Hellboy II – O Exército Dourado Tweet

Como todos os outros MdMs estavam ocupados com outros afazeres (ou seja, jogando videogame), tive que sair temporariamente das minhas férias forçadas para conferir o segundo filme do personagem que nosso amigo Hell copiou usou como inspiração para criar sua identidade internética.
Depois do sucesso do primeiro filme (e das boas vendas do DVD – você já comprou o seu?) e de seu filme posterior, O Labirinto do Fauno (que todo mundo diz que é ótimo, mas ainda não vi), Guillermo del Toro veio com moral para a seqüência do demonhão apaixonado por gatos e chocolate. Hellboy II consegue intensificar os bons elementos do anterior sem soar repetitivo.
Todo o elenco principal está de volta, todos muito confortáveis em seus papéis. Hellboy (Ron Perlman, que nasceu pra fazer esse personagem), Abe Sapien (o fantástico Doug Jones, que ainda tem mais dois papéis no filme) e Liz Sherman (a fofinha cuti-cuti Selma Blair) recebem mais espaço para mostrar suas personalidades, com cada um tendo pelo menos um grande momento.
Depois do beijo de final feliz do último filme, Hellboy e Liz agora enfrentam os altos e baixos de um relacionamento. O vermelhão também está cansado de ficar escondido e deseja o reconhecimento do público, causando muitos problemas pro chefão Tom Manning (Jeffrey Tambor). Liz, que agora controla melhor seus poderes (reparem na chama mais fraca, amarela), precisa lidar com uma mudança radical em sua vida. E Abe Sapien, quem diria, arranjou um interesse amoroso (viram, nerds malditos? Se até um homem-peixe consegue, ainda há esperança pra vocês!). É sensacional a cena em que o Vermelho e o Azul deixam de ser super-agentes e viram apenas dois amigos bebendo e conversando sobre seus problemas com mulheres.

Além do trio principal, também deram um jeito de trazer de volta o Professor Broom (interpretado pelo grande John Hurt), numa cena de flashback da infância de Hellboy (incluindo um trecho em animação que lembra os bons trabalhos de Tim Burton). Completando a equipe, temos a adição do divertido agente ectoplásmico Johann Krauss (voz de Seth MacFarlane, criador e principal dublador de Family Guy e American Dad).
Depois de mostrar como seres sobrenaturais vivem entre os humanos, é hora de mostrar como esses seres que cresceram na cultura humana lidam com uma ameaça do mundo das lendas e mitos. Será que Hellboy deve lutar por um mundo de humanos que o teme e o odeia? Ou deve se juntar às outras criaturas sobrenaturais e finalmente encontrar um mundo que o aceite? Mais do que lutas ou estratégias, são as escolhas dos personagens que definem os rumos da trama. E as escolhas mais importantes são feitas pelas duas principais personagens femininas: Liz Sherman e a Princesa Nuala (Anna Walton).

Não que a ação fique em segundo plano. Os membros da Agência de Pesquisa e Defesa Paranormais têm muito trabalho neste filme. Até o Abe Sapien aparece lutando (em vez de só nadar pra longe do perigo)! A luta contra o tal Exército Dourado (que lembra a luta de Jack contra os robôs no final do piloto de Samurai Jack) mostra que até a destruição desenfreada pode ser plasticamente bela.
É exatamente o visual o maior destaque da obra. Contar uma história sobre povos sobrenaturais permitiu que del Toro criasse centenas de novas criaturas, misturando na medida certa maquiagem, animatronic e efeitos digitais. A seqüência no mercado troll é fantástica, dá vontade de pausar o filme em cada quadro só pra conferir todas as criaturas mostradas. Ao contrário de certos filmes de pseudofantasia em que tudo é mostrado e explicado como se fosse um museu (cof,cofHarry Pottercof, cof), aqui tudo é orgânico, misturado, confuso, o que torna a ambientação muito mais interessante.

Hellboy II não é um filme com roteiro complexo e cheio de reviravoltas. Pelo contrário, a resolução da trama é bem previsível desde o início e a coisa toda tem um jeitão de fábula dark (o que tem tudo a ver com o tipo de ameaça enfrentada). Mas é um ótimo entretenimento visual (procurem um cinema com tela grande e boa projeção) onde o barato é exatamente acompanhar a trajetória desses (anti-)heróis num mundo fantástico. E del Toro ainda deixou um belo gancho para a terceira parte!
Nota: 9.
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