DC Apresenta #10: III Guerra Mundial Tweet

Essa revista poderia se chamar "O que aconteceria se 52 tivesse sido feita nas coxas?".
Fiquei decepcionado quando soube que a Panini iria publicar a Terceira Guerra Mundial em uma revista separada de 52, pois a mini-série era o único spin-off da série semanal e poderia muito bem ser incluída dentro da revista principal. Entretanto, depois de ler esta edição, vi que a editora brasileira fez a coisa certa, pois esta história iria baixar (muito!) o nível de 52.
O grande risco de 52 era virar uma colcha de retalhos, em que os trechos das tramas com os vários protagonistas não formassem um todo coeso. Graças aos talentos envolvidos na série, isso não aconteceu, mas é exatamente o que ocorre nesta revista. Apesar de admirar o roteirista John Ostrander por obras anteriores, aqui ele realiza (ao lado de Keith Champagne) um trabalho muito inconsistente, cheio de clichês e que larga de forma desleixada acontecimentos importantes no DCverso ao longo da história.
O número de protagonistas já deixa a história muito cheia de lacunas. Além da trama principal do Ajax (ou "Caçador de Marte", se preferirem) e do Adão Negro, temos cenas com Asa Noturna (Jason Todd), Nuclear, Supermoça, Aquaman, Harvey Dent, Batmoça, Mulher Maravilha (Donna Troy), Novos Titãs, Xeque-Mate, Justiceira e os Monitores. Algumas mudanças importantes acontecem com alguns desses personagens ao longo da edição, mas é tudo jogado no meio da pancadaria com o Adão Negro.
O pior mesmo é a trama de Ajax, o protagonista da coisa toda. A Terceira Guerra Mundial tá rolando e ele fica simplesmente observando tudo, fazendo observações pseudofilosóficas até decidir entrar na briga no último momento. E tudo isso só pra arranjarem uma desculpa pra mudar o uniforme dele e vender mais bonequinhos.
Para não dizer que a revista não tem aspectos positivos, a arte classuda de Pat Olliffe é sempre bem-vinda. E o prólogo que se passa na semana 45, quando Adão Negro matou um país inteiro, é bem interessante. Ali descobrimos que a ira do ex-monarca do Kahndaq não é resultado dos atos de um vilão tomado pela loucura, mas o pensamento consciente de alguém com poderes e orgulho quase divinos que leva a lei de talião às últimas conseqüências; seu mundo foi destruído, ele irá destruir o mundo de todos os outros. Um bom momento, mas não o suficiente pra salvar a obra.
Nota: 3,5
(World War III #1-4)
Formato americano, 100 páginas, papel Pisa Brite, capa couché, R$ 6,90, distribuição nacional, editora Panini.



