Melhores do Mundo

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Out 27

ARGH!!! Mais um post sobre scans?! – Parte 1

É isso aí, nerdalhada. Já publicamos alguns posts do Bugman e do Change falando de scans, agora chegou minha vez de colocar mais alguns argumentos na discussão.

Como sempre, o que escrevo aqui é apenas a minha opinião. O texto NÃO reflete a posição oficial do Melhoresdomundo.net, nem a opinião dos outros redatores.

[Mais:]

Pra começar, pirataria é crime. Simples assim. Só que a definição do que é pirataria varia de pessoa pra pessoa. Pra mim a definição de pirataria é bem simples: é ter lucro com o trabalho artístico de outra pessoa, sem repassar uma parte devida desse lucro ao autor. Vender CDs, DVDs ou cópias impressas de gibis baixados na internet ou escaneados por você mesmo é crime, além de ser uma tremenda sacanagem com o autor.

Entretanto, não vejo como pirataria o ato de escanear um gibi para si ou para outros, baixar scans de gibis da internet, fazer e distribuir versões em português de gibis estrangeiros. Essas ações costumam ser praticadas por amadores, gente que gosta de gibi. Existem diversos motivos para isso: ler e colecionar revistas que não poderia comprar; compartilhar sua paixão por uma determinada HQ com outras pessoas; conservar um backup digital de suas HQs favoritas.

Não é que o scan tenha apenas aspectos positivos. Mas fala-se muito dos aspectos negativos do scan sem mencionar os positivos. E considero importante ressaltar o scan como um ótimo veículo de divulgação para os bons gibis. Então vou usar alguns exemplos reais pra falar do assunto.

Digital Comics Preservation. "Preservação digital de quadrinhos". O nome do mais famoso grupo de scans de quadrinhos dos EUA já diz tudo. A idéia básica é preservar a obra que originalmente é produzida num meio finito, o papel. Mesmo que a mídia que carrega o arquivo digital não seja eterna, a transferência do arquivo (que não envelhece) para outras mídias de tempos em tempos garante a sua longevidade.

Mas os caras não são santos. Eles não são um tipo de museu de quadrinhos antigos e raros. Eles colocam na internet a versão escaneada dos últimos lançamentos poucas horas depois que eles chegam ao ponto de venda (geralmente comic shops). Se o sujeito pode baixar a HQ na sua casa de graça no mesmo dia do lançamento, por que ele se daria ao trabalho de ir a uma comic shop e gastar dinheiro? Ah, então o DCP é o responsável pela eterna crise do mercado de gibis nos EUA? Calma aí! Antes de tacar pedras, vamos analisar a situação.

A queda nas vendas de HQ é muito anterior à popularização dos scans. Então mesmo que o scan ajudasse na crise, ele não a iniciou. Mas também não acho que os scans afetem somente de maneira negativa as vendas. Vamos aos exemplos.

A Marvel comemorou o êxito comercial de Civil War (Guerra Civil), que atingiu um patamar de vendas que não era visto há anos pela indústria de HQs. Será que o DCP resolveu não escanear Civil War e aí os leitores desonestos não tiveram outra opção a não ser comprar o gibi? Não, gafanhoto. Cada edição de Civil War foi disponibilizada em scan na internet no dia do lançamento nas comic shops. O que explica o sucesso de vendas, então? A qualidade do gibi. Mesmo não sendo do meu gosto pessoal, é inegável que Civil War agradou em cheio ao público americano. O gibi foi não apenas o mais vendido, como o mais baixado na época. Vamos raciocinar a partir desse último dado.

Temos basicamente três possibilidades. 1) Os scans atrapalharam as vendas; se não fossem os scans, a revista teria vendido ainda mais; 2) Os scans ajudaram as vendas; muita gente baixou o scan pra ver se a história era boa mesmo e assim não gastar dinheiro à toa, e todas essas pessoas resolveram comprar a revista depois; 3) Os scans influenciaram (positiva ou negativamente) a compra de somente uma parcela das pessoas, pois muitos não iriam comprar a revista mesmo, lendo ou não o scan; outros leram em scan e já ficaram satisfeitos só em saber o que estava acontecendo, por isso não compraram a revista; alguns baixaram o scan e decidiram comprar a revista depois, pois adoraram a história; e um grupo de pessoas baixou o scan e comprou o gibi porque sempre faz isso.

Por mais que as editoras preguem a opção 1 e os entusiastas dos scans preguem a 2, a alternativa 3 é muito mais provável. Quem não compra gibi nunca, não compraria com ou sem scan. Quem compra gibi sempre, compra com ou sem scan. Os que usam o scan para decidir a compra provavelmente de dividem entre os que compram e os que não compram. Então a influência direta do scan num caso como o de Civil War é pequena. Mas e a influência indireta?

É inegável a força do boca a boca para o sucesso comercial de produtos culturais. A indicação de um amigo tem muito mais credibilidade que um outdoor ou um comercial de TV. Mesmo que a pessoa que leu o scan não compre, ela vai comentar com um amigo, ou no seu blog, ou na sua comunidade do Orkut. Na pior das hipóteses, ela nem precisa convencer o amigo, é só dizer "baixe e leia você mesmo". Se muita gente gostar daquele gibi, mesmo que nem todos comprem, esses leitores irão gerar manifestações sobre a HQ que podem acabar chegando a um provável comprador que de outra forma não teria a confiança para comprar a revista.

Mas como nem só de campeões de venda vive a indústria das HQs, chegamos a outro benefício dos scans: a divulgação de bons gibis desconhecidos. Junto com os scans das páginas da revista, o DCP costuma incluir uma página com os créditos do escaneador/diagramador e a mensagem "Gostou? Então compre!". Isso porque eles têm em mente que se todo mundo só ler gibi em scan as editoras vão fechar e vão acabar os gibis (pelo menos da forma como conhecemos). O próprio escaneador só faz scan do que ele gosta e compra, oboviamente. Com o seu ato de divulgação do gibi que aprecia, ele acaba fazendo com que o gibi alcance outros possíveis compradores.

Essa descoberta fica mais evidente em um gibi alternativo ou de uma linha restrita, como a Vertigo. Como cada leitor de gibis tem a sua lista de compras mensal, não sobra grana para arriscar a comprar um gibi novo, que pode ser uma porcaria. Mas lendo em scan, o leitor pode descobrir que aquele gibi que quase ninguém lê, que está quase sendo cancelado, é o gibi da vida dele. É claro que essa prática só ajuda a melhorar a venda de títulos de qualidade (cujos critérios são subjetivos, vale lembrar). Se poucos leitores gostam de um título, tenham comprado em banca ou baixado da internet, as vendas serão baixas, com ou sem scan.

Conclusão dessa lengalenga toda: scan dá prejuízo? Só pras HQs ruins, porque os leitores vão conseguir fugir da roubada de gastar dinheiro com isso. Os bons gibis ganham propaganda gratuita e de qualidade (o famoso boca a boca).

Concordam? Discordam? Vamos discutir nos comentários. Mas civilizadamente, por favor. Ou o Hell vai dar uma voadora em cada um de vocês!

A seguir: trazendo a discussão pro nosso quintal.


Nerd Reverso Email • 18:00:34 • Quadrinhos, EspecialPermalink 198 comentários
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