Turma da Mônica Jovem, agora parecida com jovens Tweet

Bom, quem leu a Turma da Mônica Jovem teve o desprazer de ver "jovens" estereotipados que não se parecem muito com adolescentes de verdade.
Mas isso está prestes a mudar. Pelo menos é o que garante o pai da turminha, Mauricio de Sousa.
O quadrinista e empresário deu uma entrevista ao jornal O Estado de S. Paulo falando sobre a nova faceta de seus personagens e a reação dos leitores. O veículo também revelou que o primeiro beijo de Mônica e Cebolinha será a capa da edição #4, que deve chegar às bancas dia 22.
Confiram aí os trechos mais interessantes da entrevista.
Mauricio diz que o projeto original não era em mangá:
A proposta inicial está no número zero, criado há uns quatro anos, e seguia a linha de um desenho mais sofisticado para atingir a criançada mais velha. [...] O estilo mangá surgiu por conta da sua influência sobre a criançada. Mas o que fazemos não é exatamente mangá, é um produto mestiço, tem muito do mangá, mas também de nossa arte final, dos traços originais.
Na minha opinião, essa mistura não deu certo. Nada contra misturar estilos se for pra criar algo novo, mas o resultado aí parece mais uma cópia mal-feita das duas coisas. É como aquele tal de "Nouvelle Manga", outra bobagem que não faz jus às fontes de inspiração.
Sobre o público-alvo principal, a molecada entre 12 e 16 anos, Mauricio diz o seguinte:
Estamos conseguindo chegar até eles. Só que como bons e tradicionais jovens - eles não gostam da palavra tradicional, mas sinto muito, jovens são como são desde que o mundo é mundo - eles criticam tudo. "Ah, não, isso não é o mangá japonês; ah, não, o Cascão não devia ter tomado banho; ah não, não devia ser preto-e-branco." Criticam e compram.
Aqui no MdM chamamos esse raciocínio do Mauricio de "Pensamento Joe Quesada": se os leitores reclamam do que a editora faz, mas o gibi vende bem, então as coisas continuarão sendo feitas do mesmo jeito.
Ao ser perguntado sobre a mudança de rumos da revista para o lado da fantasia, Mauricio admitiu o tropeço por parte da equipe criativa:
Foi mesmo uma escapada. Não era para ser tanto assim. Repare que no primeiro número há uma parte de cotidiano, daí a coisa voou para outros lados e agora temos de terminar a aventura, o que ocorre no número quatro. No quinto, já entrará um pouco do dia-a-dia deles lá no bairro do Limoeiro. A partir do retorno que tivemos, estou pedindo aos roteiristas que no primeiro plano estejam as emoções. Essa é a linha que queremos dar para as histórias, valorizar o aspecto humano, conflitos, medos - emoções no bojo de um tema. O tema temos que escolher muito bem. É um desafio. Nenhum estúdio está se arriscando num trabalho assim.
Achei bacana da parte dele reconhecer a escapada. Falta ver se vão conseguir realmente retratar bem os adolescentes. Se bem que Harry Potter não conseguiu (nem tentou, na verdade) e foi um tremendo sucesso, então continuar nos estereótipos deve ser o caminho pra vender bem.
E vejam o que o Mauricio falou sobre as críticas e pedidos dos leitores:
Os jovens sugerem que as histórias sejam mais corajosas, ousadas, que brinque mais com os tabus. Mas não vou fazer do jeito que eles pedem. A Mônica é um gibi da família. As revistinhas circulam na mão da criançada. Claro, os tempos mudaram. As crianças que têm 7 ou 8 anos hoje abrem os olhos para o mundo, como ele é, muito cedo. Seja pelo noticiário da TV, pelas conversas em família ou na escola. Isso torna qualquer tema permitido. Tudo é possível de abordar, contextualizar e discutir. Esses assuntos cobrados passarão pela Turma da Mônica Jovem, mas de uma maneira suavizada, não no sentido de afastamento da realidade, mas no de tratamento adequado.
E como prova de que é um gibi família e que tudo terá um tratamento adequado, confiram esse papel de parede disponível no site oficial da Turma da Mõnica Jovem. Belo colar de coelhinho, não?
E a minha parte favorita, quando Mauricio explica como o Bidu ainda pode estar vivo com o Franjinha já crescido:
Pois é. Até criamos uma situação em que o Franjinha inventou uns comprimidos para ele. Mas tenho sugerido aos leitores que se lembrem que hoje, com ração adequada e vitamina, os animais domésticos vivem mais. Eu não vou matar nenhum bichinho.
Bicho, o Bidu não morre! Será que ele é um cachorro imortal? Ou será um cão morto-vivo, aproveitando a moda dos zumbis? Será que veremos em breve um gibi com as aventuras do incrível Zumbidu?
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