



