007 - Quantum of Solace, por Bugman Tweet

Eu passei os meses que precederam Casino Royale apostando no fracasso do filme. Não acreditava em um James Bond mais realista e dramático. Admiti meu erro. Quantum Of Solace talvez seja a resposta às expectativas negativas que a reformulação do personagem na pele de Daniel Craig causou.
Para começar, o filme dirigido por Marc Foster, que substitui Martin Campbell, é ruim. E assim já seria se fosse com outro personagem qualquer. O fato de ser uma adaptação do espião britânico só torna tudo muito pior.
Neal Purvis e Robert Wade fizeram um péssimo roteiro. Com uma trama complicada demais, diálogos melodramáticos e constrangedores e cenas absolutamente inverossímeis. Durante o filme, houve muitos momentos em que pensei estar lendo um gibi do Wolverine com todo aquele papo clichê de anti-herói: "você precisa se perdoar"; "liberte-se dessa prisão que está dentro de você" (dizem que Eno ajuda nessa) e por aí vai.

A coisa toda piora porque Craig e o resto do elenco não são tão dramaticamente bons para sustentar essas situações. Além das falas dignas de Jeph Loeb, ainda tem o agravante de cenas inverossímeis. Em uma delas, Bond seduz Strawberry Fields (a lindíssima Gemma Arterton), uma agente sisuda e que deveria acompanhá-lo de volta à Inglaterra.
Até aí, tudo bem. Mas o problema é que o agente leva a mulher para a cama de uma forma digna de qualquer outro filme da série. Afinal, este é um filme mais realista ou não? O mesmo problema ocorrem em uma cena em que o espião cai de um avião e abre um pára-quedas a poucos metros do chão. Enfim, são dois momentos facilmente digeríveis quando James Bond era uma brincadeira de absurdos em cenas de ação. Mas se a proposta é torná-lo mais sério...
Quantum of Solace reutiliza o plot da agente Vésper (Eva Green). Bond ainda persegue quem matou a moça e o filme começa de onde Casino Royale parou. A idéia é boa já que permite reutilizar situações antigas que tornem o personagem mais denso. Pena que o filme abuse tanto da idéia de conspiração que fica difícil entender exatamente o que os vilões planejaram e o que o agente evitou. Mais difícil do que qualquer filme de espionagem ou de drama deveria ser. Talvez por isso o ponto alto do filme sejam as cenas de ação, quando o preparo físico de Craig impressiona. O problema é a falta de competência de Foster que deixa as cenas rápidas demais a ponto de, muitas vezes, se tornarem confusas quando não são gratuitas.

Olga Kurylenko é linda, sensual e vive Camille, uma bond girl tão promissora quanto Vésper. Falta apenas o talento de Eva Green o que só piora tudo. O filme ainda retoma personagens do primeiro filme como o agente da CIA Felix Leiter (Jeffrey Wright) e o informante Mathis (Giancarlo Giannini). Ambos repetem todo o problema do filme que torna homens acostumados ao jogo duro dos bastidores em homens sensíveis e verossímeis apenas para quem acha que profissionais do serviço secreto fazem amizade tão rápido ou questionam seus deveres tão facilmente. Seria mais humano se o mundo da espionagem fosse assim, mas não é. E existem inúmeras dúvidas em atentados políticos e de quebra de sigilo que provam isso.
Talvez um James Bond Ultimate em uma franquia seja perfeitamente possível. Se Casino Royale indicava isso, Quantun Of Solace desmente da forma mais decepcionante possível. De positivo, apenas o fato de que existem outros elementos para se explorar em um próximo filme e, quem sabe, talvez indiquem uma equipe e elenco mais competentes.
Pena que isso não salva o filme. Que pena.
Nota: 5
Bugman se decepcionou bagaraio com esse filme



