Festival do Rio: Walt Disney & El Grupo Tweet

Infelizmente não deu pra ver Gake no ue no Ponyo, a nova animação de Hayao Miyazaki, pois suas sessões foram canceladas. Mas isso não quer dizer que não há filmes para os nerds no Festival do Rio.
Fui ver Walt Disney & El Grupo (Walt & El Grupo, no original), um documentário sobre a viagem do Disney e um grupo de artistas de seu estúdio à America do Sul em 1941. A sessão teve a presença do diretor, Theodore Thomas, filho de um dos melhores animadores da Disney, Frank Thomas, que fazia parte do Grupo.
Em 1941, Walt Disney enfrentava uma grave crise financeira (provocada pela queda de bilheteria na Europa em virtude da Segunda Guerra Mundial) e uma greve em seu estúdio. Enquanto isso, o governo dos EUA queria promover a chamada "política da boa vizinhança" no continente, cujos países também vinham sendo cortejados pela Alemanha nazista em busca de alianças.
Unindo o útil ao agradável, Disney reuniu seus melhores artistas (entre roteiristas, desenhistas, animadores, músicos) e partiu numa viagem pela América do Sul inteiramente bancada pelo governo, fugindo da crise e realizando uma pesquisa sobre a cultura de Brasil, Argentina e Chile. O resultado da pesquisa resultaria numa animação financiada e garantida pelos EUA (ou seja, se desse prejuízo, o Tio Sam pagaria a conta e Disney não perderia mais nenhum centavo).
O nome "El Grupo" veio da separação da equipe no Rio de Janeiro, devido à lotação dos hotéis. Disney, os produtores e o pessoal da publicidade ficaram no Copacabana Palace, enquanto que roteiristas, desenhistas, animadores e músicos ficaram no Hotel Glória. Como não tinha celular ou internet na época, a equipe hospedada no Glória descia toda manhã para o saguão e esperava ser chamada para as atividades do dia. E todo dia um funcionário chamava por eles berrando por "O grupo! O grupo de Disney!", daí passarem a chamar a si mesmos de "El Grupo".
A abordagem política está presente em vários momentos, mas não é aprofundada, até porque o filme foi feito com o apoio da Walt Disney Family Foundation, então não esperem por revelações obscuras a respeito do pai do Mickey. O documentário se concentra em mostrar como essa viagem mudou a vida da equipe de Disney e das pessoas com quem eles tiveram contato. E aproveita para revisitar os lugares por onde eles passaram. Por exemplo, mostram que o gigantesco cinema de Montevidéu que recebeu o Disney para a estréia uruguaia de Fantasia hoje é uma igreja evangélica (tão vendo, não é só por aqui que isso acontece...).
Há momentos em que o filme fica um tanto monótono, lembrando aquele monte de slides da viagem que sua tia chata fez pra um balneário qualquer: a viagem pode até ter sido ótima, mas ver uma porrada de fotos das pessoas em frente a cartões postais é um pé no saco.
O legal mesmo é conferir a gênese das idéias que geraram o filme Alô, Amigos. Podemos conferir artes originais dos melhores animadores da Disney na época feitas durante a viagem, incluindo os primeiros esboços do que viria a ser o Zé Carioca. Em determinado momento, vemos gaúchos argentinos em ação e é impossível não se lembrar do hilário segmento em que o Pateta é mostrado como um gaúcho típico (e um trecho passa logo depois dessa cena, confirmando a inspiração). De quebra, temos algumas boas piadas sacaneando a Argentina, o que é sempre divertido.
Nota: 7,5
Ainda não há previsão de lançamento comercial, mas o diretor espera conseguir distribuir o filme por aqui. Enquanto isso, confiram as sessões restantes no Festival do Rio:
Sexta - 03/10/2008 Cine Glória - Memorial Getúlio Vargas - 16h30
Sábado - 04/10/2008 Estação Vivo Gávea 4 - 18h
Domingo - 05/10/2008 Cine Glória - Memorial Getúlio Vargas - 14h30



